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Archive for November, 2007


The Secret Show ganha 2 Baftas!!


Wednesday, November 28, 2007

Nesse domingo o desenho animado que editei, The Secret Show ( O Show Secreto no Brasil ) faturou 2 BAFTAs, o prêmio da Academia Britânica de Filme e Televisão. Os prêmios foram de Melhor Série de Animação e Melhor Website. Entendendo a tradição que o Reino Unido tem em desenhos animados, nada mal ganhar um Bafta de Melhor Animação, melhor ainda quando desbanca o filho mais novo da Aardman, “Shaun the Sheep” que concorria na mesma categoria…

Ai ai… Como a vida é boa….

Agulha Hipodérmica


Wednesday, November 21, 2007

No curso de Comunicação a gente era levado a acreditar que a teoria da Agulha Hipodérmica era uma visão antiquada da relação entre meios-de-comunicação e a massa. Que existe uma limitação da influência do meio no receptor… Sorte a nossa é que é verdade… Mas, surpreendentemente, é facílimo ver exemplos com o do “Leitãozinho Maniqueísta” do Milen

E a Veja leva uns sarrafos…


Tuesday, November 20, 2007

A seríssima revista Veja, vem levando uns sarrafos recentemente de um jornalista da New Yorker, John Lee Anderson, que questionou os métodos de Diogo Shelp, editor de internacional da revista. Anderson, biografo de Che Guevevara foi procurado por Shelp para uma entrevista para matéria da Veja. Anderson, que não foi entrevistado, leu a matéria e não gostou, e encaminhou a seguinte carta aberta a Diogo:

“Caro Diogo,

Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu email. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hiper editorializada, ou uma hagiografia ou – como é o seu caso – uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei por pele e osso na figura super-mitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é.

Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista.

No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.
Cordialmente,

Jon Lee Anderson”

Eis que Shelp respondeu para Anderson:

“Caro Anderson,

Eu fiquei me perguntando, depois de lhe enviar um e-mail pedindo (educadamente) uma entrevista, por que nunca recebi uma resposta sua. Agora sei que a mensagem deve ter-se perdido devido a algum programa antispam ou por qualquer outra questão tecnológica. Também não recebi sua “carta” – talvez pelo mesmo problema. Tudo isso não tem a menor importância agora porque você resolveu o assunto valendo-se dos meios mais baixos – um e-mail circular. O que lhe fez pensar que tinha o direito de tornar pública nossa correspondência, incluindo a mensagem em que eu (educadamente) pedia uma entrevista? Isso, caro Anderson, é antiético. Vindo de alguém que se diz um jornalista, é surpreendente. Você pode não gostar da reportagem que escrevi; ela pode ser boa ou ruim, bem-escrita ou não, editorializada ou não – mas não foi feita com os métodos antiéticos que você usa. Eu respeito a relação entre jornalistas e fontes. Você não. E mais: parece-me agora que você é daquele tipo de jornalista que tem medo de fazer uma ligação telefônica (assim são os maus jornalistas), já que tem meu cartão de visita e conhece meu número de telefone. Se você tinha algo a dizer sobre a reportagem — e já que sua mensagem não estava chegando a seu destino — poderia ter me ligado.Eu não sei que tipo de imagem de si mesmo você quer criar (ou proteger) negando os fatos que o seu próprio livro mostra, mas está claro agora que é a de alguém sem ética. Você pode ficar certo de que não aparecerá mais nas páginas desta revista.

Sem mais,
Diogo Schelp”

E Anderson, em sua tréplica…

“Prezado Diogo Schelp:

Agradeço pela sua ‘gentil’ resposta. (Soube que você é de fato uma pessoa muito ‘gentileza’; você mesmo o disse duas vezes em suas mensagens.) Só agora percebo, o mal-entendido entre nós nasceu exclusivamente por conta de meu caráter profundamente falho.

