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Archive for May, 2009


Jornal pra quê?


Wednesday, May 13, 2009

Até certo tempo atrás se questionava sobre a confiabilidade de conteúdo achado na Internet, “não se sabe a procedência”, “qual a credibilidade?”, etc, etc… Fazia sentido, mas aí acompanhando o desenvolvimento e o crescimento da Web começou-se a perceber que blogs, e sites pequenos (até então) tinham muito mais a perder do que os grandes jornalões. Jornalistas que escrevem blogs estão ali a dar sua cara a tapa. Qualquer escorregão seria um dano imediato a sua credibilidade. Há de ser muito mais responsável quando assina-se o veículo em que seu conteúdo está sendo publicado.

Algo com que os jornalões não tem o menor comprometimento. Aliás, aparentemente nunca tiveram. Sempre funcionaram a fim de moldar a opinião pública e nunca refleti-la. E hoje, os exemplos do seu descomprometimento se acumulam, nos deixando a dúvida, “Jornal pra que?”, se não dá pra confiar no que ali está escrito?

Há pouco tempo atrás houve o caso da tal “ficha policial de Dilma Roussef”, publicada na capa da Folha de São Paulo, onde lia-se que Dilma havia planejado o sequestro de Delfim Neto há época da ditadura.Tudo mentira. A ficha inclusive, que era uma montagem tosca feito no Photoshop e a qual a folha nunca explicou aonde havia encontrado. Dilma, sendo acusada de algo que nunca aconteceu enviou a folha uma carta, que também nunca foi publicada.

Aqui a primeira página da Folha (clique para ampliar ):

E a tal “ficha policial” photoshopada de Dilma (clique para ampliar):

Jorge Furtado, o cineasta, falando sobre o assunto em seu blog escreveu,

“Quando publica como verdade aquilo que sabe que é mentira, um jornal deixa de ter qualquer utilidade.”

Poisé, eis que ontem mesmo, na capa do Globo, uma situação um pouco parecida, mas desta vez com o Lula e uns manifestantes em Brasília. A chamada da capa dizia que “Lula enfrenta protesto” em Brasília.

Na realidade os manifestantes protestavam contra o governo do Distrito Federal, e Lula foi lá perguntar por que eles tavam protestando, explicando que eles deveriam ter as reivindicacoes no papel e etc, basicamente ensinando o povo como as coisas funcionam, quando eles começaram a gritar, “Lula eu te amo!”.

O assunto repercutiu pela web, e no O Globo de hoje, eles foram obrigados a fazer a errata na primeira página, como a imagem abaixo mostra:

“Lula e os manifestantes – Texto da primeira página do Globo de ontem deu a entender que o presidente Lula teve enfrentamento (sic) com manifestantes. Pelo (sic) contrário, ele ‘ganhou’ (sic) o grupo, como registra corretamente a reportagem da página quatro.”

Daí me pergunto… Jornal pra quê?

Bom, lá em casa a maior utilidade do “Estado de Minas”é ser o banheiro do cachorro…

1 ano de “Gagged in Brazil”


Monday, May 4, 2009

“A Execução de Maximilano”, de Manet

Estava eu a pensar que já faz um ano que meu filme “Gagged in Brazil” estreou na Current TV, causando alvoroço dentro do Palácio da Liberdade e lotando as caixas de e-mail nas Minas Gerais.

Eis então que recebo este email de um artista plástico mineiro, José Romualdo Quintão, que após assistir ao curta, se deu ao trabalho de me redigir um muitissimo bem escrito email com as mais variadas insinuações sobre minhas motivações para produzir o filme.

Segue o email:

(…) Informo ao autor que sou apenas um incrédulo eleitor, que não mais confia em nenhum político brasileiro, entretanto nem por isto deixo de opinar:   seu filme poderia ter sido mais bem ilustrado incluindo a  censura que está a ocorrer no governo Lula, que exigiu a cabeça de famosos e confiáveis jornalistas/comentaristas, postos na rua pelas  redes de comunicação onde trabalhavam, em razão dos verdadeiros, porém julgados como  cáusticos, os comentários divulgados contra  o Companheiro chefe do PT, fatos amplamente divulgados e do conhecimento geral.

Diante de toda dissimulada  censura patrocinada pelo poder financeiro, ocorrência em todos países do mundo (exemplo maior  nos Estados Unidos durante o período Bush), para abocanhar com facilidades e custos sem descontos  divulgações de empresas mistas, órgãos públicos em forma de anúncios institucionais,  junto aos quais são carreadas polpudas verbas publicitárias,   a imprensa  se posiciona bem ao lado  dos governos a fim alcançar  sucesso no propósito. Tanto aqui como acolá.

O Prof. Bergamini lavrou uma frase atualíssima,  definitiva e antológica: “ A maioria da imprensa hoje não escreve mais nas redações e sim nas tesourarias “.

O Governador  Aécio Neves foi o seu “bode expiatório”, baseado num comentário de jornal francês “Le Monde”.

Diante  do oportunismo do  libelo contra sua excelência, governador de Minas exatamente nas proximidades da escolha dos  candidatos   para Presidente da Republica nas próximas eleições,  sua produção faz com que pessoas possuidoras de  lucidez, duvidem graniticamente  da  imparcialidade do autor do  vídeo sob comentário.

