Lí hoje no site do Azenha, comentando comentário do Luiz Nassif:
Escreveu o Luís Nassif:
“Mando uma carta para a seção de Cartas do Leitor de “O Globo”, respondendo a um ataque do Ali Kamel. “O Globo” publica a carta e, junto com ela, a resposta do Kamel, com outros ataques, me chamando várias vezes de mentiroso. Ou seja, não só o direito de responder, na minha resposta, mas de ofender. Se eu mandar outra carta, pedindo direito a tréplica, certamente sairá com outra resposta do Kamel me xingando novamente. Quando escreve sem direito a réplica ou tréplica, quando fala sozinho, o Kamel é imbatível. Isso não se discute, por definição. No final, sua declaração esparramada de amor: “É por isso que me orgulho de “O Globo””. Nem vou discutir o amor entranhado que Kamel tem pelo jornal que lhe garante salário e projeção. É amor desinteressado, não tenho dúvida. Mas é um cara-de-pau, convenhamos: ter orgulho de um jornal que permite que uma carta que responde a ofensas seja publicada, mas como álibi para novas ofensas ao missivista. Pergunto aos colegas que, dentro de “O Globo”, lutam para preservar o jornalismo: o que fizeram foi bom jornalismo? Repito: o Kamel está conseguindo destruir, dia a dia, o enorme esforço do Evandro Carlos de Andrade, para reconstruir a imagem da Globo. E por picuinha.”
Meu comentário:
Não é por picuinha, caro Nassif. É por cegueira ideológica. É bom saber que tem gente de fora das Organizações Globo que enxerga um processo que vem lá de longe, que quem trabalha ou trabalhou na Globo já denunciava e continua denunciando nos corredores há mais de um ano. Os métodos adotados pelo Jornalismo da empresa, ou pelo menos pela facção que está no poder, estão minando lentamente a credibilidade do grupo. Até a seção de cartas passou a ser manipulada. E o necrológio, no caso de Antonio Carlos Magalhães e Augusto Pinochet. A Globo é tão autocentrada que, se os estúdios do Jornal Nacional forem demolidos por causa da falência da empresa, os “colaboradores” vão continuar dirigindo até lá, estacionando os automóveis e seguindo para uma redação fantasma. Os herdeiros de Roberto Marinho conduzem a Globo pelo mesmo caminho da Telemontecarlo, por terceirizar para um grupo de aloprados a avaliação da conjuntura social, política e econômica; e por submeter toda a produção jornalística da empresa a um grupo que inclui ideólogos, burocratas, incompetentes e puxa-sacos. Parece o Kremlin nos tempos do Brezhnev.
Não conheco a Globo por dentro, nunca trabalhei lá, e provavelmente nunca irei, porém, acho notável o fato de os Marinho manterem como chefes de jornalismo algumas figuras que são motivo de piadas em qualquer outro ambiente, quenão as redações da própria TV Globo.
Se existe cegueira ideológica por parte dos “ideólogos, burocratas, incompetentes e puxa-sacos” lá dentro, cegueira maior ainda é dos Marinho, que deixam o império construído pelo Pai fique na mão dessas figuras… Mas é compreensível. Os Marinho, que cresceram tendo um pai que reinava absoluto no país, imaginavam que herdariam e manteriam a influência política, a credibilidade e o alcance da Globo. Quando é que eles iriam imaginar esse gráfico abaixo?

Clique na imagem para entender o que é a “Teoria da Calda-longa”.
Acontece que os grandes grupos de mídia/poder preferem acreditar que essa coisa de internet, cauda longa, participação e, essencialmente, democratização, é apenas uma onda-passageira, que eles podem apenas fingir que não existe e/ou fingir que pegam… Não é fácil pra uma mega-estrutura, do tamanho de um monstro como a Globo, ter que abrir mão da sua influência, espaço, audiência, etc, para algumas teorias “malucas” que dizem que a produção e distribuição de conteúdo vai se fragmentar e distribuir e que eles vão perder importância… Estruturas desse tamanho não são passíveis de mudanças radicais. Especialmente estruturas acostumadas com o poder que um modus-operandi, hoje já antiquado, lhes proporcionou no passado recente.
Ali-Kamel, Shcroeder e os seus patrões, os Marinho, são filhos desse modelo. Aprenderam nessa escola. E como o ditado inlgês já diz, “You can’t teach an old dog, new tricks”
Eles se abraçam ao passado, ao seu modelo hoje defasado, e ao poder que antes mantinham, usando como sustentação gráficos de popularidade e pesquisas de opinião que comprovam a sua teoria infundada de que são isentos e que tem credibilidade perante o público. E enquanto isso, o mundo gira ao redor da Globo. E gira em uma velocidade inimaginável, criando uma revolução na maneira de se produzir e de se consumir mídia, conteúdo e jornalismo. E é uma revolução que vem se utilizando da mesma malha que há décadas atrás propiciaram o surgimento da própria TV Globo: O interesse de grupos econômicos.
Mas a Globo não é a única… Pelo Brasil e mundo afora, grandes grupos de comunicação enfrentam os mesmos dilemas… A própria BBC a cada dia perde audiência, importância e tem que enxugar sua estrutura.
Foi ciente dessa realidade, que Tom Curley, o CEO da Associate Press discursou recentemente, clamando para que as organizações noticiosas percebam o futuro e não tentem lutar contra ele. Veja alguns trechos tirados da matéria no Washington Post:
Em alguns pontos do seu discurso, Curley diz que “as organizações de mídia devem parar de pensar como gatekeepers de informação e tentar alcançar as pessoas que estão acostumadas a receber notícias online em tempo real e que customizam as maneiram que eles vêem e lêem essas notícias”.
(…)
Curley também disse que as organizações notíciosas também são culpadas pelos problemas que vem enfrentando ao tentar se adaptar as novas realidades no negócio de notícias sendo moldadas pela explosão do uso de internet. “A primeira coisa que tem-se que largar é a atitude“, disse Curley. “Nossa arrogância institucional fez mais para nos prejudicar do que qualquer portal na Internet“.
(…)
Curley convocou empresas de mídia tradicionais a cooperarem mais com portais online, e disse que ainda há lugar para o ‘jornalismo tradicional’ com jornais impressos e noticiários televisivos, porém, disse ele “é um espaço menor“.
Pra completar o infortúnio dos meios de comunicação tradicionais, cruzei hoje no Eu Ví o Mundo com o seguinte dado:
Em 2006, nos Estados Unidos, a Nike gastou 453 milhões de dólares em eventos, competições, buscadores de internet, propaganda em lojas e merchandising de seus produtos em filmes, séries de TV, videogames e videoclips, contra 221 milhões de dólares na mídia tradicional - jornais, revistas, emissoras de rádio e TV e banners na internet.
Citado pelo jornal New York Times, o vice-presidente global de marcas da Nike foi direto ao assunto: “O objetivo de nossos negócios não é manter vivas as empresas de mídia”.
Alguem, por favor, avisa os Marinho, os Civita, o Shroeder e o Kamel…