Eu jamais deveria ter presumido que você recebera meu email inicial em resposta ao seu ou minha segunda mensagem a respeito de sua reportagem, muito menos deveria ter considerado que você pudesse ter decidido ignorá-los. É evidente que você tem um sistema de bloqueio de spams muito rigoroso.

Uma dica técnica: talvez devesse configurar seus sistema como ‘moderado’ e não ‘extremo’. Se o fizer, talvez comece a receber seus emails sem quaisquer problemas. Lembre-se, Diogo: moderado, não ‘extremo’. Esta é a chave. Você me acusa de ser antiético, um ‘mau jornalista’. Questiona até se posso ser chamado de jornalista. Nossa, você TEM raiva, não tem?

Enquanto tento parar as gargalhadas, me permita dizer que, vindo de você, é elogio. Permita, também, recapitular por um momento a metodologia utilizada por você para distorcer as informações que o público de Veja recebeu: Você publicou na capa e na reportagem uma grande quantidade de fotografias de Che, aproveitando-se assim da popularidade da imagem de Guevara para vender mais cópias de sua revista.

Para preencher seu texto, você pinçou uma certa quantidade de referências previamente escritas sobre ele – incluindo a minha – para sustentar sua tese particular, qual seja, a de que o heroismo de Che não passa de uma construção marxista, como sugere seu título: ‘Che, a farsa do herói’. Para chegar a uma conclusão assim arrasa-quarteirão, você também entrevistou, pelas minhas contas, sete pessoas. Uma delas era um antigo oponente de Che dos tempos da Bolívia.

As outras seis, exilados cubanos anti-castristas, incluindo ex-prisioneiros políticos e veteranos de várias campanhas paramilitares para derrubar Fidel. (Um destes, o professor Jaime Suchlicki, você não informou a seus leitores, é pago pelo governo dos EUA para dirigir o assim chamado Projeto de Transição Cubana.) Percebi também que você prestou particular atenção no testemunho de Felix Rodriguez, ex-agente da CIA responsável pela operação que culminou na execução de Che.

O fato de que você o destaca quer dizer que você o considera sua melhor testemunha? Ou terá sido porque ele foi o único que algum repórter realmente entrevistou pessoalmente? Os outros, parece, Veja só falou com eles por telefone. Mas como são rigorosos os critérios de reportagem de Veja! Como disse em minha ‘carta aberta’ a você, escrever uma reportagem deste tipo usando este tipo de fonte é o equivalente a escrever um perfil de George W. Bush citando Mahmoud Ahmadinejad e Hugo Chávez.

Em outras palavras, não é algo que deva ser levado a sério. É um exercício curioso, dá para fazer piada, mas NÃO é jornalismo. Dizer a seus leitores, como você diz na abertura da reportagem, que ‘Veja conversou com historiadores, biógrafos, ex-companheiros de Che no governo cubano’ passa a impressão de que você de fato fez o dever de casa, que estava oferecendo aos leitores um trabalho jornalístico bem apurado, que apresentaria algo novo.

Infelizmente, a maior parte do que você escreveu é mera propaganda, um requentado de coisas que vêm sendo ditas e reditas, sem muitas provas, pela turma de oposição a Fidel em Miami nos últimos quarenta e tantos anos. Minha questão não é política. Escrevi um livro, como você mesmo disse, que é ‘a mais completa biografia’ de Che.

Há muito lá que pode ser utilizado para criticar Che, mas também há muitos aspectos a respeito de sua vida e personalidade que muitos consideram admiráveis. Em outras palavras, é um retrato por inteiro. Como sempre disse, escrevi a biografia para servir de antídoto aos inúmeros exercícios de propaganda que soterraram o verdadeiro Che numa pilha de hagiografias e demonizaçoes, caso de seu texto. Não cometa o erro de me acusar de defender Che porque critico você. Serei claro: a questão aqui não é Che, é a qualidade do seu jornalismo.

