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Aécio Vs. Serra


Thursday, September 2, 2010

José Serra foi ao Jornal da Globo de anteontem e acusou Dilma Roussef, candidata a Presidência da República, a quem as pesquisas dão mais de 55% dos votos válidos no 1o turno, de criminosa e de violar o sigilo fiscal de sua filha, Verônica.

A violação do sigilo de Verônica ocorreu em 2009. 1 ano atrás, quando Dilma nem Serra eram ainda candidatos a nada. Em 2009 mesmo, tomou-se conhecimento da violação através de informações em blogs.  Somente agora, há 30 dias das eleições, Serra resolve indignar-se.

Está corretissimo em indignar-se, pois é sim um fato grave. Mas com um ano de atraso, e as vésperas das eleições denota um extremo oportunismo eleitoral.

Serra acusa o PT e Dilma de violarem o sigilo fiscal de sua filha. Globo, Folha, Estadão vão atrás investigar o caso, como se fosse algo novo. Recente. E já partem da premissa que foi autoria do PT.

Uma historinha

Em 2008 quando meu documentário “Gagged in Brazil” foi ao ar na Current TV, alguns amigos de Belo Horizonte, metidos no meio político e em campanhas eleitorais me perguntavam preocupados via MSN, “Daniel, você recebeu dinheiro do Serra?”.

Esse absurdo que me incomodou bastante, e que pra mim não fazia o menor sentido começa a fazer mais sentido agora..

A época, quando ainda se debatia dentro do PSDB quem seria o candidato a presidência em 2010, uma batalha interna se iniciou entre Aécio Neves e José Serra.

Supostamente, Serra preparava um dossiê contra Aécio. Em resposta, Aécio começou a preparar um dossiê contra Serra, através do Jornal Estado de Minas, seu grande aliado nas Gerais.

Um dos repórteres escalados para a missão foi Amaury Ribeiro. Respeitado repórter investigativo que correu atrás de todas as informações possíveis sobre Serra, para a guerra de contra-informação que se esperava entre os dois tucanos.

Em um texto da Carta Capital, Amaury Ribeiro descreve o ocorrido:

“Em uma entrevista que será usada como peça de divulgação do livro e à qual CartaCapital teve acesso, Ribeiro Jr. afirma que a investigação que desaguou no livro começou há dois anos. À época, explica, havia uma movimentação, atribuída ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), visceralmente ligado a Serra, para usar arapongas e investigar a vida do governador tucano Aécio Neves, de Minas Gerais. Justamente quando Aécio disputava a indicação como candidato à Presidência pelos tucanos. “O interesse suposto seria o de flagrar o adversário de Serra em situações escabrosas ou escândalos para tirá-lo do páreo”, diz o jornalista. “Entrei em campo, pelo outro lado, para averiguar o lado mais sombrio das privatizações, propinas, lavagem de dinheiro e sumiço de dinheiro público.””

A briga interna no PSDB foi solucionada sem a necessidade de armas, mas Amaury Ribeiro tinha então uma coletânea enorme de informações comprometedoras sobre Serra. Como o Estado de Minas não faz jornalismo, mas sim política, nenhuma matéria comprometedora sobre Serra foi publicada. Amaury pegou o material e editou em um livro chamado “Os porões da privataria” que prometeu ser publicado após as eleições.

Tudo isso aconteceu a partir de 2008, quando o embate Aécio Vs. Serra era mais intenso. E foi em 2009 que aconteceu a quebra do sigilo da filha de Serra, Verônica.

Uma matéria da Folha sobre o “dossiê” diz sobre Amaury:

“Repórter investigativo com passagens por Folha, “O Globo” e “Jornal do Brasil”, ele foi escalado para apurar eventuais irregularidades relacionadas ao outro presidenciável tucano, Serra.
O resultado das apurações do jornalista nunca foi publicado pelo jornal. “Ele trabalhava em várias investigações. Essa investigação específica não estava concluída quando ele pediu demissão no final de 2009″, diz o diretor de Redação do “Estado de Minas”, Josemar Gimenez.”

O mais plausível é que o sigilo de Verônica, no “balcão de negócios da agência da Receita em Mauá”, tenho sido quebrado, talvez não por Amaury Ribeiro, mas supostamente por qualquer outro reporter do Estado de Minas e ou interessado no PSDB mineiro.

Não haveria, em setembro de 2009, interesse algum do PT, ou de Dilma Roussef ( que nem candidata a candidata era ) de investigar o que quer que fosse de José Serra, mesmo porque ainda havia a dúvida se o candidato do PSDB seria ele ou Aécio Neves.

Serra, o PSDB e a mídia, oportunamente, revivem a história da quebra do sigilo de Verônica e acusam incessantmente o PT e Dilma Roussef. José Serra em todas as entrevistas dadas nos últimos dias utiliza sempre  os termos “Dilma”, “Violação” e “Criminosa”, em um esforço visível de fazer colar a ligação entre as 3 palavras.

A realidade que Serra sabe, o PSDB sabe e que o Estado de Minas sabe, é que essa violação aconteceu dentro do próprio PSDB, mas, com a candidata petista com grandes chances de vencer no 1o turno com uma maioria esmagadora, vale inescrupulosamente tentar atribuir ao PT, os feitos do próprio PSDB.

UPDATE: Dificilmente essa versão, de que o sigilo foi quebrado em uma batalha interna do próprio PSDB vai ganhar corpo e merecer uma investigação profunda da grande mídia. Merval Pereira em O Globo e os colunistas da Grande Mídia já repercutem a quebra do Sigilo de Verônica Serra levando em consideração apenas a versão do PSDB. Merval diz inclusive em seu texto no O Globo de hoje que Amaury Ribeiro trabalhava na campanha de Dilma quando investigava José Serra. O que é mentiroso. A investigação a Serra e a quebra de sigilo de Verônica ocorreu antes de Amaury trabalhar na campanha. Amaury não faz mais parte da campanha e está hoje na TV Record.

UPDATE 2: Enquanto FOLHA DE S. PAULO, ESTADAO e O GLOBO gritam nas suas capas “ESCANDALO”. Vejam a capa do Estado de Minas de hoje. Não existe violação de dados de filha de ninguém em Minas Gerais.

A introdução do livro de Amaury Ribeiro

Os porões da privataria

Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do país, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três dos seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, tem o que explicar ao Brasil.

Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marín Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marín. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como (Marin) é conhecido, precisa explicar onde obteve US$ 3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil …

Atrás da máxima “Siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.
A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista – nomeado quando Serra era secretário de planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$ 448 milhões (1) para irrisórios R$ 4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC.
(Ricardo Sergio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se  der m… “, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)

Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico (2).

O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$ 3,2 milhões no exterior através da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova York.  É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.

A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$ 17 mil (3 de outubro de 2001) até US$ 375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$ 1,5 milhão.

O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$ 404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, através de contas no exterior, US$ 20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.

O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, entre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.
Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do país para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br,  em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia  do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.

Financiada pelo banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$ 5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$ 10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas tem o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.
Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$ 7,5 milhões em ações da Superbird. com.br que depois muda de nome para  Iconexa S.A…Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.

