Achei que deveria repostar esse post meu de Agosto de 2004:
http://www.florencio.uaivip.com.br/2004/08/informao.html
Outro dia estava assistindo o jornal local na TV e estava sendo noticiada a prisão de um adolescente que cultivava 1 (um) pé de maconha em seu quintal, em um bairro da periferia de Belo Horizonte. A reporter noticiava que havia sido feita uma denúncia anônima, e a polícia civil foi autuar o jovem em flagrante, e que, durante a abordagem, um segundo jovem saiu correndo e conseguiu escapar. O preso, afirmou que havia plantado para consumo próprio.
Pode parecer papo de maconheiro, no entanto não uso maconha. Mas é sabido, entre outras centenas de fatos sobre a droga, que ela é muito menos viciante que o tabaco e causa muito menos prejuízos a saúde do usuário. O que existe é uma completa falta de informação sobre o assunto, preconceito e tabu. Pra muitas gente, maconheiro = marginal. Daí comecei a refletir sobre a notícia…
Também não sou gay, mas no final do século XIX, a pederastia era crime na Inglaterra. Oscar Wilde foi o viado mais notório vítima dessa lei, e acabou sendo preso e adoeceu gravemente na cadeia, por ter tido um caso com homem naquela época.
Fiquei imaginando aqui, se a pederastia ainda fosse crime, e esse mesmo noticiário televisivo fosse noticiar uma prisão por pederastia, como seria?
“A partir de uma denúncia anônima, a Policia Civil autuou hoje em flagrante um jovem que praticava atos de pederastia em um casebre num bairro da periferia. O outro jovem, parceiro do acusado conseguiu fugir, pulando pela janela, após a polícia autua-los em flagrante. Sua identidade é desconhecida e ele não foi mais encontrado. O jovem preso afirmou que não estava praticando atos sexuais com outro homem, eles estavam apenas estudando biologia.”
Parece um pouco nonsense, não?
Mas e daqui há muitos anos, se a maconha for legalizada, como essa notícia que assisti hoje iria soar? É exatamente esse o ponto. Os noticiários televisivos apenas INFORMAM seus espectadores. Não FORMAM. Não dão elementos para que ninguém consiga desenvolver um debate fundamentado sobre o assunto. Por conta dessa “fidelidade à notícia” acabam enraizando preconceitos e visões ultrapassadas.
Certo que a TV não deve ser a única fonte de informação e conhecimento, mas ela o é para um número cada vez maior de pessoas. Também é certo que esses assuntos são debatidos nela também, porém, em horários e em programas de baixa audiência, onde eles não tem a repercussão que têm os assuntos tratados nos telejornais do horário nobre.
