Descobri que tenho mais apreço pelas elites canalhas e pelo populacho sem costumes do que pelas classes médias sonsas desse mundão de meu Deus….
Esse posto abaixo, foi escrito por mim no “No Caso, Senhor“:
Eu tenho um sério problema com esses filmes ingleses que retratam a classe média inglesa e que fizeram o Hugh Grant famoso. Por um simples fator. A classe média inglesa é chatíssima. Nada como no Brasil onde, apesar de chata e desinteressante, ela ainda tem seus pecados: Lêem a Veja, são conservadores udenistas, e ao mesmo tempo em que aproveitam-se da desigualde social do país para viverem como reis, são vítimas de sequestro relampago e balas-perdidas…
Os dramas vividos pela classe média inglesa são risíveis.. A Gwyneth Paltrow perdeu o metrô no Sliding Doors? Ôooo dó! A livraria de livros de viagem do Hugh Grant está dando prejuízo? Que peeeeena… Um bom drama seria um ingles de classe média subindo o Complexo do Alemão no Rio procurando cocaína pra comprar. Ou sendo largado no centro de Baghdad, e tendo que descobrir a pé o caminho pra se chegar a Green Zone… Isso sim é drama.
Bom, mas diferente do Brasil, onde a classe média é determinada pelo quanto de dinheiro você tem, aqui ela é determinada pelo seu background socio-cultural, independente de situação econômica. E, assim como no Brasil, eles exercem uma função social importante… A de força motora pra manter tudo como está…
Mas apesar de chatos eles são bem instruídos. Entendem de política, preocupam-se com o meio ambiente, com as crianças famintas na Africa, com a guerra no Iraque e no Afeganistão, e vez ou outra, encontra-se algum que comentará com você os problemas sociais do Brasil ou a guerra civil na Colômbia.
Acreditam no entanto, que a melhor forma de resolver todos os problemas é doando dinheiro ou roupas velhas pra Oxfam (uma das maiores ONGs de ajuda humanitária do Reino Unido, e sabe-se lá, talvez da Europa e/ou do mundo) ou afins. Pra eles basta isso, doar pra uma ONG qualquer resolver o problema por eles. Entendem o problema, reconhecem o problema, e a maneira de resolver é dispondo de uma parcela ínfima de seus salários…
Por conta dessa mentalidade, existe aqui a indústria das “charities”. Tem “charity” pra tudo, e é inclusive um amplo mercado de trabalho. É a lei do menor esforço pra não se sentir culpado pelas mazelas do mundo. Paga-se pra alguém fazer o trabalho sujo. Pra alguem ir e entrar em contato com a pobreza e a miséria, enquanto fica-se ali, no seu mundinho confortável assistindo o Sir. Alan Sugar no O Aprendiz. E as mudanças que são realmente necessárias não são feitas, pois demandam muito mais que pequenas doações…
Mas fazer o que? Não se pode esperar grandes gestos da classe média… Seja de onde ela venha… Pode-se esperar sim, gestos médios. E frustrado é aquele que tem espectativas elevadas, pois tudo que se pode e se deve esperar de uma classe média é muito pouco frente aos grandes gestos necessários para que mudanças aconteçam…
