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Uma Nova Folha


Monday, April 30, 2007

Morreu ontem Octávio Frias, dono da Folha de São Paulo. Octávio comprou a Folha junto com seu sócio Carlos Caldeira em 1962. Seu mérito foi não só de aumentar a tiragem e trabalhar o setor de assinaturas o tornando o jornal mais lido do país, como foi o primeiro jornal do país a abrir espaço para diferentes correntes de pensamento economicas, idelogicas e políticas. Foi um marco para o país e a Folha ganhou o seu espaço de importância no Brasil.

Porém, desde sua aquisição por Otávio aos dias de hoje, não só a forma de se produzir conteúdo mudou, como a realidade política do país apresenta novos desafios. Nesse novo cenário, esse pluralismo editorial concebido há 20 anos atrás precisa ser repensado…

A chegada de um nordestino, mestiço, e sem o 2o grau completo a Presidencia da República apresentou novos desafios para a mídia. Ela não soube lidar com esse novo elemento estranho no Palácio do Planalto e todo o seu significado. A maior parte da elite intelectual do país, nas redações dos jornais, revistas e telejornais, que (infelizmente) formam a opinião pública (ou pelo menos cria-se que sim) do país, não consegue digerir Lula e tudo o que ele representa. Essa elite intelectual não se sente representada… Não se identifica com o homem que tem as redeas do país…

Nem o pluralismo da Folha de São Paulo digeriu Luis Inácio.

Agora que Octávio Frias se foi, talvez seja necessário o surgimento de outro Octávio Frias. Porém, um Octávio Frias contemporâneo. Não que “pluralismo” seja passé. Não é, nem nunca vai ser. Mas um pluralismo na concepção de 20 anos atrás não basta. Deve-se sempre andar pra frente, é compreensivel que a elite intelectual com espaço na mídia hoje só pensa e reflete as questões relevantes a elite do país. E isso não basta pro cenário hoje no país…

Assim como Luis Inácio chegou a presidência (2 vezes), junto com ele emerge uma multidão de recém incluídos na economia, famílias cuja 2a ou 3a geração terão formação escolar e acesso a bens culturais que seus pais antes não tiveram. Isso significa que a médio prazo no país, teremos um número maior de “seres pensantes” oriundos das camadas mais populares.

O próximo revolucionário na mídia brasileira, vai trazer os interesses e as questões dessa parcela da população para o círculo de debates. Vai traze-los para a mídia e dará voz a eles. O que hoje não acontece… Mas esse revolucionário não vai apenas faze-lo por questões éticas ou ideológicas… O fará pois vai ganhar MUITO dinheiro com isso…

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