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Gesto do governo foi para a Globo
Ontem a turma do deixa-disso saiu a campo. E o assessor especial do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, soltou nota desculpando-se pelo gesto considerado obsceno que foi flagrado fazendo em seu gabinete - bater por três vezes a palma da mão direita, aberta, sobre a mão esquerda fechada - por um cinegrafista da TV Globo. A Comissão de Ética do governo também anunciou que vai analisar o caso.
Ponto. Ficamos por aí. Quando muito, a comissão pode soltar uma advertência pública. Mas, intramuros, Marco Aurélio Garcia está sendo festejado por seus colegas de governo. Com o gesto, expressou apenas uma raiva que todos os governistas, especialmente a turma do PT, está sentindo em relação à imprensa, e principalmente em relação às Organizações Globo, à revista Veja e ao jornal O Estado de S.Paulo, que se comportam como estando em campanha aberta contra o presidente Lula.
Ninguém vai dar nome aos bois explicitamente. Mas a própria nota de Marco Aurélio deixa pistas, quando ele explica o seu gesto como “de indignação”, argumentando que “importantes setores dos meios de comunicação não hesitaram, poucas horas depois do acidente, em lançar sobre o governo a responsabilidade da tragédia de São Paulo”.
Essa também foi a interpretação do pessoal da Globo, quando decidiu colocar no ar o gesto de Marco Aurélio Garcia: já que ele pretendia agredir a emissora, vai ter que ouvir a voz da oposição pedindo a sua cabeça. Será mais um na corda bamba sustentado por Lula.
Um cabo-de-guerra que tanto o presidente Lula como a cúpula do PT estão dispostos a enfrentar. No fundo, Lula e o PT acham que a briga com as Organizações Globo coloca o governo numa posição de vítima que, eleitoralmente, pode acabar trazendo dividendos em 2008 e 2010. O gesto de Marco Aurélio Garcia foi o marco de uma guerra que já estava declarada.
