O artigo de maior bom senso que já lí sobre a situação atual brasileira se chama “A guerra dos ‘outros’” e não é de nenhum desses intelectuais brasileiros conhecidos… A autora não mora em NY, não faz parte da mesa do Manhattan Connection e não ganha uma nota preta escrevendo pra Veja, ou pra Isto É. A autora é a Sueli Carneiro, ela é filósofa, pesquisadora do CNPq e diretora do Géledes, um instituto que atua na luta, debate e ações de inclusão e defesa da mulher negra na sociedade brasileira.

Sueli Carneiro
Mas pelo título do post, não estou aqui pra falar só da Sueli, pq afinal, a Sueli não está todo domingo com a cara no Manhattan Connection, nem toda semana tem um texto seu publicado na Veja, e muito menos tem uma comunidade dedicada a ela no Orkut com quase 400 membros que discutem e analisam seus textos… Posso até arriscar que ela talvez nem seja tão influente assim…

Comunidade do Diogo no Orkut
Bom, vamos falar sobre o Diogo Mainardi.
O motivo de eu não gostar de seus textos não é por suas criticas infundadas e suas opiniões arbitrárias e difíceis de se levar a sério, coisa do tipo “deveriam acabar com a CLT”. Nesse aspecto devo até confessar que ele tem muito bom humor (supondo que ele queria realmente ser engraçado). Mas minha implicância vai além…
Levando em consideração que o cara escreve pra revista Veja, e é comentarista do Manhattan Connection, acho que devemos analisar seus textos e opiniões e confronta-las com o público que ele atinge. Bom, quem lê Veja? Quem tem TV a Cabo em casa e assiste ao Manhattan Connection? Sendo bem generalista, é fácil afirmar que é da classe média pra cima.
A Revista Veja é a fonte de informação e conhecimento dessa massa acéfala que é nossa classe média, a TV a Cabo o refúgio dessa mesma classe média que não suporta a TV brasileira e se entretém com seriados do Sony, documentários da BBC, noticiários da FOX News e CNN International. E é a mesma classe média que tem fobia do Brasil, não acredita que isso vá pra frente, e que, enquanto assistem ao último episódio de Friends, escutam “New York, New York” em seus CD Players e assistem ha mais um blockbuster Norte-Americano no cinema, sonham com o dia em que poderão picar a mula daqui, rumo a terra do Tio Sam (ou qualquer outro país desenvolvido).

Mainardi
E é aí que o tal Diogo acertou em cheio seu público. Com sua linguagem acessível e ar intelectual, ele vem de encontro a esse público “ávido por conhecimento e cultura”, dizer tudo o que eles já sabiam, “o Brasil não tem jeito”, “Não há mais solução para o País a não ser se render à poderosa potência do Tio Sam”, “nada que fazemos aqui dá certo”, “tudo o que fizemos e deu certo foi sorte” entremeado por uma ou outra sugestão irônica de como o governo deveria conduzir as rédeas do páis.
E assim, toda essa gente que não se identifica e não se sente responsável pelo próprio país, porque tem seus olhos virados para a America, a cada semana lê com ar de deboche as opiniôes desse cara, que apenas faz avalizar esse sentimento de desprezo de seu público para com o Brasil.

Comentário de membro da comunidade no Orkut, sobre a coluna “O Brasileiro é um vegetal”.
Mas Diogo ainda tem mais sorte que a grande maioria de seu público, passou mais de metade de sua vida morando no exterior: EUA, Inglaterra e Itália, motivo pelo qual talvez tenha tanto conhecimento de causa ao afirmar insistentemente que “o Brasil não tem jeito”, pois vivenciou todos esses modelos de países que funcionam.
Mas é justamente insistindo que “o Brasil não tem jeito” que Mainardi não colabora para que o país melhore. É avalizando a opinião dessa classe média que não se sente brasileira, que Mainardi colabora para que tudo fique como está. O Brasil não precisa de intelectuais como Mainardi. O Brasil não precisa de gente que mine a auto-estima do seu povo. O Brasil não precisa de intelectuais que vivem no exterior.
Já lí em algum canto por aí que “nossos intelectuais são todos colonizados”. Realmente, todos moram, moraram, ou queriam morar em NY, Paris ou Londres. Nenhum se identifica com o Brasil. Mas os laços com o Brasil são inevitáveis, infelizmente, a genialiade de nenhum deles foi capaz de desfaze-los.
É por essa e outras que o país, e a classe média, precisa menos deles, e mais de gente séria e que se identifica realmente com seu país, e fale o que a classe média NÃO SABE e NÃO QUER OUVIR, como a Sueli Carneiro, que falei ali em cima, faz…
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Só pra completar, uma tirinha do Bennet, é só clicar nela:







