Ontem recebi uma carta, super educada do festival de Locarno me informando que meu curta não havia sido selecionado para o festival esse ano. Faz parte. Mas claro que sempre fica uma pontinha de decepção…
Locarno é um dos festivais mais tradicionais da Europa, e responsável por descobrir inúmeros diretores. Spike Lee, Quentin Tarantino, Stanley Kubric, etc. A principal “sala de exibição” acontece na Piazza Grande, a noite, sob as estrelas. Uma pena meu filme não ter entrado…

Mas como o mundo continua girando, me ocupei com a inscrição para outros festivais e marcando no meu calendário os deadlines para envio de DVD e etc, e resolvo também pesquisar um pouco sobre o que está se passando em Locarno e descubro o seguinte:
- O diretor artistico do festival mudou, e quem está encarregado da função agora é o ex-responsável pelo “Director’s Fortnight” em Cannes, Olivier Père. Segundo o site do festival ele quer trazer um novo olhar para o festival de Locarno, “revelando novos diretores e novos territórios”.
Legal, pensei! Mas aí descobri também que os novos territórios que que ele quer descobrir é o pornô gay.
Antes do anúncio oficial dos selecionados do festival, que vai acontecer daqui há uma semana, o festival anunciou que o filme americano “L.A. Zombie” fará parte da mostra competitiva internacional. Todos os filmes em competição são exibidos na Piazza Grande.
A revista Variety escreve o seguinte sobre o filme e sua escolha para o festival:
“L.A. Zombie” stars French porn star Francois Sagat as a schizophrenic who thinks he’s a zombie, trying to bring the dead back to life by engaging in homosexual sex. Pic will bow internationally at the Swiss fest dedicated to indie pics.
Esse é o trailer do tal filme:
E entrando no site do filme, o que se constata é que realmente se trata de um filme pornô gay de zumbis. Vou me limitar a postar o link do filme para quem quiser se aventurar por lá. Mas a conclusão é a seguinte, o festival de cinema que descobriu Kubric, e inúmeros outros diretores, vai exibir na Piazza Grande, para um público estimado de 8 mil pessoas, um filme de de zumbi pornô gay.
Não me interpretem mal. Nada contra pornôs, zumbis, gays ou contra a provocação. Sou a favor disso tudo aí. Mas sou também a favor do talento. Do trabalho duro. Da técnica. A provocação barata e sem profundidade fica por ali. Passa. Não vinga. E acredito que seja o caso da escolha desse filme para o festival.
Claro que fiquei chateado pelo fato de meu filme não ter entrado no festival, mas ao me deparar com essa piada de mal gosto estou indeciso entre dois sentimentos. O primeiro, de alívio, por meu filme não estar compartilhando a tela com um filme de sexo explícito de zumbis gays. O segundo reafirma a minha decepção, se um filme C desse tipo entra em um festival desse calibre e o meu não, eu devo ser mesmo, muito, mas muito ruim de serviço.
UPDATE
Acabo de ver o trailer de um curta selecionado para Locarno. E, ao contrário do tal filme acima, é de extrema qualidade. Chama-se Morning Star. Assistam:


































Por exemplo, peguem essa série de “virais” do “


April 3rd, 2008 at 2:26 am Finalmente alguém fala de um filme que vi!
Em épocas de vacas magras (tenho visto um máximo de 4 filmes por ano) isso é ao mesmo tempo uma vitória e uma bela coincidência. Ainda mais o tendo feito desprovido de qualquer oportunismo, numa sala marginal de Clichy, quando ainda não tinha sido indicado ao Óscar, etc, etc.
Que posso dizer? Um filme modesto! Modesto em tudo! Personagens com sonhos modestos, com problemas modestos, com soluções modestas. Tirando a musica bacaninha, achei quase ofensiva a sua falta de pretensões.
Cheguei a cogitar escrever uma carta ao diretor perguntando quem ele pensava ser para fazer um filme assim mas preferi me portar como um modesto expectador…