De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante o Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no país. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia através de sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no país.

Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações — que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade” conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” — foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e as contas sigilosas da América Central ainda nos anos 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenceria…

Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$ 410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.

(1)A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$ 140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$ 3,2 por um dólar.
(2)As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.

O cinema digital e os manés


Tuesday, July 13, 2010

Outro dia postei isso no Twitter:

New technologies made it easier for any idiot to shoot a bunch of shit, put it together and claim out loud that it’s a film.

O motivo dessa constatação foi o post abaixo sobre Locarno. Eu, neste processo de escolha de para quais festivais enviar o meu suado filme, me deparo com um quinquilhão de festivais de cinema espalhados por aí. Uma comparação eficiente seria a do pai, que quer que o filho vá para a melhor escola e se dê bem. O filho pode não ser o mais inteligente, mas independente disso, cria-lo foi suado e trabalhoso, e como você deu o melhor de sí por ele, quer ver ele em uma boa escola. Não quer que ele vá parar em qualquer uma…

Aí, tem aquela escola excelente e super reconhecida. Seu filho não é aceito. Mas um outro garoto, claramente relapso e menos preparado, que foi criado “pelos cocos”, consegue entrar. Há de se ficar enfurecido. Foi o que aconteceu com Locarno.

E hoje, no Terra Magazine, um texto de André Setaro sobre os “cineastas digitais” e sobre as profusão de “festivais de cinema”. Bom saber que alguém concorda comigo…

O audiovisual e o digital pela culatra

André Setaro
De Salvador (BA)

A avalanche de filmes digitais é impressionante. Qualquer pessoa pode, agora, fazer um filme e se intitular cineasta. O fazer cinema perdeu seu mistério e a sua magia. Claro, há a possibilidade de que qualquer se expresse por meio das imagens em movimento, o que é democrático. Ouso comparar o fazer cinema, hoje, com os poetas de antigamente. Em tempos não tão priscas assim, as pessoas viviam a cometer poesias e ficavam satisfeitas quando uma delas era publicada em jornais e revistas. Mas se existia muitos versos, poucos os poetas verdadeiros. Tinha-se, na verdade, uma enxurrada de versejadas.

Aplico o dito aos filmes feitos em digital por qualquer mané. O lixo da história está cheio desses arroubos expressivos e o tempo será o seu maior juiz. Pelo que tenho visto, a maioria dos filmes realizados em digital é de péssima execução cinematográfica, principalmente os curtas realizados por amadores. Para se fazer um filme é necessário, salvo raras exceções (como o documentário filmadoin loco), uma elaboração a priori, um pensar cinematográfico antes da execução propriamente dita. Os cineastas digitalizados, porém, na sua grande maioria, preferem pegar a câmera e ir logo filmando. Os resultados, como não poderiam deixar de ser de outra forma, são lamentáveis.

Nelson Pereira dos Santos, numa palestra no Memorial da América Latina, há algum tempo, disse que não gostava da expressão audiovisual para a denominação de tudo que fosse imagem em movimento. Qualquer filme é chamado de produto audiovisual, o que, para ele, não expressava bem o significado e a dimensão do cinema. Quando se fala cinema, segundo Nelson, vem logo à mente nomes como Orson Welles, Fellini, Luchino Visconti, Roberto Rossellini, entre outros, ao passo que quando se fala em audiovisual nada vem à lembrança. Concordo em gênero, número e grau com esta opinião.

Está a acontecer uma revolução no audiovisual e ainda não cheguei a um processo mais consciente do que se encontra por vir. As imagens em movimento perderam a sua magia de somente serem vistas nas salas exibidoras e tomaram uma amplitude nunca dantes imaginada. Estão por toda parte: nas gigantescas televisões de plasma, nos DVDs, nos celulares, nos computadores. Baixa-se filmes a torno e a direito pela internet. O filme, algo meio inacessível, como em coluna passada me referi com um caso, hoje se vulgarizou a tal maneira que se pode encontrar no balaio das Lojas Americanas obras-primas a preço de banana. Ou espalhadas pelo chão das ruas e avenidas das cidades em cópias piratas. É verdade que, nesta oferta, predominam os filmes inferiores, para consumo imediato, mas, de repente, vê-se um grande momento do cinema à disposição do cliente transeunte.

Os eventos cinematográficos se proliferam e em qualquer cafundó de judas há atualmente a realização de um festival de cinema (apoiados, diga-se assim de passagem, pelas burras da Viúva). Muitos deles são bons e proveitosos, mas não se pode negar que alguns cheiram a picaretagem. Abre-se uma produtora com fito cultural e basta apenas captar patrocínios. Os organizadores gastam o necessário e o troco fica com eles. Urge que os órgãos governamentais tenham mais rigor ao patrocinar tais eventos, pois muitos não passam de pura picaretagem.

Há também uma profusão de oficinas, mesas redondas e quadradas, seminários disso e daquilo, alguns chatíssimos, recorrentes, repetitivos. Para ficar num só exemplo: a das oficinas de crítica cinematográfica., que, geralmente, são realizadas em dois, três dias. Creio-as um absurdo, um non sense. Como se pode ensinar a ver um filme em tão pouco tempo? E, principalmente, criticá-lo? A crítica é a arte da paciência, como disse uma vez o grande Inácio Araújo. Antes de mais nada, o vestibulando a crítico deve ver e ver filmes e, para alcançar um razoável repertório cinematográfico somente o tempo está a seu favor. É preciso se entender que o cinema é uma estrutura audiovisual, que tem uma linguagem autônoma. A crítica, portanto, é um processo a posteriori. Mas, na geleia geral na qual se afundou o audiovisual, assim como todo brasileiro se considera um técnico de futebol, também se acha apto para criticar um filme. Confesso que ministrei uma oficina de crítica, mas, num processo de autocrítica, nunca mais a farei. Tenho, também, culpa no cartório, mas, creio no meu bom senso, e, se o tenho, não participo mais de tais oficinas, que, no meu bom tempo, conhecia-as para conserto de carros e bicicletas.

A concentração de filmes numa determinada mostra é contraproducente. Segundo Georges Sadoul, famoso historiador de cinema francês, na introdução de seu Dicionário de Filmes, os filmes gravados na memória tendem a se confundir. Conta que passou décadas a analisar uma sequência de determinada obra cinematográfica vista há muito tempo e que a tinha como fundamental. Quando teve a oportunidade de vê-la, constatou, estupefato, que ela não existia no filme que anunciava. Pertencia a outro.

Como no título da antologia de críticas de Antonio Moniz Vianna, um filme por dia é o ideal de contemplação de um cinéfilo – até poderia conceder: no máximo dois. Há pouco tempo, no entanto, os eventos cinematográficos que se faziam no Brasil não empurravam, cinéfilo abaixo, uma avalanche de filmes. É bem verdade que da profusão pode aquele que se interessa escolher os mais interessantes e deixar os outros para uma próxima ocasião – se a houver.