Sua reportagem, no fim das contas, é simplesmente ruim e me choca vê-la nas páginas de uma revista louvável como Veja. Seus leitores merecem mais do que isso e, se aparecerei ou não novamente nas páginas da revista enquanto você estiver por aí, não me preocupa. O que PREOCUPA é que, com tantos jornalistas brilhantes como há no Brasil, foi a você que Veja escolheu para ser ‘editor de internacional’.

Cordialmente,

Jon Lee Anderson.”

Shelp ameaça Anderson de não mais aparecer nas páginas da revista Veja. Que mudança de atitude… Pois em 2005, Anderson palestrava sobre jornalismo durante conflitos e sobre o período em que foi correspondente na América Latina para alunos do Curso Abril de Jornalismo. Vá entender…

Retirado do Vi o Mundo e do Blog do Nassif.

Sem mais…


Monday, November 19, 2007

Tirado do: http://www.picturesofwalls.com

Product Placement


Monday, November 19, 2007


Megan Fox, em Transformers*

Meu post de hoje no portal Scenta.co.uk é sobre “product placement”, que, basicamente, é a inserção de produtos e marcas em filmes e produtos audiovisuais. Parece ser a nova “modinha” em Hollywood… E alguns filmes vem abusando disso, vide Transformers, que, apesar de bom, tem tanto “product placement”, que mais parece um comercial com 2 horas e meia de duração…

* Megan Fox não é um produto, nem muito menos um robô, porém, é um bom motivo pra se assistir Transformers.

Euro!


Friday, November 16, 2007

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O que Gisele Bundchen e Jay Z tem em comum além de serem ricos pra cacete? Ambos estão deixando o dólar, a moeda norte-americana, pra lá, já que ela não para de se desvalorizar… Segundo a Bloomberg, Gisele e Jay Z vem seguindo os passos dos bilionários Warren Buffet e Bill Gross, e só fecham contratos em qualquer moeda que seja, incluindo Reais, mas dólar não…

Pra piorar a situação do dólar, ele deixou até de ser usado em clipes de Rap. Ao invés das tradicionais maletas de dólar, Jay Z no clipe de sua nova música Blue Magic, ostenta uma maleta com notas de 500 Euros…

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E junto com eles, vem Ahmadinejad, presidente do Irã, e Chavez, presidente da Venezuela, que não descartam a idéia de começar a negociar seu petróleo em Euros, pra desvalorizar mais ainda a moeda norte-americana.

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Aula na London City University


Tuesday, November 13, 2007

Acabo de voltar de duas aulas que dei na London City University, pras turmas do último ano de International Media Business. O tema das aulas foi mídia e liberdade de imprensa no Brasil. Basicamente dei um histórico de como o mercado de mídia é estruturado no Brasil, como o financiamento dos canais de TV e da Imprensa é baseado massiçamente em publicidade, e terminei com a exibição do documentário “Gagged in Brazil”, que produzi para a Current TV.

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Cenas do documentário
 
O documentário está prestes a ir ao ar, e os alunos tiveram a chance de assisti-lo em primeira mão. A aula foi bacana, alunos de diversos países, e no módulo já estudaram com a mídia é estruturada na Rússia, Oriente Médio, EUA, Europa, e etc…O interessante, é notar como as semelhanças das circunstâncias em que a mídia “opera” no Brasil, é bastante similar a como ela opera em outros países também…

London Burning


Monday, November 12, 2007
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View from my window this morning. According to the BBC website, the fire comes from the Olympic Games site in Stratford: http://news.bbc.co.uk/1/hi/england/london/7090725.stm

¿Por qué no te callas?


Sunday, November 11, 2007

Na cúpula Íbero-Americana, em um discurso, Chavez chamou o ex-presidente espanhol, José Maria Aznar de facista. Aznar foi aliado dos EUA na guerra do Iraque, e apoiou ao golpe mal-sucedido que tirou Chavez do poder por alguns dias em 2002.