Sou amigo de  um cineasta e primo de um videomaker, e sei o quão difícil é   obter  recursos e apoio  para produção de filmes e vídeos, estes mais fáceis de serem realizados quando são solicitados por empresas televisivas para agradar a quem politicamente interessar.

Ignoro se  este foi o impulso que o levou a produzir o vídeo contra a “censura “do Governador de Minas. Diante de tantos exemplos espargidos por aí  é de se imaginar que sim.

José Romualdo Quintão
apoiado pelo seu amigo Camilo Viana

Ao que respondi agora há pouco:

Caro José,

Obrigado pelo email.
Suas linhas são bem escritas, mas o que dizes é extremamente ofensivo.

Interessante notar que você em nenhum momento se propõe a me perguntar nada. Está apenas a fazer insinuações sem ao mesmo me conhecer ou ao meu trabalho.

Você me questiona sobre a escolha do meu objeto.

Sei que você é pintor. Devo lhe dizer que assim como um pintor delimita o seu olhar, enquadrando-o em sua tela, o mesmo acontece com filmes e com documentários. Estou imaginando se você sugeriria a Manet que em seu quadro “A execução de Maximiiano”, por exemplo, ele “ilustrasse melhor”  a presença das forças Napoleônicas em território Mexicano e todos os desdobramentos da guerra civil que acabou por expulsar os franceses, culminando com a execução do Imperador do México, o tal Maximiliano. Manet se ateve a ilustrar apenas a execução.

Você também faz insinuações quanto a minha motivação para produzir esse filme…

Melhor exemplificar com Manet, também. O pintor decidiu realizar a referida obra por ter se enfurecido com os desdobramentos da guerra civil no México, e o quadro é sua manifestão de desgosto a situação e ao então emperador francês, Napoleão.

Você também acusaria Manet de “querer interferir no processo político francês”? Insinuaria que seu mecenas tinha “fins partidários”? Novamente, me perdoe a comparação. Mas assim como eu não sou Manet, Aécio Neves não é Napoleão.

Não há porque questionar que “A Execução de Maximiliano” é uma obra política. Assim como meu filme “Gagged in Brazil” também o é.

Mas assim como a pintura de Manet, meu filme também surgiu a partir de um sentimento genuíno. Uma experiência minha e a minha revolta com uma situação camuflada nos bastidores do poder e da mídia e da minha vontade de expor essa história…

Seria eu ingênuo por, ao realizar esse filme, acabar me expondo a comentários e insinuações como as suas? Talvez… Mas assim como Martin Luther King, “o que mais me preocupa não é o grito dos violentos (…) mas o silêncio dos bons”.

Pra finalizar, devo lhe dizer que o que mais me surpreendeu em sua mensagem é o fato de um artista plástico ter se rendido tão facilmente ao cinismo.

Passar bem,

Daniel Florêncio

Mais um filme


Sunday, May 3, 2009

Estou pre-produzindo um filme novo. Um curta. Dessa vez de ficção.

É interessante depois de um bom tempo sem produzir nada meu de verdade, ter que lidar com todo o processo criativo de novo. Passei mais de um ano trabalhando em ambientes corporativos. 1 ano de Bloomberg e mais uns 6 meses freelando em TV’s e fazendo vídeo corporativos, etc… Por melhor que tenham sido, eram um deserto criativo. Estava seco de idéias. Seco de imaginação. Tudo o que eu fazia eram idéias recicladas. Ou idéias e formatos meus anteriores, ou idéas e formatos dos outros.

O fim do meu período na Bloomberg foi excelente. Não só iniciei uma colaboração com a revista Monocle, onde, apesar de eu não ter controle editorial sobre os filmes, tenho absoluto controle estético. O segundo do que serão uma série de inúmeros filmes já está no ar. Mas também tive a oportunidade de trabalhar com um pessoal com quem sempre sonhei trabalhar, na Passion Pictures dando uma mãozinha em um projeto DUCARALHO, que, assim que eu puder eu anuncio aqui… Por enquanto não posso…

Tudo isso tem sido muito bom. Além de estar trabalhando com pessoas excepcionais, me sinto mais livre criativamente, e no tempo livre que me resta (pois sou freelancer) posso pensar nas minhas idéias.

E foi nesse tempo que comecei a desenvolver esse meu novo filme. Roteiro está escrito ( e sendo modificado ), e já convenci vários amigos e conhecidos talentosos a entrarem no barco comigo. Milen, Lalo, Azul… Toda essa experiência de produzir um filme de novo tem sido excelente…

É um exercício de humildade que não acontece muito quando se está por trás de uma corporação. Atrás de uma grande logomarca, dentro de um edifiício de vidro e com milhares de pessoas trabalhando é fácil ligar pra alguém e conseguir que algo seja feito.

Mas quando a tal “logomarca” é apenas você, e o tal “edifício de vidro” o seu apartamento, onde você se senta em frente a um computador e a um telefone, a coisa muda de figura. Você tem que acreditar muito que sua idéia é única. Acreditar muito na sua visão. Pois se você não acredita, porque outros irão de acreditar? E além de acreditar, você tem que trabalhar também… Muito… E é o que eu vou fazer agora pela frente. Correr atrás dessa idéia e realizar esse filme. Me cercar de pessoas talentosas. Estudar. Aprender. E curtir a caminhada.

Está na hora de mais um passo a frente… E esse filme é esse passo.

Boa sorte pra nós!