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O PSDB Jovem se manifesta


Friday, November 21, 2008

Recebi hoje pela manha o seguinte email, que publico na integra.

 

Prezado Daniel Florêncio,

 

 

Peço a sua atenção para os comentários que estou enviando sobre o seu post, que tem o título de “A tentativa de censura ao Gagged”.

 

Há alguns meses, você veiculou na Current TV e no You Tube um filme que “trata da falta de liberdade de imprensa e das relações entre a mídia no Brasil e, especialmente, em Minas Gerais com o governo Aécio Neves” para usar as suas palavras.

 

Na época, nós assistimos ao filme e discordamos do seu ponto de vista. A existência e a manifestação de pontos de vista discordantes são partes corriqueiras do exercício da democracia. Optamos então por fazer exatamente a mesma coisa que você fez: divulgar o nosso ponto de vista. Para isso, fizemos um filme onde buscamos demonstrar por que, na nossa opinião, o seu trabalho não reflete a realidade. Enviamos este filme, para os mesmos dois espaços que você utilizou para a divulgação do seu trabalho – a Current TV e o Youtube – na expectativa de que as pessoas interessadas no tema pudessem ter acesso a pontos de vista diferentes sobre o mesmo assunto.

 

Fizemos isso, tendo em vista a importância do tema tratado e pelo fato de considerarmos que o seu trabalho não contemplava os diversos lados da questão. Veja, por exemplo, que dos 8 minutos e 36 segundos do seu filme apenas 18 segundos – apenas onze palavras! – foram destinados ao que se convencionou chamar no jornalismo de “o outro lado”.

 

Ao enviarmos o nosso vídeo para a Current TV, em nenhum momento tentamos, como você afirma “censurar o seu filme”. Em nenhum momento sugerimos, como você afirma, que seu filme fosse retirado do ar, motivo pelo qual não entendemos porque você qualifica a iniciativa de divulgação do nosso trabalho como “tentativa de censura de seu filme” na Current TV.

 

Pelo contrário, como sabíamos que seu filme estava no ar, enviamos o nosso, acompanhado por uma carta que o apresentava, na expectativa de que os dois pudessem ser exibidos em paralelo, o que poderia oferecer ao telespectador uma visão mais completa do assunto.

 

Estranho, portanto, que a simples manifestação do nosso ponto de vista sobre o seu trabalho, já anteriormente expresso no nosso vídeo e explicitado no último parágrafo da carta por nós enviada à Current TV seja recebida por você como “acusações” e não como o que devidamente é: a simples e legítima expressão de uma visão sobre determinado assunto.

 

Não deixa também de ser curioso que o nosso gesto de tentativa de divulgar um ponto de vista diferente do seu, seja interpretado como uma tentativa de censura ou como “retaliação” por você, autor de um trabalho que se apresenta como sendo em “defesa da liberdade de expressão”. Afinal, a liberdade de expressão não pressupõe exatamente isso: espaço para manifestação das diferenças?

 

Estou enviando, em anexo, cópia da carta remetida à Current TV, junto com o nosso vídeo (http://br.youtube.com/watch?v=mgbdpM09ysk), onde resumimos alguns dos argumentos do nosso filme.

 

Tomei a liberdade de colocar em negrito o parágrafo que expressa a nossa intenção. Na carta, fica clara a ausência de qualquer tentativa de interferência na divulgação do seu trabalho. Isso me leva a estranhar ainda mais o texto de abertura do seu blog onde você afirma: “Os parágrafos a seguir relatam a tentativa do PSDB de Minas Gerais em tentar tirar do ar na Current TV (…) um filme crítico à política de comunicação do Governo Aécio Neves, produzido por mim e que vinha sendo veiculado no canal”. Isso, afirmo, e o conteúdo da carta demonstra, não é verdade.

 

Por fim, informo que a iniciativa de fazer um filme, postá-lo e enviá-lo à Current TV, não foi do PSDB mas da Juventude do PSDB-MG, da qual sou presidente, e que possui autonomia de ação.

