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O plim-plim de antes, e o plim-plim de hoje.


Wednesday, July 11, 2007


É inegável a contribuição da Rede Globo para a cultura brasileira. A hegemonia do canal na TV Brasileira não veio a troco de nada. O alto investimento em talento nacional, em autores nacionais, músicos, em produções brasileiras foi o que garantiu por décadas a fio a manutenção e produção de conteúdo brasileiros na TV que pudesse fazer frente a poderosa competição norte-americana.

Creio não ser exagero dizer que foi graças a Globo que hoje somos menos ‘colonizados” do que seríamos sem ela. O profissionalismo, criatividade e originalidade da Globo e seus profissionais, quando contraposto ao dito “instinto” de Silvio Santos e seu SBT ( que nada mais faz que copiar formatos de programas popularescos norte-americanos, ou preencher sua grade com enlatados norte-americanos ) deixa clara o porque da preferência dos espectadores pela Globo, e o porque de sua liderança desde praticamente a sua criação.

A Globo é hoje a empresa que coleciona os melhores profissionais. Os melhores roteiristas, diretores, cameras, tecnicos de som, iluminadores, atores, e por aí vai… O fruto do trabalho desses profissionais renderam as novelas, as séries, telejornais e programas de auditório que fizeram e ainda fazem parte do imaginário coletivo brasileiro…

Obrigado TV Globo. Esse obrigado é sincero. É tão sincero que esse foi o tema de um dos meus papers do meu Mestrado na Univ. of Wesminster. Ganhei nota máxima. Distinction. Os ingleses adoraram a idéia desse baluarte da defesa da cultura brasileira, sustentado no profissionalismo e no investimento no talento nacional.

Mas o mundo gira. Os tempos mudam. Novas tecnologias surgem. E o que foi bom para o Brasil por décadas, hoje já se mostra limitador, antiquado e incoerente com o estágio democrático e de desenvolvimento em que o país se encontra.

Toda a qualidade do investimento dos idealizadores da TV Globo garantiram a ela a confiança dos telespectadores. Confiança essa que, em se tratando de um meio de comunicação de massa, transforma-se instantaneamente em poder. Poder esse que ao longo de sua existência foi e ainda é utilizada para moldar a opinião pública através de seus telejornais. Poder esse que torna o canal capaz de influenciar eleições presidenciais, e que faz de seus donos, não apenas empresários de comunicação, mas agentes políticos no país. Não é segredo para ninguem todas as intervenções da Globo nos processos democráticos no Brasil:

- A hesitação em cobrir o movimento das Diretas Já.
- A edição do debate presidencial de 1989 entre Color e Lula.
- As fotos do dinheiro no Jornal Nacional as vésperas da eleição de 2006.

E por aí vai…

A Globo, para levar a frente seus interesses e fazer política passou a abusar da confiança de seus telespectadores, que, crendo na isenção e qualidade de tudo que se vê ali naquela tela não percebem as nuâncias dos interesses por trás do jornalismo produzido pela emissora.

Acontece que o país vive um momento único… Novas forças políticas e culturais estão em profusão, e aquele único baluarte da cultura que a Globo sempre se orgulhou de ser, não é mais suficiente para abraçar as diversas vozes, manifestações culturais e pontos de vista existentes no país… Novos profissionais, roteiristas, atores, jornalistas, diretores, representantes dessas novas perspectivas de Brasil estão por aí (ou pelo exterior) sem caber na estrutura da Globo e a procura de espaço.

Aí apareceram as empresas de telefonia e o seu interesse em atingir novos mercados. Desde a privatização do sistema telefônico e da chegada de novas tecnologias, uma tal de iptv (tecnologia para distribuição de conteúdo audiovisual através das estruturas instaladas de telefonia) apareceu, e despertou o interesse dos grandes grupos telefônicos em distribuir sinal de TV. Isso significaria uma profusão de novos provedores de TV por assinatura, mas uma TV por assinatura mais acessível… E com isso, novos canais e mais espaço para produção de conteúdo. O espaço necessário para novas vozes, novas perspectivas, e para esses profissionais…

Mas, quem disse que a Globo iria ceder seu espaço tão facilmente assim? A entrada de novos agentes, não significaria apenas perda de mercado e de receita, mas também de influência…

E é novamente utilizando-se da confiança, reputação e influência construida em toda sua história, (e que ela não deseja perder) que a Globo tenta bloquear o processo de entrada das teles no mercado que ela por tantos anos dominou triunfante… O lobby da Globo no Congresso, que já conseguiu bloquear a regionalização da produção, que já conseguiu segurar o modelo de TV digital para o padrão que a interessava, dentre outras coisas, agora tenta impedir que legislação seja criada para que as empresas de telefonia entrem no seu mercado.

Mas a reserva de mercado que a Globo tenta manter, não é qualquer mercado, é o mercado de cultura, informação, entretenimento. É o que abastece o imaginário popular do Brasileiro, e forma a identidade do país e de seus habitantes. E se a Globo já foi o baluarte da cultura e identidade nacional, a briga mesquinha que hoje ela trava no Congresso para impedir a democratização da mídia, a difusão de novas vozes e perspecticas, apenas demonstram que ela já não mais está preparada para o Brasil que desponta a sua frente… Um Brasil que não cabe apenas na tela da Globo.

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