Cada vez mais fica imperativo que se refine o que se vai ver. O ideal também é que se refinasse mais o que está a ser produzido. Uma das metas do cinema brasileiro deveria ser esta: não aporrinhar o pobre do cinéfilo já tão aporrinhado com as coisas da vida.

Festival del Film de Locarno


Saturday, July 10, 2010

Ontem recebi uma carta, super educada do festival de Locarno me informando que meu curta não havia sido selecionado para o festival esse ano. Faz parte. Mas claro que sempre fica uma pontinha de decepção…

Locarno é um dos festivais mais tradicionais da Europa, e responsável por descobrir inúmeros diretores. Spike Lee, Quentin Tarantino, Stanley Kubric, etc. A principal “sala de exibição” acontece na Piazza Grande, a noite, sob as estrelas. Uma pena meu filme não ter entrado…

Mas como o mundo continua girando, me ocupei com a inscrição para outros festivais e marcando no meu calendário os deadlines para envio de DVD e etc, e resolvo também pesquisar um pouco sobre o que está se passando em Locarno e descubro o seguinte:

- O diretor artistico do festival mudou, e quem está encarregado da função agora é o ex-responsável pelo “Director’s Fortnight” em Cannes, Olivier Père. Segundo o site do festival ele quer trazer um novo olhar para o festival de Locarno, “revelando novos diretores e novos territórios”.

Legal, pensei! Mas aí descobri também que os novos territórios que que ele quer descobrir é o pornô gay.

Antes do anúncio oficial dos selecionados do festival, que vai acontecer daqui há uma semana, o festival anunciou que o filme americano “L.A. Zombie” fará parte da mostra competitiva internacional. Todos os filmes em competição são exibidos na Piazza Grande.

A revista Variety escreve o seguinte sobre o filme e sua escolha para o festival:

“L.A. Zombie” stars French porn star Francois Sagat as a schizophrenic who thinks he’s a zombie, trying to bring the dead back to life by engaging in homosexual sex. Pic will bow internationally at the Swiss fest dedicated to indie pics.

Esse é o trailer do tal filme:

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E entrando no site do filme, o que se constata é que realmente se trata de um filme pornô gay de zumbis. Vou me limitar a postar o link do filme para quem quiser se aventurar por lá. Mas a conclusão é a seguinte, o festival de cinema que descobriu Kubric, e inúmeros outros diretores, vai exibir na Piazza Grande, para um público estimado de 8 mil pessoas, um filme de de zumbi pornô gay.

Não me interpretem mal. Nada contra pornôs, zumbis, gays ou contra a provocação. Sou a favor disso tudo aí. Mas sou também a favor do talento. Do trabalho duro. Da técnica. A provocação barata e sem profundidade fica por ali. Passa. Não vinga. E acredito que seja o caso da escolha desse filme para o festival.

Claro que fiquei chateado pelo fato de meu filme não ter entrado no festival, mas ao me deparar com essa piada de mal gosto estou indeciso entre dois sentimentos. O primeiro, de alívio, por meu filme não estar compartilhando a tela com um filme de sexo explícito de zumbis gays. O segundo reafirma a minha decepção, se um filme C desse tipo entra em um festival desse calibre e o meu não, eu devo ser mesmo, muito, mas muito ruim de serviço.

UPDATE

Acabo de ver o trailer de um curta selecionado para Locarno. E, ao contrário do tal filme acima, é de extrema qualidade. Chama-se Morning Star. Assistam:

Mythodea


Sunday, June 6, 2010

Me deparei com isso hoje. Espetacular. Espetacular.

A descrição da Wikipedia diz:

Mythodea: Music for the NASA Mission: 2001 Mars Odyssey is a choral symphony[1] by Greek electronic composer and artist Vangelis. Originally premiered in concert in 1993,[2] it was published in 2001 by Vangelis’ new record label Sony Classical, which also set up the NASA connection and promoted a new concert.[3]

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Trailer de “Awfully Deep”


Saturday, June 5, 2010

Estamos quase lá. Já nos inscrevemos em alguns festivais e galtam apenas alguns detalhes para terminar o filme.

Enquanto isso, o site do filme já está no ar e temos um trailer da produção também no ar. Olha ele aqui:

Agora é terminar. Falta pouquissimo.

Machete – Nasce um clássico


Friday, May 21, 2010

Fui apresentado hoje ao trailer de Machete, de Robert Rodriguez. Robert de Niro, Steven Segal, Jessica Alba, todos juntos no mesmo filme como coadjuvantes. Sensacional!!!

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Machete será o “Warriors” do século 21.

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Las Venus Resort Palace Hotel


Wednesday, April 21, 2010

Sonja é a sua host durante sua estada no Las Venus Resort Palace Hotel.

No seu novo album, Cibelle criou essa personagem que te recepciona no início do album, e se despede ao final… O album é genial… Faz uma mistura de brega, Sidney Magal, modernidades eletrônicas, saltimbancos, etc, etc… Acho que nem mesmo Cibelle sabe definir o som dela… Mas as músicas são excelentes, e as brincadeiras dela com Sonja e toda essa estética Nu-Jungle-Brega-Rave também é sensacional… Saquem só!

Esse é o clipe de Lightworks:

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When is Las Venus Resort Palace Hotel beware of nose lightings.

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Cibelle’s Mango Tree helium style

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O Spam e o Aécio


Tuesday, April 20, 2010

Eu, como já postei aqui embaixo, não acho que o Aécio seja um crápula. Considerando seus companheiros da direita, ele é um cara com valores republicanos muito mais apurados que seus colegas de partido e aliados. Tanto é que enquanto enquanto as bocas do PSDB, do PFL e da mídia espumavam, prontos a desgastar/derrubar o presidente Lula, ele foi um dos que intercederam pra acabar com a palhaçada ( vide essa  entrevista de Ciro Gomes aqui ).

E quando a esquerda não me oferecer um candidato bom o suficiente pra merecer o meu voto, até votaria em Aécio. Se não fosse o seguinte…

Uma excessiva e obsessiva necessidade de controlar a sua imagem e o que é dito/falado/pensado/insinuado sobre a sua pessoa e seu governo. Uma figura pública deve ter  a compreensão de que faz parte do jogo receber críticas. Faz parte do jogo questionarem procedimentos. Faz parte do jogo as pessoas dizerem-se contra ou a favor.

Se esse cuidado obsessivo com a imagem de Aécio parte dele ou dos seus marketeiros/assessores, só estando lá dentro pra poder dizer. Mas o resultado são situações, no mínimo ridículas como essa que descrevo nesse vídeo que gravei e postei no Youtube.

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Reel 2010


Tuesday, April 20, 2010

Já há algum tempo editei esse showreel com meus (nem tão mais) recentes trabalhos.

Reel 11/09 from Daniel Florêncio on Vimeo.

Design de Interatividade em BH


Monday, April 12, 2010

Na minha ultima visita a BH encontrei com um velho amigo, Claudio Cunha, que está trabalhando para um escritorio de design e interatividade chamado Coddart. Fiquei feliz ao ver os trabalhos de ver coisas tão legais sendo desenvolvidas em BH. Aqui um dos exemplos do trabalho deles, chamado “Rotatória”.