Zapatero, o atual chefe do executivo espanhol pedia a chavez para que reconsiderasse seu tom, ao se referir a um ex-líder espanhol, eleito democraticamente pelo povo da Espanha. Enquanto chavez tentava argumentar com Zapatero, o rei da Espanha, Juan Carlos mandou Hugo Chavez calar a boca. Assista ao vídeo:

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Mais adiante, como mostra o vídeo, quando o presidente da Nicaragua criticava o governo Espanhol por sua associação as interesses norte-americanos na Nicaragua, o rei Juan Carlos se levantou e deixou o plenário…

Juan Carlos

A lei de sucessão, criada pelo ditador Francisco Franco, indicava Juan Carlos como chefe de Estado da Espanha após a morte de Franco. Assim, Franco morreu, e Juan Carlos tornou-se Rei da Espanha.

Apesar da indicação ao trono por Franco, o título de Juan Carlos como Rei e Chefe de Estado ganhou apoio e popularidade após ele realizar a transição democrática do país com sucesso.

America, fuck yeah!


Friday, November 9, 2007

“What are you gonna do when we come for you?”

O Show Secreto


Wednesday, November 7, 2007

O Show Secreto (ou The Secret Show) agora passa todos os dias as 3:45 da tarde na BBC 1. Quando você passa em uma loja de eletrônicos por volta dessa hora em Londres, é essa a cena que você vai ver…

Muito legal né…

No Brasil você assiste O Show Secreto todos os dias às 5:30 da tarde no canal a cabo Jetix.

Post do dia


Tuesday, November 6, 2007

Sem muito o que pensar hoje… Então, vou apenas jogar informações coletadas por aí….

1) Assim que você entra no escritóri da Current TV aqui em Londres, você dá de cara com uma placa com os seguintes dizeres: “Don’t hate the media. Be the media!”

2) Menos e menos grana vem sendo gasta com videoclipes. Além das MTVs mundo afora os exibirem cada vez menos, mais e mais eles são vistos online, em telefones celulares ou em Ipods…

3) O Tom Ford está lançando um perfume masculino. E para atingir o seu público alvo, ele foi direto ao assunto…

H. Milen


Monday, November 5, 2007

Henrique Milen, o cronista das multidões finalmente criou um blog. Já não era sem tempo.

1) Copa 2014. Pulando essa insuportável conversinha de engenheiro e cronista esportivo e indo direto ao que interessa: hordas norueguesas e suecas circulando pelas ruas da cidade, de preferência de mini-saia. Uma Thurman tomando um capuccino na Travessa. Penélope Cruz me pedindo informações na Praça Sete. E o mais importante: Maria Sharapova e Steffi Graf fazendo um top-less na Lagoa da Pampulha, suposto que ZN também é fideDeus e merece ver arte nas ruas. Ou seja, qualquer coisa que não seja um baby-boom mestiço nove meses após a Copa pode ser considerada um fracasso da organização do evento.

Sempre preciso como um neurocirurgião…

Piada


Sunday, November 4, 2007

Lí hoje no site do Azenha, comentando comentário do Luiz Nassif:

Escreveu o Luís Nassif:

“Mando uma carta para a seção de Cartas do Leitor de “O Globo”, respondendo a um ataque do Ali Kamel. “O Globo” publica a carta e, junto com ela, a resposta do Kamel, com outros ataques, me chamando várias vezes de mentiroso. Ou seja, não só o direito de responder, na minha resposta, mas de ofender. Se eu mandar outra carta, pedindo direito a tréplica, certamente sairá com outra resposta do Kamel me xingando novamente. Quando escreve sem direito a réplica ou tréplica, quando fala sozinho, o Kamel é imbatível. Isso não se discute, por definição. No final, sua declaração esparramada de amor: “É por isso que me orgulho de “O Globo””. Nem vou discutir o amor entranhado que Kamel tem pelo jornal que lhe garante salário e projeção. É amor desinteressado, não tenho dúvida. Mas é um cara-de-pau, convenhamos: ter orgulho de um jornal que permite que uma carta que responde a ofensas seja publicada, mas como álibi para novas ofensas ao missivista. Pergunto aos colegas que, dentro de “O Globo”, lutam para preservar o jornalismo: o que fizeram foi bom jornalismo? Repito: o Kamel está conseguindo destruir, dia a dia, o enorme esforço do Evandro Carlos de Andrade, para reconstruir a imagem da Globo. E por picuinha.”

