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The Conservatives e os Democratas


Wednesday, December 12, 2007


Blair, Cameron, “Rodriguinho” Maia, e ACM Neto.

No regime parlamentarista, quem assume a chefia do Governo é normalmente o líder do partido com maiores assentos no parlamento. O chefe de governo, ou o Primeiro Ministro no Reino Unido no momento é Gordon Brown, que assumiu a cadeira com a saída de Tony Blair.

David Cameron assumiu a pouco tempo a liderança do partido Conservador no Reino Unido. Ele surgiu como uma mudança, e como uma renovação necessária do partido, após 10 anos de mandato dos Trabalhistas no poder, com Tony Blair, que há época em que foi eleito, significava a novidade e um novo discurso, diferente de Margaretch Tatcher, que havia realizado modificações profundas no Reino Unido. Após 10 anos como oposição, e com um líder “old school”, Michael Howard, o Partido Conservador já não mais conectava com o povo, abrindo margem para que mesmo após o imenso desgaste provocado pela incursão do Reino Unido na Guerra do Iraque,sob a batuta de Blair, os Trabalhistas conseguissem ser re-eleitos…

David Cameron tem um discurso genuinamente “libertador”, que cai muito bem no momento político do Reino Unido. Após 10 anos no poder, os Trabalhistas se desgastaram, perderam o discurso com as trivialidades da admnistração pública… Estão apenas tocando o barco… E a mudança recente, com a saída de Blair e a entrada de Gordon Brown, é um sinal desse enfraquecimento… Brown = John Major, que sucedeu Tatcher após todas as mudanças e desgastes da administração conservadora…

Cameron fala em um estado que liberta os indivíduos das amarras burocráticas do Estado. De um Estado que potencializa as liberdades e funciona apenas como “suporte” para que os indivíduos sejam tudo aquilo que eles queiram ser. De um Estado preocupado com o planeta, que cria mecanismos e políticas que permita que empresas e indivíduos se desenvolvam e mantenham o meio ambiente intacto.

Esse discurso cola muito bem no Reino Unido, afinal, essa é a 4a economia mundial, é uma sociedade de pleno emprego, com um Welfare State que funciona, com uma das moedas mais fortes do mundo, e também um “brain drainer”, atraindo talento e pensadores de diversas áreas de todas as partes do globo. Mas é também o país de onde saiu George Orwell e 1984, e onde os cidadãos temem a cada dia um maior controle e vigilância do Estado sobre suas vidas. E onde também os cidadãos saem e já saíram as ruas aos milhares protestando contra o aquecimento global e pelo meio-ambiente.

Cameron tem discursado para o Google, junto com Bill Clinton, Al Gore e todos os ouros trend-setters no mundo Ocidental desenvolvido. Enquanto isso, os Trabalhistas estão tão vazios de ideias e ideais, que muito provavelmente os Conservadores dominarão o parlamento em uma próxima eleição e David Cameron será primeiro ministro.

Agora vamos ao Brasil. O cenário político no Brasil não é polarizado entre dois grandes partidos, os Conservadores e os Trabalhistas, mas sim entre vários partidos… Dos extremos da direita a esquerda sairíamos do DEMOCRATAS chegando ao PSOL, passando por PSDB, PT, etc…

O cenário econômico do Brasil é muitissimo diferente do Reino Unido. O Brasil não é a 4a economia mundial, não é uma sociedade de pleno emprego e não tem uma das moedas mais fortes do mundo. Na verdade o Brasil é um país com uma extrema desigualdade social, com uma das piores distribuições de renda do mundo, que produz em uma ponta, condições de vida comparadas (se não melhores) que ao dos países escandinavos, e no outro extremo, situações de pobreza comparadas aos dos países mais miseráveis do planeta.

O Brasil, infelizmente, não é um país onde as pessoas estão preocupadas com liberdades individuais. Nem com o meio ambiente. Todo mundo no Brasil é obrigado a andar com uma carteira de identidade. No Reino Unido não. O Brasil é um país onde a maioria das pessoas estão preocupadas em arrumar emprego e em conseguir se alimentar e pagar o aluguel. Os grandes dilemas da população do Brasil não são se o planeta está esquentando ou se eles estão aptos a se desenvolver como indivíduos e alcancarem seu potencial. Para isso, eles precisariam antes de: emprego, casa, comida e educação.