Roundabout from Coddart | Digital By Design on Vimeo.

Novo acordo nucelar


Thursday, April 8, 2010

Obama e Medvedev se reunem para assinar um novo tratado nuclear aonde EUA e Rússia reduzirão seu arsenal de armas nucleares.

Qualquer passo para evitar a destruição da humanidade é um grande passo. Enquanto isso, lá no Irã, Amahdinejad diz que Obama é um “político novato e amador”. O análogo de Amahdinejad no Brasil, políticos retrógrados que só conseguem olhar pra trás, são uns caras que temos no Senado, tipo o Arthur Virgílio e o Jereissat.

O que pensa a oposição no Brasil


Wednesday, April 7, 2010

A oposição no Brasil não encontra representatividade alguma entre o povo. Não há quem em sã consciência concorde com qualquer coisa que seja dita por esses senhores. Representantes de um pensamento antigo, em que o Brasil funcionava a revelia de interesses estrangeiros, são cegos para a nova representatividade do Brasil no mundo. O povo e o grande capital no Brasil discordam desses senhores, pois vêem no que vem acontecendo agora com o país como uma imensa oportunidade.

Reflexo do pensamento arcaico e medonho desses indivíduos que infelizmente ainda tem representação política no nosso Senado, ontem, terça feira o Ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores compareceu a uma sabatina no Senado.

Aqui alguns dos comentários infelizes, baixos e mesquinhos que ouviu dos Senadores da oposição, segundo a Folha de São Paulo:

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), discordou de Amorim ao afirmar que o novo presidente não deve manter a busca por uma vaga permanente do Brasil. “Eu recomendaria que nós recompuséssemos a ONU, que está ficando com cara de liga das nações, de universidade europeia que a gente discute muito, mas decide pouco”, disse Virgílio.

O único comentário que posso fazer é. Arthur Virgílio é um idiota. Deseja manter uma estrutura criada há 60 anos atrás, ao fim da 2a Guerra Mundial. A configuração política do mundo mudou. Só ele que não viu… E como pode ele discordar da presença do Brasil no Conselho de Segurança? Ele discorda da posição do Brasil no mundo hoje? Colonizado do cacete!!

Segundo Tasso, se Serra for eleito presidente em outubro, o ex-governador de São Paulo não terá entre as suas prioridades o diálogo com líderes esquerdistas latino-americanos.

“Não temos do ponto de vista econômica nenhuma dessas ações de apoio a essas fanfarras, a roubos desses líderes latino-americanos ou africanos. Sair abrindo embaixada em toda esquina,em todo paiszinho que não tem o menor sentido por US$ 400 mil porque uma empreiteira quer construir um aeroporto, acho que Vossa Excelência se enganou”, disse o tucano.

Tasso é outro idiota. Prega o isolacionismo do Brasil com seus vizinhos, a troco de que? Para agradar a quem? Ao Governo Norte Americano? Até Barack Obama prega o diálogo. Tasso não viu a roda da História girar, e, se perdeu em seu discurso, acreditando que estamos em 1969, quando fazia sentido polarizar o discurso e a diplomacia. Estacionou em quando a Africa ainda era visto como atrasada. Esqueceu de acompanhar os fatos e notar o crescimento econômico do continente.

É por essas e outras que o discurso da oposição não ecoa. Não reverbera. Ele não se sustenta com a realidade atual. Um eventual governo com esses senhores como aliados significaria um imenso passo atrás para o Brasil.

Ao ler coisas como essa, a única coisa que posso esperar é que a idade tire logo esses senhores das cadeiras que ocupam. Que a aposentadoria chegue logo para eles.

N.E. Ainda não consigo entender como  a mídia no país compactua com esses indivíduos e suas idéias. Só pode ser um ódio de classe muito enraizado para dar espaço para esses absurdos.

Recordar é viver


Tuesday, April 6, 2010

Em 2004, pouco antes de fugir pro Reino Unido rodei um videoclipe pra uma banda de BH, o Ímpar. Eles estavam lançando um single, o “A + B”, e me convidaram pra fazer o clipe. Havia me esquecido dele. Foi bem simples, rodado em DV em um dia no estúdio da banda. Ele ganhou um prêmio no Rio, rodou na MTV e tals… Revendo, acho que ele ficou bem bacana e bonito. Tem idéias bacanas. Angulos interessantes, cortes e movimentos legais…

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Dois pesos, duas medidas.


Saturday, April 3, 2010

Enquanto Lula apanha da mídia, Aécinho recebe afagos da revista Veja. A “entrevista” é quase um informe publicitário. Leiam aqui.

“Se coloca no seu lugar, baixinho”


Thursday, April 1, 2010

Lula de novo, falando sobre o tratamento que a imprensa dá ao seu governo.

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Mídia. Esse vai ser uma grande questão a ser resolvida no Brasil nos próximos anos. É insustentável ainda termos no Brasil uma mídia tão enraizada e apegada a uma elite atrasada representada por PSDB e PFL. Lula, quando sair da presidência, vai colocar a boca no trombone. Ele já disse publicamente que vai contar todo o episódio de 2005, quando a imprensa o tentou o derrubar…

E se acontecer mesmo de ele ir pra presidencia do Banco Mundial, como Obama já expressou desejo, podemos ter CERTEZA de que o Banco Mundial financiará a criação de um grande grupo de mídia brasileiro, pra fazer frente aos Marinho e Civita da vida…

Briga boa!

Suporte pra Iphone


Saturday, March 27, 2010

O blog agora tem suporte pra Iphone. Se você, leitor querio, tem Iphone e quiser ler o blog quando tiver no busão ou no banheiro, agora pode. Fica assim ó:

Mais Ciro Gomes


Thursday, March 25, 2010

Ciro Gomes é um cara de extremo bom senso. Trechos de uma entrevista dele na TV Brasil que achei no Blog do Nassif… Ele fala sobre o que a mídia vai fazer pra não eleger a Dilma, e, principalmente, da obviedade de como funciona o sistema democrático brasileiro e ninguem parece ter compreendido.

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Bom senso talvez não deveria ser o suficiente pra tornar o Ciro um cara excepcional… Mas o quadrinho abaixo demonstra o porque ele é sim, excepcional.

TV Pública


Monday, March 22, 2010

Legal ver que o pessoal da TV Brasil tá fazendo um bom trabalho!

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Nada mal para uma TV tão nova…

O poder e a mídia


Monday, March 22, 2010

Hoje, na Folha online,

Na semana retrasada, Lula disse que, “neste país, eles [empresários da mídia] não estavam acostumados a ter um presidente da República que não precisa almoçar com eles, jantar com eles e tomar café com eles para governar este país”.

E aqui embaixo, uma fotinha, de um tal “Premio faz Diferença”, no Rio de Janeiro.

Na foto, tirada em 26/03/2009, Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, Jose Serra, governador de São Paulo, João Roberto Marinho, diretor das Organizações Globo, Aécio Neves, governador de Minas Gerais, Luis Fernando Pezão, governador do Rio em exercício e Marcelo Breda, governador de Sergipe.