Meu comentário:

Não é por picuinha, caro Nassif. É por cegueira ideológica. É bom saber que tem gente de fora das Organizações Globo que enxerga um processo que vem lá de longe, que quem trabalha ou trabalhou na Globo já denunciava e continua denunciando nos corredores há mais de um ano. Os métodos adotados pelo Jornalismo da empresa, ou pelo menos pela facção que está no poder, estão minando lentamente a credibilidade do grupo. Até a seção de cartas passou a ser manipulada. E o necrológio, no caso de Antonio Carlos Magalhães e Augusto Pinochet. A Globo é tão autocentrada que, se os estúdios do Jornal Nacional forem demolidos por causa da falência da empresa, os “colaboradores” vão continuar dirigindo até lá, estacionando os automóveis e seguindo para uma redação fantasma. Os herdeiros de Roberto Marinho conduzem a Globo pelo mesmo caminho da Telemontecarlo, por terceirizar para um grupo de aloprados a avaliação da conjuntura social, política e econômica; e por submeter toda a produção jornalística da empresa a um grupo que inclui ideólogos, burocratas, incompetentes e puxa-sacos. Parece o Kremlin nos tempos do Brezhnev.

Não conheco a Globo por dentro, nunca trabalhei lá, e provavelmente nunca irei, porém, acho notável o fato de os Marinho manterem como chefes de jornalismo algumas figuras que são motivo de piadas em qualquer outro ambiente, quenão as redações da própria TV Globo.

Se existe cegueira ideológica por parte dos “ideólogos, burocratas, incompetentes e puxa-sacos” lá dentro, cegueira maior ainda é dos Marinho, que deixam o império construído pelo Pai fique na mão dessas figuras… Mas é compreensível. Os Marinho, que cresceram tendo um pai que reinava absoluto no país, imaginavam que herdariam e manteriam a influência política, a credibilidade e o alcance da Globo. Quando é que eles iriam imaginar esse gráfico abaixo?

Clique na imagem para entender o que é a “Teoria da Calda-longa”.

Acontece que os grandes grupos de mídia/poder preferem acreditar que essa coisa de internet, cauda longa, participação e, essencialmente, democratização, é apenas uma onda-passageira, que eles podem apenas fingir que não existe e/ou fingir que pegam… Não é fácil pra uma mega-estrutura, do tamanho de um monstro como a Globo, ter que abrir mão da sua influência, espaço, audiência, etc, para algumas teorias “malucas” que dizem que a produção e distribuição de conteúdo vai se fragmentar e distribuir e que eles vão perder importância… Estruturas desse tamanho não são passíveis de mudanças radicais. Especialmente estruturas acostumadas com o poder que um modus-operandi, hoje já antiquado, lhes proporcionou no passado recente.

Ali-Kamel, Shcroeder e os seus patrões, os Marinho, são filhos desse modelo. Aprenderam nessa escola. E como o ditado inlgês já diz, “You can’t teach an old dog, new tricks

Eles se abraçam ao passado, ao seu modelo hoje defasado, e ao poder que antes mantinham, usando como sustentação gráficos de popularidade e pesquisas de opinião que comprovam a sua teoria infundada de que são isentos e que tem credibilidade perante o público. E enquanto isso, o mundo gira ao redor da Globo. E gira em uma velocidade inimaginável, criando uma revolução na maneira de se produzir e de se consumir mídia, conteúdo e jornalismo. E é uma revolução que vem se utilizando da mesma malha que há décadas atrás propiciaram o surgimento da própria TV Globo: O interesse de grupos econômicos.

