
“A Execução de Maximilano”, de Manet
Estava eu a pensar que já faz um ano que meu filme “Gagged in Brazil” estreou na Current TV, causando alvoroço dentro do Palácio da Liberdade e lotando as caixas de e-mail nas Minas Gerais.
Eis então que recebo este email de um artista plástico mineiro, José Romualdo Quintão, que após assistir ao curta, se deu ao trabalho de me redigir um muitissimo bem escrito email com as mais variadas insinuações sobre minhas motivações para produzir o filme.
Segue o email:
(…) Informo ao autor que sou apenas um incrédulo eleitor, que não mais confia em nenhum político brasileiro, entretanto nem por isto deixo de opinar: seu filme poderia ter sido mais bem ilustrado incluindo a censura que está a ocorrer no governo Lula, que exigiu a cabeça de famosos e confiáveis jornalistas/comentaristas, postos na rua pelas redes de comunicação onde trabalhavam, em razão dos verdadeiros, porém julgados como cáusticos, os comentários divulgados contra o Companheiro chefe do PT, fatos amplamente divulgados e do conhecimento geral.
Diante de toda dissimulada censura patrocinada pelo poder financeiro, ocorrência em todos países do mundo (exemplo maior nos Estados Unidos durante o período Bush), para abocanhar com facilidades e custos sem descontos divulgações de empresas mistas, órgãos públicos em forma de anúncios institucionais, junto aos quais são carreadas polpudas verbas publicitárias, a imprensa se posiciona bem ao lado dos governos a fim alcançar sucesso no propósito. Tanto aqui como acolá.
O Prof. Bergamini lavrou uma frase atualíssima, definitiva e antológica: A maioria da imprensa hoje não escreve mais nas redações e sim nas tesourarias .
O Governador Aécio Neves foi o seu bode expiatório, baseado num comentário de jornal francês “Le Monde”.
Diante do oportunismo do libelo contra sua excelência, governador de Minas exatamente nas proximidades da escolha dos candidatos para Presidente da Republica nas próximas eleições, sua produção faz com que pessoas possuidoras de lucidez, duvidem graniticamente da imparcialidade do autor do vídeo sob comentário.
Sou amigo de um cineasta e primo de um videomaker, e sei o quão difícil é obter recursos e apoio para produção de filmes e vídeos, estes mais fáceis de serem realizados quando são solicitados por empresas televisivas para agradar a quem politicamente interessar.
Ignoro se este foi o impulso que o levou a produzir o vídeo contra a censura do Governador de Minas. Diante de tantos exemplos espargidos por aí é de se imaginar que sim.
José Romualdo Quintão
apoiado pelo seu amigo Camilo Viana
Ao que respondi agora há pouco:
Caro José,
Obrigado pelo email.
Suas linhas são bem escritas, mas o que dizes é extremamente ofensivo.Interessante notar que você em nenhum momento se propõe a me perguntar nada. Está apenas a fazer insinuações sem ao mesmo me conhecer ou ao meu trabalho.
Você me questiona sobre a escolha do meu objeto.
Sei que você é pintor. Devo lhe dizer que assim como um pintor delimita o seu olhar, enquadrando-o em sua tela, o mesmo acontece com filmes e com documentários. Estou imaginando se você sugeriria a Manet que em seu quadro “A execução de Maximiiano”, por exemplo, ele “ilustrasse melhor” a presença das forças Napoleônicas em território Mexicano e todos os desdobramentos da guerra civil que acabou por expulsar os franceses, culminando com a execução do Imperador do México, o tal Maximiliano. Manet se ateve a ilustrar apenas a execução.
Você também faz insinuações quanto a minha motivação para produzir esse filme…
Melhor exemplificar com Manet, também. O pintor decidiu realizar a referida obra por ter se enfurecido com os desdobramentos da guerra civil no México, e o quadro é sua manifestão de desgosto a situação e ao então emperador francês, Napoleão.
Você também acusaria Manet de “querer interferir no processo político francês”? Insinuaria que seu mecenas tinha “fins partidários”? Novamente, me perdoe a comparação. Mas assim como eu não sou Manet, Aécio Neves não é Napoleão.
Não há porque questionar que “A Execução de Maximiliano” é uma obra política. Assim como meu filme “Gagged in Brazil” também o é.
Mas assim como a pintura de Manet, meu filme também surgiu a partir de um sentimento genuíno. Uma experiência minha e a minha revolta com uma situação camuflada nos bastidores do poder e da mídia e da minha vontade de expor essa história…
Seria eu ingênuo por, ao realizar esse filme, acabar me expondo a comentários e insinuações como as suas? Talvez… Mas assim como Martin Luther King, “o que mais me preocupa não é o grito dos violentos (…) mas o silêncio dos bons”.
Pra finalizar, devo lhe dizer que o que mais me surpreendeu em sua mensagem é o fato de um artista plástico ter se rendido tão facilmente ao cinismo.
Passar bem,
Daniel Florêncio
May 5th, 2009 at 10:28 am
Bem, estamos vivendo o mundo de Eric Arthur Blair (George Orwell) em 1984. Nada mais, nada menos…
May 5th, 2009 at 1:14 pm
Quero ver a réplica do artista plástico.
May 5th, 2009 at 2:05 pm
Pintor bom é pintor de parede. Esse não dá nem palpite da cor! Abaixo os Manés, glória aos JRQs.
June 9th, 2009 at 8:58 am
E aí, não houve nova resposta do artista plástico ?
June 18th, 2009 at 5:40 am
E ai Taranto. Houve resposta sim, mas ele reclamou que publiquei esse email aqui e pediu pra que o outro email não fosse publicado.