 

Lamento que esse mal-entendido tenha ocorrido e, tendo em vista a gravidade da acusação que nos está sendo feita, peço a sua gentileza no sentido de reproduzir este esclarecimento, na íntegra, no seu blog.

 

 

Atenciosamente,

 

Reinaldo Oliveira Batista

Presidente da Juventude do PSDB-MG

 

 

 

 

Cópia da carta anteriormente enviada, meses atrás, à Current TV.

 

 

Prezado Senhor

 

Escrevo respeitosamente sobre a veiculação do vídeo “Gagged in Brazil”, que vem sendo veiculado nas últimas semanas pela prestigiosa emissora Current TV e conta com amplo acesso também por meio do You Tube e outros sites da internet.

 

A censura durante a ditadura no Brasil é um fato de triste memória para muitas gerações de brasileiros. Em particular nos anos 70, o regime militar mantinha policiais explicitamente dentro de redações [newsroom] de jornais diários com objetivo de aprovar ou vetar os textos escritos pelos jornalistas. Ao mesmo tempo, veículos semanais eram obrigados a enviar toda sua produção para aprovação prévia em Brasília, a capital federal. As emissoras de TV tinham um “index prohibitorum”, atualizado com freqüência por telefonemas procedentes dos órgãos de repressão. Procedimentos semelhantes a esses se encarregavam também de tentar silenciar o teatro, a literatura e a música popular, entre outras manifestações culturais. Felizmente, há muito tempo, a luta pela democracia empreendida por toda a sociedade civil brasileira deu um basta nessa truculência contra a liberdade de expressão e de imprensa no Brasil.

 

Faço essa breve visita ao nosso passado sombrio para registrar a perplexidade que muitos brasileiros vêm experimentando ao assistir o vídeo “Gagged in Brazil”. Afinal, estaria mesmo a censura de volta ao nosso País, mais propriamente no Estado de Minas Gerais, conforme assegura o vídeo da Current TV? Essa perplexidade se justifica inicialmente pelo fato de que não estamos falando de uma região que vive em isolamento nos longínquos destinos desse imenso Brasil.

 

Trata-se de Minas Gerais, localizado no coração do País, distante apenas 464 km do Rio de Janeiro, 586 km de São Paulo e 740 km de Brasília. Um Estado que tem mais de 19 milhões de habitantes e é a segunda economia mais dinâmica do Brasil. Num País que restabeleceu a democracia plenamente e é governado por um presidente operário e de esquerda, é possível mesmo que haja a prática da censura? Com essa indagação em mente é que devemos avaliar o conteúdo de “Gagged in Brazil”.

 

 É por acreditar que a Current TV compartilha do compromisso com a democracia, a liberdade de imprensa e a coexistência de pluralidade de pontos de vista que estamos sugerindo a essa emissora que também veicule um vídeo produzido recentemente em resposta ao “Gagged in Brazil”.

 

É um sacrossanto princípio da imprensa entrevistar os acusados e dar direito a que eles se manifestem. No caso do “Gagged in Brazil”, o lado dos acusados teve direito a exatamente 9 palavras, conforme se pode contar. Além disso, impressiona o uso incorreto de gráficos e moedas, bem como a veiculação de trechos de testemunhos de  profissionais já publicamente desmentidos antes por eles próprios. O novo vídeo ao qual estou me referindo chama-se “Censura em Minas: Novo”. Por seu intermédio, o público da Current TV poderá ter uma visão mais abrangente da realidade em Minas Gerais e no Brasil, a fim de formar seu conceito sobre a existência ou não de censura. Tudo o que estamos sugerindo aqui é isonomia de tratamento, para que o público da Current TV não se deixe levar por um vídeo acusatório que faz eco às disputas políticas em curso no Brasil atualmente.

 

 

Reinaldo Oliveira Batista

Presidente da Juventude do PSDB-MG 

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