Dois lados…


Saturday, March 20, 2010

Tudo e todo mundo tem dois lados.

No blog do Nassif hoje, tem uma entrevista do Ciro Gomes ao Valor Econômico. Duas coisas me chamaram a atenção, primeiro, o papel de Aécio Neves em desarticular o golpe que a mídia e o restante do PSDB tentavam dar em Lula em 2005. Segundo, o comentário de Ciro que diz que “o PSDB é o seguinte: eles [os tucanos] vivem embaixo de uma redoma, quando saem da rede de proteção da mídia, encontram um Brasil que não conhecem.”

Trecho do vídeo da entrevista de Ciro ao UOL, onde descreve o golpe.

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Trecho da entrevista onde ele cita o papel de Aécio em desarticular o golpe.

Valor: O senhor pode se candidatar ao governo de São Paulo na hipótese de Aécio Neves ser candidato do PSDB a presidente?

Ciro: Não. Eu disse ao presidente é que eu faço política por amor. Se, amanhã, alguém me diz: ‘o projeto está aqui mas nós vamos perder essa eleição porque Serra, em São Paulo, vai levar 6 milhões de votos e isso definirá a sua vitória a presidente’, aí é outra coisa. Mas eu não vejo esse cenário.

Valor: E por que a situação com Aécio poderia ser diferente?

Ciro: Vou fazer uma justiça a Aécio. Quando a CPI dos Correios começou a arquitetar o golpe contra o presidente Lula, o Aécio teve um envolvimento estratégico. No meio da crise, eu, Dilma, Márcio Thomaz Bastos [então ministro da Justiça] e Jaques Wagner [então ministro das Relações Institucionais] nos reuníamos diariamente às 7h para definir uma estratégia que era “Infantaria e Diplomacia” – eu dei o nome. Nós iríamos fazer o diálogo, a diplomacia. Fizemos uma lista daqueles nomes importantes da República e escalamos quem falaria com cada um. Bastos e [Antonio] Palocci ficaram escalados para conversar com o Fernando Henrique e com o Serra, e eu, com Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Fernando Gabeira [PV-RJ], José Carlos Aleluia [DEM-BA] – esta era a estratégia de diplomacia. E como infantaria, nós estimulamos um movimento para ocupar as ruas. O trabalho da diplomacia era dizer: ‘Daqui para trás: nós estamos vendo um componente golpista nisto, o presidente da República não será alcançado e nós não vamos tolerar isso’. Acabamos fazendo a manifestação na rua, só para mostrar que não estávamos blefando. O Aécio entendeu. Passou não só a concordar, mas a agir para desarmar a bomba. Muitas vezes ele mandou um avião para me buscar em Brasília às 9h da manhã, mandava o avião para pegar fulano, ciclano e beltrano da CPI e íamos para o hangar lá em Belo Horizonte. Lá brigávamos muito, mas chegávamos a acordos avalizados pelo Aécio. Ele nos ajudou a salvar o mandato do Lula. Invoco o testemunho de Gustavo Fruet [PSDB-PR] e Eduardo Paes [na época, PSDB-RJ]. O Aécio nos ajudou a desmontar a indústria da infâmia movida a partir do PSDB de São Paulo.

Valor: Existe a hipótese de Aécio ser candidato a presidente?

Ciro: Acho que sim. Com grandes chances. Se ele for o candidato, é porque Serra terá recuado voluntariamente, e daí Serra garante a ele o eleitorado em São Paulo. O segundo colégio é Minas, e Aécio tira 70% ou mais; o terceiro é o Rio, e ele entra melhor que o Serra; depois é o Nordeste. O Sul está hostil para nós. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o eleitorado é contra o PT, eu ainda entro, mas o Aécio entra com mais leveza. O problema é o Serra e o carreirismo dele, só pensa em si. O problema do PSDB é o seguinte: eles [os tucanos] vivem embaixo de uma redoma, quando saem da rede de proteção da mídia, encontram um Brasil que não conhecem.

Fiquei surpreso com a declaração de Ciro a respeito de Aécio. Serviu para me provar que, sim, todo mundo tem dois lados. Nada é cem por cento ruim. E nada é cem por cento bom. No episódio, Aécio parece ter demonstrado uma grandeza que seus companheiros de partido não tem. Uma compreensão do que a queda do presidente Lula significaria para o país, e especialmente, para o futuro do país. Principalmente, uma maturidade política que não se percebe em muitos políticos no Brasil.

Mas o segundo comentário de Ciro, sobre o “PSDB viver protegido pela redoma da mídia” me incitou a pensar o seguinte…  Se Aécio demonstra essa grandeza política, e se opõe ( e opos ) ao o que o PSDB paulista vem fazendo e articulando, porque diabos ele se utiliza das mesmas táticas e artimanhas que seus colegas paulistas articulam com a mídia para construir a sua imagem?

Recentemente, Aécio caiu nos louros da grande imprensa no Brasil. Com a inauguração da cidade administrativa (ou, o grande microondas na estrada para Confins), ele conseguiu se colocar nos holofotes novamente, e incitar muitos a questionarem se ele não seria a melhor opção para a candidatura a presidente pelo PSDB.

Devo dizer o seguinte… Quando a grande mídia começa a enxergar em Aécio uma alternativa para Serra, é só, e somente só, porque, para ela, qualquer PSDBista, é melhor na presidência do que Dilma Roussef. E se Aécio aparenta ter mais chances de ser eleito do que Serra…

Aécio também mostra muito mais paciência e tranquilidade que seus companheiros da grande mídia e dos partidos aliados. Aécio não se importa em esperar mais alguns anos, enquanto seus companheiros de partidos aliados e da mídia querem a todo o custo se verem livres de mais um governo do PT.

A democracia no Brasil precisa que Aécio Neves se fortaleca.

Mas, ao mesmo tempo, a democracia no Brasil precisa também de uma mídia melhor do que a que temos. Não vale nada Aécio Neves se fortalecer politicamente utilizando-se das mesmas artimanhas que vem sendo usadas a exaustão pelos seus colegas de partido. A mídia não é e não deve ser utilizada apenas como instrumento de construção de reputações e não deve ser utilizada para imacular a imagem de governantes.

A mídia deve ser utilizada para promover o crescimento individual. Deve servir como ferramenta para reflexão da sociedade em que está inserida. Utilizada como mera ferramenta de condução da opinião púlblica, limita não só a aqueles que nela trabalham, mas também quem a consome.

Insistir em utilizar  a mídia com essa função é insistir numa democracia manca e míope.

Btw ( by the way )!


Tuesday, March 16, 2010

Ressuscitei o blog… Estou numa fase de escrever novamente! Espero que alguém ainda leia isso!

Glauco no Google Reader


Tuesday, March 16, 2010

Hoje a sessão de quadrinhos da Folha apareceu assim no meu Google Reader. (Clique para ampliar)

Screen shot 2010-03-16 at 16.09.29

Humanidade


Thursday, July 16, 2009

Hoje fazem 40 anos que o homem pisou na lua. Foi então que Neil Armstrong entrou para a história como o primeiro homem a por os pés em solo lunar. Buzz Aldrin o seguiu.  As missões lunares seguiram por algum tempo até o público perder o interesse por elas e o projeto ter sido encerrado. Já fazem anos que o homem não visita mais o satélite do nosso planeta. O desafio de chegar lá já foi superado. A pergunta agora é, o que vem depois?

