Toda a complexidade do mundo hoje me assusta. Talvez não a complexidade do mundo, mas a complexidade das pessoas… Mas acho que as pessoas ficam mais complexas a medida que o mundo fica mais complexo… Vai saber…
Tenho extrema admiração por pessoas ingênuas. Daquelas que não enxergam nada ao redor. Não porque o intelecto não permite, mas porque os horizontes não vão muito além do que a vida delas naquele momento as permite. Somente os ingênuos são verdadeiros aos seus sentimentos. As ações e definições dos sentimentos dos ingênuos não estão condicionadas as expectativas que o horizonte aguarda. Estão condicionadas apenas ao que o momento propicia.
Acho que compartilho esse não condicionamento com os ingênuos. Apesar de minha vida ser guiada pelo que o horizonte me guarda, não consigo não ser fiel aos meus sentimentos e condiciona-los ao horizonte.
Por isso a complexidade do mundo e das pessoas me assusta. Ao mesmo tempo que me fascina tudo que a tecnologia/desenvolvimento/economia propiciam, sinto que os habitantes desse mundo se perdem no meio desse caos de informação e possibilidades. São incontáveis os estímulos, e nessa tentativa de experimentar de tudo, não aprofunda-se ou especializa-se em nada. Tudo vira superfluo e descartável. Tudo.
Lembro de filmes como 84 Charing Cross Road, onde uma simples amizade por correspondência após a 2a Guerra era valorizada e querida pelos personagens principais. Não só, mas como a amizade dois dois foi estreitada pela paixão por livros. Livros, que a escritora Nova Iorquina só conseguia achar alí, na livraria Londrina, no número 84 da Charring Cross Road.
Hoje no número 84 da Charing Cross tem um Pizza Hut.
