De quem você sabe mais a respeito?
Suzane von Richthofen, aquela menininha lourinha, rica e bem educada, ou sobre Sandro, um menino de rua que viu a mãe ser estrangulada na frente dele quando era criança, fugiu da casa da tia e foi morar na rua e foi um dos sobreviventes do massacre da Candelária?
O nome de Suzane automaticamente é linkado ao assassinato de seus pais, que ela orquestrou e executou junto com o namorado e o cunhado….
Já Sandro (o primeiro nome já me era desconhecido, o sobrenome então, seria mais complicado ainda) foi o “algoz” que sequestrou o ônibus 174 no Rio de Janeiro paralizando a cidade e mobilizando toda a mídia que transmitiu todo o sequestro por 4 horas seguidas…
Me lembro do sequestro do onibus 174… Me lembro de ver o desenrolar de tudo por horas ao vivo na TV, e para falar a verdade, não me lembrava de como tudo tinha terminado… Talvez não me importasse. Me lembro também do caso dos von Richthofen, e de acompanhar o caso não por horas na TV, mas por dias, semanas, meses… E ele ainda continua a ser coberto pela mídia ainda hoje…
Poisé… Descobri tanta coisa sobre Sandro hoje, agora, assistindo Ônibus 174 de José Padilha, que comecei a me questionar porque só fui descobrir tudo isso assistindo a um filme de 2 horas de duração, e não com a cobertura da imprensa, que naquela tarde, utilizou-se do drama de Sandro para durante horas grudar os telespectadores em frente aos seus televisores, alcançando os maiores índices de audiência do ano.
Com menos esforço, apenas ligando a TV fiquei por dentro do namoro de Suzane Richthofen e Daniel Cravinhos, as motivações, o julgamento, e todo o drama da “pobre menina rica” que havia matado os pais…
Porque?
Simples. A mídia não se importava com Sandro. Não se importava com seu drama e com seu passado, muito ao menos com suas motivações. Enquanto ele fez seu show em busca de um reconhecimento que nunca teve (e talvez, nunca haveria de ter) na vida, ele foi útil para a mídia durante aquelas poucas horas. Negro, menino de rua, com passagens e fugas da FEBEM e da polícia, que interesse a mídia poderia de ter naquele rapaz?
Mas já é um pouco mais complicado dizer que a sociedade não se importava com Sandro. A classe média e a elite brasileira certamente não se importavam, e acharam bom o fato de o rapaz ter sido executado pela polícia. Mas, pra maior parte da população do Brasil, a centena de milhão que forma a massa, sim, talvez pudesse haver interesse e eles se importariam com Sandro, se lhes fosse dada a chance de ser apresentada a história daquele garoto.
Essa centena de milhão, se identificaria muito mais com a história de Sandro, do que com a de Suzane. Suzane é uma alien para eles… Sandro não… No entanto, que faz a mídia? O oposto…
Há tempos que a mídia não reflete o nosso povo…
E há tempos que isso precisa mudar…


November 2nd, 2008 at 5:11 am
Belo artigo, Daniel. Fez um paralelo perfeito entre duas realidades discrepantes. Saí muito chateado de dentro do cinema. Sim, a arte nos faz refletir, nos mostra o que nenhum meio consegue mostrar: o contexto real, nu e cru, de um miserável descartado por todos aqueles a quem ele convivera. Sem eira e nem beira, vivia o hoje, o agora. Nada justifica a violência, mas ela se explica. E explica mesmo, explica de maneira fria, dolorida, da anomia de um Estado cada vez mais enclausurado em suas salas encarpetadas, movidas a ar condicionado e uísque.
Parabéns meu velho!
Gilberto Bazarello
Estudante de Jornalismo
Universidade São Judas Tadeu
São Paulo – SP
January 7th, 2011 at 2:57 pm
Não gostei do texto. O que uma coisa tem a ver com a outra! Sempre essa mania de falar da mídia, da sociedade, da elite…blábláblá, como se a sociedade fosse culpada pelo destino desse jovem. De fato teve uma vida horrível, péssima, esquecido, mas o que cada um de nós poderá fazer. Porque vc não pega alguns e leva pra sua casa, faça a sua parte ao inves de ficar criticando. Pra mim esse texto foi um blábláblá muito vazio!