Há época quando Kennedy afirmou que o homem iria a lua, disse:

“There is no strife, no prejudice, no national conflict in outer space as yet. Its hazards are hostile to us all. Its conquest deserves the best of all mankind, and its opportunity for peaceful cooperation may never come again.”

O vídeo está aqui:

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O projeto durou anos, culminando com três homens embarcando em um módulo lunar, na ponta de um foguete gigante, correndo riscos inimagináveis. Ninguém tinha certeza se eles voltariam. Aquilo nunca havia sido feito antes. Fincaram uma bandeira norte-americana em solo lunar.

Poucos séculos antes, outros homens, liderados por um tal Cristóvão Colombo enfrentaram um desafio semelhante. Colombo desafiou o establishment, questionou idéias e quase foi punido pela Igreja Católica.  Mas mesmo assim entraram em algunas caravelas e rumaram para o Oeste. Não sabiam o que encontrariam. Não sabiam se voltariam. Descobriram o Novo Mundo.

Hoje, com as bases do mundo como o conhecemos nas últimas décadas se ruindo, o homem vê que ele é apenas homem. E que há mais lá fora e a ser feito do que garantir uma subsistência confortável, as custas do que esse planeta tem a oferecer.

O diretor da Nasa, Jesco von Puttkamer, em entrevista ao  Der Spiegel afirmou:

“Marte é o planeta do nosso destino. (…) Os seres humanos um dia pisarão em Marte e o habitarão. (…) Se este projeto for bem sucedido, a humanidade terá criado para si um segundo lar, para a eventualidade de um impacto de asteroide ou outra grande catástrofe acabar com a vida na Terra. Somente tendo Marte como um planeta reserva a raça humana se tornará realmente imortal.

E sobre os riscos, ele diz:

“Mas se desejarmos nos aventurar no Universo, precisaremos superar as nossas preocupações exageradas com a segurança. Se pudesse levar um agasalho bem quente comigo, eu embarcaria imediatamente em uma espaçonave para Marte.”

Ele aparentemente, não é o único. Bill Stoner, um renomado explorador, responsável por explorar cavernas e oceanos profundos, em uma palestra no TED, disse que está disposto a correr os riscos que forem necessários para ir a Lua até 2015 e extrair gelo, para que ali possa ser criado um “posto de abastecimento” para espaçonaves com destinos distantes. Marte, por exemplo…

A palestra de Bill está aqui, o trecho sob sua expedição lunar começa aos 10 mins e 50 segundos:

As principais diferenças entre o homem e os outros animais que habitam esse planeta são duas. Capacidade de adaptação e consciencia da nossa existência. Ambas estão relacionadas ao nosso intelecto. E são essas diferenças que levam o homem a sobreviver as condições dessa planeta e a humanidade a seguir em frente, explorar e garantir a sua perpetuação. Não temos apenas a consciência de existência como indivíduos, mas como espécie. Todas as ciências no mundo se dedicam a entender nossas origens, nossas condições e nosso futuro.

Talvez, a condição fundamental para que a raça humana seja imortal seja o desprendimento. Desprendimento tamanho só possível com um profundo desenvolvimento espiritual. Já imaginaram termos que abandonar o planeta que nos deu origem e tudo mais o que há aqui? Só assim para nos imaginar vivendo em Marte, na Lua, ou onde quer que seja.

Felizmente ciência e espiritualidade parecem, cada vez mais, caminhar passo a passo. E continuara assim, até o ponto de convergência, sabe-se lá onde seja no tempo.

Buzz Aldrin, em uma excelente entrevista ao Guardian conta que o maior desafio da missão lunar, não foi a missão em sí, mas o retorno a Terra.

“Após andar na Lua, o que mais resta a um homem?”

O interesse da Oposição no Brasil


Wednesday, July 15, 2009

Em entrevista a Paulo Henrique Amorim, o Senador Aloísio Mercadante fez uma análise profunda dos interesses por trás da CPI da Petrobrás que o PSDB e os DEMOS criaram no Congresso.

Colo aqui esse trecho:

“As grandes empresas mundiais de petróleo têm tecnologia, têm dinheiro, têm refino, têm distribuição, mas não têm reservas. Então, estão buscando reservas onde elas existem. O que foi a guerra do Iraque senão disputa por reservas estratégicas de petróleo? A guerra do Iraque não foi [motivada para combater] armas de destruição de massa. Está comprovado que não tinha. Nem era o problema de ditadura. Tem várias ditaduras no mundo e nem por isso os Estados Unidos as atacaram. A disputa estratégica ali é que metade das reservas… estão no Iraque. E as reservas usadas pelo governo de Saddam Hussein, que era uma ditadura… estavam vendendo derivados para a China.

Há uma grande disputa estratégica por reservas de petróelo. O Brasil  fez a mais importante descoberta de reservas de petróleo. Então, nós temos preservar que essas reservas para que fiquem sob controle. Não é deste governo, é do estado brasileiro, das futuras gerações. Que o Brasil administre isso a longo prazo. Não é como outros países que descobriram grandes reservas e erraram. É só olhar o que aconteceu com a Venezuela, com o Iraque, com o Irã, Arábia Saudita. O Brasil não pode repetir isso.

Ao atacar a Petrobrás, na realidade você está pensando em fazer um jogo que favorece a privatização dessas reservas, favorece manter o modelo anterior. Na medida em que o governo falou: vamos mudar as regras, começou o ataque à Petrobrás. Você pode olhar aí: no momento em que falou “vou mudar regras para manter o controle para manter o controle do estado brasileiro, da nação brasileira, das futuras gerações, sobre as reservas de petróleo”, começou o ataque à Petrobrás. Por quê? Porque ao fragilizar a Petrobrás, você abre um discurso que é melhor privatizar as reservas. Ao fortalecer a Petrobrás como empresa púbica, que é a segunda maior empresa do mundo hoje, é uma empresa que descobriu essas reservas, com essa diretoria que está aí. Foi assim que foram descobertas essas reservas. Eles foram até 7 mil metros de profundidade no pré-sal e descobriram.

Ao você vulnerabilizar a Petrobrás, você tenta manter o modelo anterior. Ao fortalecer a Petrobrás, que substitui importações, porque trouxe sondas, porque trouxe plataformas, porque gera empregos, porque a empresa se valorizou, você fortalece a mudança do modelo. Essa é a disputa da CPI. Essa é a disputa do Congresso.”

The News Tonight


Thursday, July 9, 2009

Estou voltando atrás no que eu disse há um tempo atreás. Jack Johnson é muito bom.

Essa música por exemplo, The News.

Vi no blog da Dri há um tempo atrás um vídeo de Ferreira Gular falando sobre Vinicius. Ele dizia que Vinicius era um cara alto-astral, e que “a vida é uma invenção, se você quer inventar pro ruim, você inventa pro ruim. Se você quer inventar pro bem, você inventa pro bem“.

