O blog do Milen está de parabéns. Em um texto de um convidado, Marcos Lacerda, redator chefe da Vogue nos anos 90, temos uma diferente percepção do que é Cuba, e de quem foi Fidel. Nada como ler um texto bem escrito, uma perspectiva invejável, de alguém com uma percepção muito acurada do mundo. Longe dos textos vulgares da Veja e dos lugares comuns do noticiário televisivo.

O texto começa assim:
Em meados dos anos 80, o dono da edição brasileira da revista Vogue, Luís Carta, estava de mudança para a Espanha onde assumiria o comando da Vogue daquele país e me convidou para ocupar o seu lugar no Brasil. Depois de alguns meses de negociação, aceitei a proposta de deixar o jornal O Estado de S. Paulo para tornar-me redator-chefe da revista, que ocupava um agradável sobrado na avenida Brasil, em São Paulo.
Como redator-chefe de uma publicação voltada para a moda, passei, pela primeira vez, a freqüentar um mundo de luxo desaforado, ao qual só teria acesso como penetra, pois o salário que ganhava era suficiente apenas para levar uma vida decente. Quando dei por mim, estava comprando coisas que não queria com dinheiro que não tinha, para exibir o que eu não era a uma gente da qual não gostava e, em muitos casos, mal conhecia. A sensação incômoda de fingir um status que não tinha era compensada pelas viagens para realizar edições especiais da Vogue em outros países. Foi a partir dessa época que comecei a conhecer o mundo.
Leiam o restante no blog do Milen. Imperdível.
March 2nd, 2008 at 8:47 pm
Finalmente, tenho algo a dizer… li o texto e concordo que é sempre bom poder ver outras perspectivas. Justamente por isso, fiquei me perguntando se há mesmo algo de diferente nessa perspectiva sobre Cuba do que se divulga na mídia mainstream. A mim, me parece que se mantém a idéia de que os problemas ocorridos em Cuba após a Revolução – a repressão aos dissidentes, a perseguição dos homossexuais, o cerceamento da liberdade de expressão – são, de forma determinante, inerentes ao regime. Sou contra o relativismo ético, então, não se trata de justificar as ações do governo cubano a partir da simples contextualização dos eventos. Também não vou afirmar que o próprio pensamento comunista – assumido muito depois da Revolução, diga-se de passagem – não traga, em si, as possibilidades para um totalitarismo. Mas, antes de tudo isso, fico pensando que onde Cuba falhou – resumindo, nas questões de diferença – é exatamente onde todos nós também falhamos, em maior ou menor grau, nas mais diferentes formas. Então, a impressão que tenho é de que não se tratam de problemas inerentes ao regime político, se tratam de problemas inerentes ao seres humanos em geral. Ou não?