Ontem, na abertura megalomaníaca dos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, o presidente da República foi vaiado sempre que seu nome era mencionado, ou sua imagem aparecia no telão.
Eu, que assistia a transmissão ao vivo, confesso que toda vez que isso ocorria, me sentia constrangido. Mais constrangido ainda, quando, ao se posicionar a frente ao microfone para declarar os jogos abertos, ele foi cortado pelo cerimonial, para evitar mais vaias, e os jogos acabaram sendo oficialmente inaugurados pelos presidente do COB.
O constrangimento hoje se mistura com receio de que boa parte da população que veja essas cenas, possam a interpretar como um ato de protesto ou revolta. Estranho é ver tal reação quando os índices de popularidade do presidente e de aprovação do governo estão altos.
Poderia tentar relacionar as vaias a parcela da população que tem poder aquisitivo alto, que estão no topo da escala social, que puderam pagar os caríssimos ingressos ( variavam de R$100 a R$250) da abertura do Pan. Mas as últimas eleições provaram que, mesmo tendo popularidade mais alta nas camadas mais pobres da população, ele obteve bastante votos nas camadas mais ricas também…
Do alto de toda a experiência dos meus poucos anos de vida só consigo enxergar um motivo para as vaias: pura e simples falta de educação e respeito. E para piorar, falta de educação e respeito de uma parcela da população com poder aquisitivo alto, o que evidencia ainda mais para a tristeza do nosso Brasil varonil, o que nunca foi novidade: dinheiro não traz cultura nem educação para ninguém.
E é fácil entender essas interações sociais de massa… Apesar de toda a abertura ter sido um espetáculo de muito bom gosto, explorando os compositores clássicos brasileiros, musica popular, elementos carnavalescos, ela foi toda realizada dentro de um estádio de futebol, e o público alí, em certos momentos, se comportavam como torcedores… Vaiar um presidente da república, nesse contexto, funciona como ato de rebeldia, “Alá! Alá! Vamo gritar! Vamo xingar! Vamo vaiar! Hahahaha!“, da mesma forma que a mãe dos juízes de futebol, bem, coitadas…
Sobrou até pro representante do Comite Panamericano, um mexicano, que ao falar em espanhol para a platéia, “Hoy, estamos acá...”, ouvia um grande “Oooooooooooooiiiiiiii!” como resposta…. “Hoy, un sonho se concretiza….“, e a platéia “Oooooooooooooooooiiiiiiiiii!”
Imagino os presentes dialogando: “Alá! Alá!! Ele vai falar hoy de novo! Ele falou! Ele falou! Vamo lá! Vamo lá! Ooooooooooooooooooooiiiiii!”
August 16th, 2007 at 6:37 pm
até que enfim encontrei alguém que interpretou essas ridículas vaias da mesma maneira que moi. estava me achando muito sozinha nesse mundo de apoio às vaias ao lula e essa falta de educação absurda dessas pessoinhas.
abraços!