Mas a Globo não é a única… Pelo Brasil e mundo afora, grandes grupos de comunicação enfrentam os mesmos dilemas… A própria BBC a cada dia perde audiência, importância e tem que enxugar sua estrutura.

Foi ciente dessa realidade, que Tom Curley, o CEO da Associate Press discursou recentemente, clamando para que as organizações noticiosas percebam o futuro e não tentem lutar contra ele. Veja alguns trechos tirados da matéria no Washington Post:

Em alguns pontos do seu discurso, Curley diz que “as organizações de mídia devem parar de pensar como gatekeepers de informação e tentar alcançar as pessoas que estão acostumadas a receber notícias online em tempo real e que customizam as maneiram que eles vêem e lêem essas notícias”.

(…)

Curley também disse que as organizações notíciosas também são culpadas pelos problemas que vem enfrentando ao tentar se adaptar as novas realidades no negócio de notícias sendo moldadas pela explosão do uso de internet. “A primeira coisa que tem-se que largar é a atitude“, disse Curley. “Nossa arrogância institucional fez mais para nos prejudicar do que qualquer portal na Internet“.

(…)

Curley convocou empresas de mídia tradicionais a cooperarem mais com portais online, e disse que ainda há lugar para o ‘jornalismo tradicional’ com jornais impressos e noticiários televisivos, porém, disse ele “é um espaço menor“.

Pra completar o infortúnio dos meios de comunicação tradicionais, cruzei hoje no Eu Ví o Mundo com o seguinte dado:

Em 2006, nos Estados Unidos, a Nike gastou 453 milhões de dólares em eventos, competições, buscadores de internet, propaganda em lojas e merchandising de seus produtos em filmes, séries de TV, videogames e videoclips, contra 221 milhões de dólares na mídia tradicional – jornais, revistas, emissoras de rádio e TV e banners na internet.

Citado pelo jornal New York Times, o vice-presidente global de marcas da Nike foi direto ao assunto: “O objetivo de nossos negócios não é manter vivas as empresas de mídia”.

Alguem, por favor, avisa os Marinho, os Civita, o Shroeder e o Kamel…

A TV Brasil


Thursday, November 1, 2007

Então a TV Brasil parece que começou efetivamente a funcionar.

Em participação no Roda Viva, assim que se tornou Ministro da Comunicação Social, Franklin Martins foi sabatinado por alguns excelentes jornalistas, e outros nem tanto. Engraçado, notar, que esses “nem tão excelentes” são as cabeças de alguns dos principais veículos de mídia do país…

Mas voltando a vaca fria… Se voce quizer assistir a primeira parte da sabatina de Franklin Martins, o vídeo está aqui:

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O que será essa nova TV Pública? Será uma espécie de BBC, com a balha na gulha de contar com a mega-estrutura de produção que a Radiobras tem e com as cabeças pensantes de alguns dos melhores “profissionais” que a televisão no país já se teve notícia.

O fato de esses profissionais estarem participando da criação da TV Brasil, e não estarem trabalhando na Globo, SBT, Record ou onde quer que seja é um sinal importante da qualidade de nossa televisão.

Terá uma estrutra totalmente independente da do Governo, e funcionará como uma corporação, assim como a BBC o é, tendo um controlador, diretores e um conselho. Esse conselho será composto por membros da sociedade, e alguns poucos membros do governo como representantes do Ministério da Saúde, Cultura, Comunicação Social e Planejamento.

A idéia, é produzir conteúdo de excelência, sem compromisso com a audiência, e representando as diferenças culturais/regionais do país, e desvincilhado de interesses particulares e/ou de grupos econômicos, difereciando-se assim, essencialmente, do modus-operandi das TV’s comercials, que fazem o oposto do que a proposta da TV Brasil é.

Mas ora… Globo, Record, SBT e as outras TV’s vão perder audiência. É! Claro que vão… E isso é bom… Bom, primeiro porque já passou da hora de a Globo perder o seu poder/audiência, e isso já vem acontecendo sem a TV Brasl, num fenômeno que não ocorre só no Brasil, mas até mesmo no Reino Unido, onde apesar de a mídia ser mais fragmentada, a BBC ainda domina, mas mesmo assim também vem perdendo audiência e vem reduzindo de tamanho…

Mas como não poderia deixar de ser, quem hoje controla as TV’s no Brasil não quer largar o osso. E, sem nenhuma atenção da imprensa (que, obviamente, compartilha os mesmos interesses das TV’s, pois em muitos casos, são dos mesmso grupos que as TV’s) a oposição ao governo Lula, mais especificamente PSDB e PFL (agora, Democratas) vem agindo no escuro, para tentar desastibilizar as criação da TV Brasil. Ora, os motivos são claros. Não somente os vínculos entre os grupos de comunicação e esses partidos são fortissimos, mas eles também são que mais se benificiam dessa mídia monopolista. Pelo país afora, afiliadas da Rede Globo são de propriedade de políticos ou do PSDB ou do PFL. Veja trecho de artigo sobre o assunto:

Querem que o governo, ‘para mostrar que está mesmo disposto a cortar seus gastos correntes’, arquive a idéia ou, pelo menos, adie a implementação da Empresa Brasil de Comunicação”, afirma a primeira. Já a segunda registra que “o DEM, ex-PFL, deve questionar na Justiça a medida provisória que criou a TV Pública. O partido afirma que ingressará no Supremo Tribunal Federal com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade), argumentando que não há ‘urgência e relevância’ que justifique a edição da MP”.

Além da oposição de direita, as poderosas redes privadas de televisão também estão preocupadas com a TV Brasil. Segundo notícia publicada na coluna Outro Canal, do jornal Folha de S.Paulo, elas estão agindo nos bastidores para sabotar a iniciativa. “Globo, Record e SBT decidiram pedir aos parlamentares que apresentem emendas definindo o que é publicidade institucional e apoio cultural. A idéia é limitar o financiamento da TV pública com publicidade… ‘A radiodifusão não é contra a TV pública. Nossa preocupação é com a captação de publicidade. Ou as emissoras são comerciais ou sobrevivem apenas de recursos oficiais’, diz Daniel Pimentel, presidente da Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão)”.

Interessante notar, que ao contrário dos grupos de poder que se opõe a TV, aqueles que se beneficiarão compõe um montante bem mais volumoso. Produtoras independentes, que no Brasil estão fadadas a sobreviver trabalhando com publicidade, pois as Redes de TV’s também produzem a imensa maioria dos seus programas. Músicos independentes, que tem que brigar por espaço contra as Majors, que enfiam guela-abaixo seus artistas ao custo dos Jabás pago as rádios. ONGS e associações da sociedade civil, que não veem possibilidade de ter seu trabalho/pesquisa/luta sendo discutidos/divulgados. E no final de tudo, o telespectador, que terá uma televisão plural, comprometida com os interesses coletivos do país.

O orçamento inicial da TV será de 20 milhões de reais. Pode-se dizer que esse recurso será obrigatoriamente destinado a produção, pois toda a infra-estrutura técnica e de transmissão será absorvida da já existente Radiobrás e outras TV’s Educativas.

Porém tem uma coisa… 20 milhões de reais pra se produzir conteúdo para uma Rede de TV de alcance nacional não é lá muita coisa. Tereza Cruvinel, Franklin Martins e Orlando Sena terão que rebolar pra levarem o projeto em frente.

Um bom modelo, que se bem direcionado e adminsitrado, poderia suprir boa parte da demanda por conteúdo da TV a baixos custos de produção e com o aumento de interesse pelo produto veiculado (pois o espectador se veria ali), é o modelo adotado pela Current TV: Conteúdo gerado pelo usuário. Outro ponto importante seria uma presença firme e sólida na Internet. Se precisarem, TV Brasil, estou a disposição… ; )