O meu respeito por Luis Nassif é imenso. Não apenas apenas por ser um excelente jornalista e comentarista econômico. Mas por ter alma… Falta alma as pessoas, e menos sangue de barata.
Trival de um domingo brasileiro
Passei o dia ouvindo Villa-Lobos
Passei folheando os livros de Bonfim.
Ouvi canções de Chico e Caetano
Depois bebi os sons do botequim.
Antes, mergulho no Sérgio Buarque
que abriu as portas do Brasil prá mim.
Caio, Nabuco, Celso, e Gilberto
Guimarães Rosa e seu Serafim,
Procurando os cacos que restavam
De um país tão perto do seu fim
Daí olhei Bibi que se encantava
Com nossos causos, com a nossa história
Sai com Luizinha que caçava
O samba maxixe da Banda da Glória
Ouvi o cavaco do Milton Tachinha,
João Macacão, Barbeiro e sua tropa
Lembrei dos Congos de São Benedito
O som potente que da terra brota.
E me toquei por mais que eles tentem
Por mais que queiram acabar com a raça
Não irão conquistar o seu intento,
Ainda que espertos como o tal Chalaça.
Nossos heróis tal qual Macunaíma
são especialistas na trapaça.
Mas lhes juro pelo sol que me alumia,
O Brasil fica e o resto passa.
O menino entrou no blog
E falou do desemprego do seu pai.
As pessoas riram dos seus erros,
Caçoaram do espanto
De saber que qualquer dia
De reza, dor e de vigília
O dólar que barateia o importado
Desestruturará seu lar.
O filho entrou no blog
E falou, em tom de apelo,
do desemprego prestes a assombrar
Como um fantasma sibilino
Marcando sua vida de menino
Daqui por diante.
Mesmo depois que não mais infante
Se lembrará para sempre
Do rosto amargo do seu pai
Da dor estampada na face
Dolorida de sua mãe
No dia em que o dólar
Virou seu mundo pelo avesso.
Enquanto o Ministro, na rompância,
Sentenciava
com requintes de arrogância:
Os fracos hão de morrer
Mas eu defenderei até a morte
a montadora onde trabalhei.
Pelos anos que restar me lembrarei
do espanto-apelo do menino
Anunciando o desemprego do seu pai.
Enquanto no rádio
O analista deslumbrado
Comemorava o vinho mais barato.
e a próxima viagem internacional.
Que país de merda!