Resumindo bem… As realidades sociais, econômicas e fundamentalmente culturais entre Brasil e Reino Unido são enormes. São um abismo.

No entanto, mesmo tendo em vista esse enorme abismo entre os dois países, o partido brasileiro que mais se posiciona a direita, os DEMOCRATAS, começa a simplesmente MIMETIZAR o discurso dos conservadores no Reino Unido. Não só ao ter como líder um jovem, que começa a discursar sobre meio ambiente e liberdades individuais, mas, acreditem, até na logomarca… Ambos partidos agora utilizam uma arvorezinha…

conservative-logo.png dem-logo.png
Quanta coincidência

O termo em inglês para isso, é “aping“, e a origem do termo refere-se ao comportamento dos macacos, que “imitam” os gestos e hábitos dos humanos depois de algum tempo, quando os observa.

Os DEMOCRATAS acham que modernização do discurso, é simplesmente COPIAR um discurso, tá, é um discurso moderno sim, mas está pronto, e é moderno em uma realidade totalmente diferente da que os DEMOCRATAS se inserem.

A estratégia do DEMOCRATAS, é a famosa “pega-troxa“. Acredite quem quizer… E, infelizmente, muita gente cai… Mas antes de mais nada, a estratégia do DEMOCRATAS, em mimetizar os Conservadores britânicos demonstra muito mais do que uma simples estratégia barata.

Demostra uma inaptidão a desenvolver um discurso. Demostra uma falta de capacidade de analizar os problemas, situações, o cenário local e desenvolver pensamento próprio, e uma metodologia e ideais originais para resolver problemas locais, tendo como ponto de referência a cultura, economia e cenário sócio-político local.

Demonstra que os DEMOCRATAS, não são aptos para o poder. Nunca foram. E que continuarão a exercer pressão política e influência não pelas idéias, pois pensar nunca foi o seu forte, mas pela pressão econômica e política herdada dos antepassados coronelistas de cada um daqueles que faz parte desse partido…

NE: Não, eu nunca gostei do PFL, nem dos Maia, nem do ACM e nem de nenhum parente dele. E uma coisa que eu não gosto mesmo, é de picaretas…

NE2: O texto carece de revisão.

4 Responses to “The Conservatives e os Democratas”


  1. O original e a cópia « Amplifique Says:

    [...] O original e a cópia Reproduzi abaixo matéria da Folha desta quarta-feira sobre a “clonagem” da logomarca do Partido Conservador Inglês pelo DEM (ex-PFL). Daí o Daniel Florencio, film maker baseado no Reino Unido, me mandou um link para o post que escreveu sobre a “clonagem” do DEM, no qual faz um paralelo entre os conservadores ingleses e os pefelistas. Leia aqui. [...]

  2. H_Milen Says:

    A ex-Arena, atual Democratas, me faz até gostar do PSDB. Mas como nada é muito fácil de entender, um dos políticos que mais admiro atualmente é do DEM: Cláudio Lembo. É complexo…

  3. Marcelo Says:

    Fiquei impressionado com a lucidez, a desenvoltura e a riqueza de dados da sua análise da situação dos conservadores na conjuntura política britânica. Meus parabéns.

  4. Rodrigo Says:

    Comentarios aleatorios:

    1. Concordo com este paragrafo – “Demostra uma falta de capacidade de analizar os problemas, situações, o cenário local …”
    ***
    2. Morando fora do Brasil, às vezes eu penso comigo mesmo que, se o Brasil fosse um pais europeu, o partido de esquerda seria o PSDB e o partido de direita ainda estaria por se criar…
    ps1: atiradores de pedra, não digo isso para defender o PSDB ou atacar os outros, apenas para situar os partidos brasileiros no espectro politico europeu.
    ps2: o PFL nao existiria ou seria um inexpressivo centro. O PT seria um desses partidos da esquerda radical que ganha uns 10, 11% dos votos…
    ***
    3. Falando em liberdades individuais, dê uma sacada no excelente artigo do (sempre na mosca) J.P.Coutinho :
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/joaopereiracoutinho/ult2707u348494.shtml

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