The News de Jack Johnson tem a ver com o que Ferreira Gular diz, prestem atenção…

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A billion people died on the news tonight
But not so many cried at the terrible sight
Well mama said
It’s just make believe
You can’t believe everything you see
So baby close your eyes to the lullabies
On the news tonight

Who’s the one to decide that it would be alright
To put the music behind the news tonight
Well mama said
You can’t believe everything you hear
The diagetic world is so unclear
So baby close your ears
On the news tonight
On the news tonight

The unobtrusive tones on the news tonight
And mama said
Mmm

Why don’t the newscasters cry when they read about people who die
At least they could be decent enough to put just a tear in their eyes
Mama said
It’s just make believe
You cant believe everything you see
So baby close your eyes to the lullabies
On the news tonight

E é prestando atenção na mídia e na imprensa no mundo que você vê que, realmente, devemos “fechar nossos olhos para as canções dos jornais de hoje a noite“.  No Brasil, a Globo com sua história de joguetes e articulações. No Reino Unido os tablóides acusados de grampearem telefones de celebridades e políticos. Na Itália, Berlusconi. Enfim… Quando é que vamos parar de escutar o que o Murdoch, Ali Kamel, William Bonner e tantas outas figuras bizarras tem a nos dizer, e vamos passar a escutar a pessoas muito mais interessantes como Ferreira Gular, Jack Johnson, etc…?

Tá na hora do jornalismo ser reinventado. Pro bem.

Dr. Nickel


Tuesday, June 30, 2009

Link novo ali na sessão de blogs, dessa vez o blog do Dr. Nickel.

Alexandre Rubesam, o autor, é um amigão que concluiu recentemente seu PHD em finanças na City University em Londres. Durante meu período na Bloomberg, foi minha compania nos almoços, e em um desses almoços no ano passado ficamos com os olhos presos a um terminal testemunhando o crash da bolsa, especulando o que aconteceria depois.

Comparado com o que se lê de análises econômicos/financeiras na mídia brasileira, Rubesam pode sem problema algum ser tachado como genial. Tá, genial é exagero. Mas ele é sem dúvida, acima da média.

The Beatles Rock Band


Thursday, June 18, 2009

Um dos meus últimos trabalhos como editor. A abertura do Beatles Rock Band, que vai ser lançado agora em setembro. A produtora é a Passion Pictures, ganhadora de um Oscar, alguns Emmys e vários MTV Awards pelos clipes do Gorillaz. O diretor, Pete Candeland, é também o mesmo diretor dos clipes do Gorillaz.

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Uma versão em high-res pode ser vista no site do jogo, aqui: http://www.thebeatlesrockband.com/cinematic.php

Comentários


Thursday, June 18, 2009

Não sei o que anda acontecendo… Mas eu tenho atraído antipatia de algumas figuras por aí que entram aqui de quando em vez pra me esculachar… O último foi esse comentário aqui, deixado nesse post aí debaixo entitulado Hipocrisia.

  1. Gabriel Vaz Says:
    Engraçado … Você sabia que blogs, msn, orkut, e qualquer meio de rede social também é bloqueado em empresas privadas? Ah, sim! Me esqueci… Você adora falar mal do Governo de Minas… Seu video traz comparações que descontruidas se tornam um nada.. Tudo vira balela de um jovem querendo ganhar midia … provas! Isso sim é jornalismo! Fazer um video e postá-lo, é facil … mas eu gosto mesmo sao das provas! O bom jornalismo gosta delas também… Você as tem?! Vamos publicá-las tb! Vamos dar nomes aos bois!
  2. Gabriel Vaz Says:
    Mais uma coisa: me esqueci .. Uma pessoa que gosta tanto de se dizer a favor da liberdade de imprensa .. Pra que ter um moderador de respostas no blog???? Ora, vamos fazer juz a sua fama …
  3. Daniel Florencio Says:
    E ai Gabriel…Poisé, eu sei que msn, orkut, etc, são bloqueados em algumas empresas privadas. Não todas. Trabalhei numa mega-giga empresa de jornalismo. Uma multinacional. E tudo lá era liberado…Mas é isso… Enquanto uns inovam, tipo o Governo Norte Americano, que liberou o uso de Twitter e Facebook pelos militares. Veja bem, pelos militares!! O Governo Mineiro vai copiar a atitude das “empresas que bloqueiam”. Enfim… E tem mais. Empresa que bloqueia blog não leva Vint Cerf pra discursar dizendo o quão a internet é legal. Hipocrisia.

    Quanto ao filme. Bom, se eu fiz o filme pra ganhar mídia, então eu falhei. Porque ele não ganhou mídia nenhuma.

    Agora, se você disser que eu fiz o filme pra ele repercurtir, aí sim. Eu sou culpado mesmo. Qualquer diretor que faça um filme, qualquer que seja, e não deseja que ele repercuta deveria mudar de ramo. Sei lá… Virar bancário talvez…

    Quanto aos fatos, dados, etc, e etc, que você cobra aqui, sugiro que faça uma busca no Google por artigos no meu blog e no Observatório da Imprensa… Isso tudo ja ta respondido faz mais de um ano.

    Passar bem.

  4. Daniel Florencio Says:
    Ah! Quanto aos comentários moderados, acredito que você já ouviu falar de Spam né? Poisé…E pra te provar o quanto eu gosto dos comentários daqui, vou até criar um post novo com seu comentário e minha resposta. Você é bem vindo a enviar sua tréplica, ok?Abraços,

Hipocrisia


Tuesday, June 9, 2009

A falta de tato com o qual governos e mídia lidam com a internet, a multiplicidadede fontes de informação e a democrastização da mesma é no mínimo cômica. Sentindo que o chão abaixo dos seus pés está sumindo, e que os modelos em que foram baseadas suas estratégias comerciais e de comunicação se transforam em algo mais aberto e democrático buscam a qualquer custo ou

a) Entrar na onda.

b) Criticar novas práticas.

Vamos falar do modelo a) Entrar na onda.

O governo de Minas Gerais e seus marketeiros, queridinhos da mídia no estado, afeição essa proporcionada por generosas verbas publicitárias investidas nos veículos de comunicação, perceberam que a Internet, esse terreno livre (e no entanto, perigoso, pelo menos para eles) estava abrindo frente para críticas pesadas não só ao Governo, mas justamente sobre o comportamento da mídia em relação ao Governo. Blogs, vídeos, tweets, comentários, etc, etc, etc… É um sem fim de informação, onde a crítica que não entra no Jornalão de domingo, aparece ali no blog, no Youtube, e vai se viralizando via email…

Puxando a sardinha para o meu lado,  o meu vídeo Gagged in Brazil, feito para a Current TV é um excelente exemplo disso. Até hoje vem dando cerca de 1000 hits diários no YouTube, ele vem sendo passado por email, colocado em blogs, e enfim… Circulando. Como toda informação deve circular.

