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Escravistas no Senado?


Friday, September 28, 2007

Retirado do No Caso, Senhor, publicado pelo Cauê:

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) atacou a Organização não-Governamental (ONG) Repórter Brasil durante um discurso na tribuna do Senado. O ataque foi feito quando se debatia uma visita realizada pela senadora e outros parlamentares à fazenda Pagrisa, da qual mais de mil trabalhadores foram libertados de condições semelhantes à escravidão, no mês de julho. Kátia Abreu teria chamado Leonardo Sakamoto, um dos diretores da ONG, de “irresponsável que mama nas tetas do governo” além de ameaçá-lo dizendo que iria processá-lo por calúnia e difamação.

A ameaça foi feita depois que uma matéria publicada no site Repórter Brasil comenta a visita realizada pelos senadores Romeu Tuma (DEM-SP), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Kátia Abreu (DEM-TO), Cícero Lucena (PSDB-PB) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) à fazenda, localizada em Ulianópolis (PA) e palco da maior libertação de trabalhadores da história do país. Segundo Sakamoto, o grupo de parlamentares tentou desqualificar a atuação do grupo móvel de fiscalização, formado por auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), procuradores do Ministério Público do Trabalho e delegados e agentes da Polícia Federal. O repórter lembra na matéria que a senadora Kátia Abreu já se posicionou anteriormente contra medidas pela erradicação do trabalho escravo no Brasil.

A ONG Repórter Brasil realiza um importante papel no combate ao trabalho escravo no país. Trata-se de uma agência de noticias que se dedica a divulgar as fazendas que empregam este tipo de trabalho, assim como companhias que compram o que é produzido nestas fazendas. A ONG também acompanha os esforços do Governo e outras entidades que se dedicam a denunciar e a fiscalizar lugares em que o trabalho análogo escravo.

No site, ainda é possível ver a Lista Suja de fazendas que empregam este tipo de trabalho no Brasil.

Para ler a resposta de Leonardo Sakamoto à senadora, clique aqui (recomendado).
Para ler o discurso de apoio ao repórter e à ONG Repórter Brasil feito pelo senador José Nery (PSOL-PA), clique aqui.

E no ConversAfiada hoje, achei essa entrevista do Ministro do Trabalho a Paulo Henrique Amorim sobre o tema:

Em entrevista exclusiva a Paulo Henrique Amorim nesta quinta-feira, dia 27, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse que, apesar da intimidação dos senadores, o Grupo de Fiscalização Móvel do ministério continuará a autuar nas fazendas onde há trabalhadores em situação análoga à de escravos (clique aqui para ouvir o áudio). “Os fiscais fizeram a sua tarefa”, afirmou Lupi.

Em junho, o Grupo de Fiscalização autuou uma fazenda em Ulianópolis (Pará) e libertou 1.064 trabalhadores mantidos em condições análogas à escravidão. Na quarta-feira, dia 26, um grupo de senadores visitou essa fazenda e criticou os fiscais, já que não encontraram nenhuma ilegalidade no local.

Lupi disse que os senadores não viram nada de errado porque visitaram a fazenda quatro meses depois dos fiscais. “É claro que depois de quatro meses (…) os trabalhadores não estão mais lá, porque eles foram libertados e não é permitido voltar”, explicou Lupi.

“Está tudo filmado, fotografado, os fiscais geraram 18 volumes com mais de 500 páginas cada volume, com todos os depoimentos”, disse Lupi sobre a autuação da fazenda pelos fiscais.

A comissão que visitou a fazenda é formada pelos seguintes senadores:

Kátia Abreu (DEM-TO)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Romeu Tuma (DEM- SP)
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)
Cícero Lucena (PSDB-PB)

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