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Eis que o Governo de Minas Gerais, começa a investir pesado na Internet. Fazem muito bem, devo dizer. Excelente iniciativa. Constróem blogs, criam contas no twitter, e aumentam a presença oficial na rede. Em um recente evento, para mostrar como “o governo é in“, chamaram Vint Cerf, o chamado “criador da Internet” para posar ao lado do Governador e falar sobre o mundo online…

Vint Cerf e Aécio Neves
O Criador da Internet e o Governador

Em seu discurso, Cerf falou o que o Governo de Minas talvez ainda não consegue entender. Ou tenta fingir que não ouve. “A Web é feita por seus usuários”.

Mas todo esse show midiático e tentativa de mostrar “como são antenados” tem na realidade uma fundamentação meio porca… Um grande amigo em um cargo de chefia em uma Secretaria Estadual me relata como não consegue ler meu blog pois todo e qualquer blog é bloqueado na rede do Governo de Minas Gerais.

Ahn? Sim… Blogues são bloqueados em todos os órgãos do Governo de Minas Gerais. Assim como MSN, e redes sociais como Orkut, Facebook, etc…

De que adianta levar Vint Cerf para falar o quanto a Internet é bacana, se ali mesmo, dentro daquele palácio onde Governador e Criador da Internet se encontraram, não se pode usufruir do que ela tem a oferecer?

Pura hipocrisia. Enfim…

Vamos falar do item b) Criticar novas práticas.

Esse mês, a pouquíssimos dias atrás a Petrobrás resolveu criar um blog: http://petrobrasfatosedados.wordpress.com.

Alvo de uma CPI no Congresso com fins apenas políticos, e entendendo muito bem como a mídia opera, a Petrobrás resolveu escancarar suas informações pra quem quizer ver. Publica ali todos os dados referentes as acusações que vem recebendo, e mais, publica na íntegra as respostas dadas a jornalistas dos grandes Jornalões brasileiros. As perguntas e as respostas.

Pra que isso? Você deve perguntar. Porque é praxe nesses veículos distorcer respostas, enfiar insinuações onde não há, enfim, manipular as respostas pra atender a interesse X ou Y. Como evitar isso? Publicando a íntegra do que foi falado. Assim, fica difícil fingir que algo foi dito em certo contexto, quando na verdade foi dito em outro.

Os Jornalões piraram com a iniciativa… Criaram um tal “sigilo do entrevistador”. Algo do tipo, “ninguem pode saber que eu te entrevistei”. Inventaram agora também uma tal, “pergunta em off”, onde nenhuma das partes pode divulgar quais foram as perguntas.

O Globo chegou ao cúmulo de escrever a seguinte nota:

Petrobras vaza em blog informações obtidas por jornalistas

Empresa quebra confidencialidade de perguntas enviadas à assessoria de imprensa pelos veículos de comunicação

Alvo de suspeitas de má gestão e favorecimento político em contratos, a Petrobras criou um blog para vazar informações obtidas por jornalistas que investigam indícios de irregularidades nos negócios da estatal. Nos últimos dias, o blog quebrou a confidencialidade de perguntas enviadas à assessoria de imprensa da estatal por jornalistas dos principais veículos de imprensa do país. [Mais...]
Já foram alvo da tática da empresa profissionais do GLOBO, da “Folha de S.Paulo” e de “O Estado de S.Paulo”, que procuraram a Petrobras para cobrar esclarecimentos e ouvir a sua versão dos fatos antes de escrever as reportagens.

Papelão… O problema aqui foi o fato de a Petrobrás ter quebrado com o “esquema” tradicional onde um repórter perguntava, um editor editava um veículo de comunicação qualquer publicava da maneira que quizesse. Todo os filtros e mediadores foram cortados pela maior empresa do país, obrigando os Jornalões a serem, no mínimo, mais responsáveis em seu trabalho.

Em resumo, os Jornalões reclamam porque a Petrobrás ficou mais transparente.

Ora, mas os veículos de comunicação do país não deveriam prezar pela transparência também? Deveriam. Bem, como Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás, disse ontem a noite, no programa Roda Vida do qual participou, quando questionado por um jornalista qualquer se ele queria ensinar a imprensa como fazer seu trabalho, ele respondeu, “Sim, vamos ensinar aos jornalistas como fazer seu trabalho direito”.

Já não era sem tempo.

Jornal pra quê?


Wednesday, May 13, 2009

Até certo tempo atrás se questionava sobre a confiabilidade de conteúdo achado na Internet, “não se sabe a procedência”, “qual a credibilidade?”, etc, etc… Fazia sentido, mas aí acompanhando o desenvolvimento e o crescimento da Web começou-se a perceber que blogs, e sites pequenos (até então) tinham muito mais a perder do que os grandes jornalões. Jornalistas que escrevem blogs estão ali a dar sua cara a tapa. Qualquer escorregão seria um dano imediato a sua credibilidade. Há de ser muito mais responsável quando assina-se o veículo em que seu conteúdo está sendo publicado.

Algo com que os jornalões não tem o menor comprometimento. Aliás, aparentemente nunca tiveram. Sempre funcionaram a fim de moldar a opinião pública e nunca refleti-la. E hoje, os exemplos do seu descomprometimento se acumulam, nos deixando a dúvida, “Jornal pra que?”, se não dá pra confiar no que ali está escrito?

Há pouco tempo atrás houve o caso da tal “ficha policial de Dilma Roussef”, publicada na capa da Folha de São Paulo, onde lia-se que Dilma havia planejado o sequestro de Delfim Neto há época da ditadura.Tudo mentira. A ficha inclusive, que era uma montagem tosca feito no Photoshop e a qual a folha nunca explicou aonde havia encontrado. Dilma, sendo acusada de algo que nunca aconteceu enviou a folha uma carta, que também nunca foi publicada.

Aqui a primeira página da Folha (clique para ampliar ):

E a tal “ficha policial” photoshopada de Dilma (clique para ampliar):

Jorge Furtado, o cineasta, falando sobre o assunto em seu blog escreveu,

“Quando publica como verdade aquilo que sabe que é mentira, um jornal deixa de ter qualquer utilidade.”

Poisé, eis que ontem mesmo, na capa do Globo, uma situação um pouco parecida, mas desta vez com o Lula e uns manifestantes em Brasília. A chamada da capa dizia que “Lula enfrenta protesto” em Brasília.

Na realidade os manifestantes protestavam contra o governo do Distrito Federal, e Lula foi lá perguntar por que eles tavam protestando, explicando que eles deveriam ter as reivindicacoes no papel e etc, basicamente ensinando o povo como as coisas funcionam, quando eles começaram a gritar, “Lula eu te amo!”.

O assunto repercutiu pela web, e no O Globo de hoje, eles foram obrigados a fazer a errata na primeira página, como a imagem abaixo mostra:

“Lula e os manifestantes – Texto da primeira página do Globo de ontem deu a entender que o presidente Lula teve enfrentamento (sic) com manifestantes. Pelo (sic) contrário, ele ‘ganhou’ (sic) o grupo, como registra corretamente a reportagem da página quatro.”

Daí me pergunto… Jornal pra quê?

Bom, lá em casa a maior utilidade do “Estado de Minas”é ser o banheiro do cachorro…