Skip to Content Skip to Search Go to Top Navigation Go to Side Menu






E agora José?


Saturday, October 30, 2010
YouTube Preview Image
José
1960 – ANTOLOGIA POÉTICA

Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…

Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Bolinhagate 2


Wednesday, October 27, 2010

Sobre o “segundo objeto que atingiu José Serra”, objeto do vídeo que postei abaixo, a Associação dos Peritos Criminais Federais divulgou a seguinte nota, publicada por Luiz Carlos Azenha.

Nota da Associação dos Peritos Criminais Federais (APCF)

O código de processo penal determina a realização de exame pericial, por peritos oficiais, em todos os crimes que deixam vestígios. No caso, o candidato José Serra deveria ter registrado a ocorrência e ser submetido a exame de corpo de delito, por peritos oficiais, para verificação de suposta lesão.

A imprensa noticiou que o PSDB entraria com uma representação junto ao Ministério Público Federal para que a Polícia Federal investigasse as supostas agressões. Dessa forma, a perícia oficial, que tem autonomia para realização dos exames periciais, poderá se pronunciar no caso através do laudo pericial.

A partir das imagens reproduzidas pela mídia não há condições de se afirmar categoricamente a natureza e a massa do segundo objeto supostamente arremessado contra o candidato José Serra, nem que o mesmo tenha causado alguma lesão na cabeça do referido candidato. Somente a realização de perícia no vídeo original,a ser realizada por peritos oficiais especialistas na matéria, poderá fornecer informações conclusivas sobre o caso e os fatos ocorridos.

Assim, é temerário que se tome como fato real a conclusão de profissionais que não pertençam aos órgãos oficiais de perícia criminal, pois esses profissionais não necessariamente possuem compromisso com a verdade.

Octávio Brandão Caldas Netto e Hélio Buchmüller Lima
Presidente e vice-presidente da APCF
Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais

Bolinhagate


Monday, October 25, 2010

Chegando ao trabalho na 6a feira passada pela manhã me deparei com a matéria do Jornal Nacional aonde a Globo se esforçava para nos fazer acreditar que Serra havia sido atingido por um segundo objeto, e que isso estava registrado em um vídeo gravado em celular por um repórter da Folha de S. Paulo. Essa foi a matéria do Jornal Nacional:

Não colou. A própria Folha de S. Paulo, quando exibiu as imagens em seu site, em nenhum momento havia dito de que se tratava de um registro do momento em que algo atinge José Serra.

O esforço editorial do Jornal Nacional em desfazer o mal estar causado pela encenação de José Serra com a tal bolinha de papel, e tentar penalizar a conseguinte reação de Lula foi evidente. Evidente e ridículo.

Mais evidente ainda foi a forma tosca e rudimentar com que tentaram manipular as imagens originalmente gravadas pela Folha. Trabalho com cinema e vídeo já há 10 anos, revezando nas funções de editor e diretor. Sento diariamente em frente a um computador para trabalhar com imagens em movimento. Já dirigi trabalhos de animação e que envolvem efeitos visuais. A manipulação tosca das imagens na matéria do Jornal Nacional me saltou aos olhos e me senti na obrigaçnao de gastar algumas poucas horas da minha 6a feira para editar o seguinte vídeo, aonde desconstruí a montagem de má fé realizada pelo Jornal Nacional:

YouTube Preview Image

Não só meu vídeo, mas outros foram postados no Youtube, além de outras análises mais detalhadas da tentativa crassa da Globo em manipular as imagens. As análises parecem ter surtido efeito, e a Globo, novamente, analisou as imagens com outro perito que concluiu, para nosso espanto, que sim, algo atingiu José Serra. O primeiro, como visto na matéria do Jornal Nacional foi realizado por Ricardo Molina, um perito que foi demitido da Unicamp em 2001 por “uso indevido de verba pública, como descreve essa matéria da Folha.

O novo relatório produzido por um escritório de perícia, chega ao ridículo de analizar UM FRAME apenas da sequência de vídeo. Constatam a presença de um “objeto cilíndrico”, a partir da análise de um frame, e não da SEQUENCIA DE FRAMES. Ora, se estamos tratando de vídeo, que no Brasil grava a 30 frames por segundo, porque iriamos analisar apenas um frame desse vídeo?

Não analisam toda a sequência de vídeo, porque é justamente analisando TODA A SEQUENCIA que verificamos que o tal objeto cilindrico, não é um objeto cilindrico.

Analisando toda a sequencia, o que vemos surgir encima da cabeça de José Serra e que a Globo com a corrobaração de duas perícias mal feitas insinuam ser um “objeto cilíndrico e transparente”, é, na realidade o topo da cabeça de uma pessoa que, no vídeo, se localizava atrás de José Serra. Como a resolução das imagens captada pelo celular é baixissima, as imagens são “borradas”, e não muito bem delimitadas. Esse outro fato, extremamente relevante para uma perícia bem feita, nao foi ao menos CITADA por nenhuma das perícias.

Tive o cuidado de analisar a sequencia inteira de frames, observando toda a trajetória da cabeça da pessoa que está atras de Serra. Observem ( clique para ampliar ):

Manifesto de artistas e intelecutais pró Dilma.


Sunday, October 17, 2010

Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff.

Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.

Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desiguladade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.

Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.

Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.

Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado. Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.

Leonardo Boff
Chico Buarque de Holanda
Oscar Niemeyer
Aderbal Freire Filho – diretor de teatro
Alcides Nogueira – dramaturgo e roteirista
Alcione – cantora
Aldir Blanc – compositor e escritor
Álvaro Caldas – jornalista
André Klotzel – cineasta
André Luiz Oliveira – cineasta
Anne Pinheiro Guimarães – cineasta
Antonio Grassi – ator
Argemiro Ferreira – jornalista
Armando Freitas Filho – poeta
Beth Carvalho – cantora
Beth Formaggini – cineasta
Carlos Augusto Brandão – crítico de cinema
Carlos Brandão
Celso Frateschi – ator e diretor
Chico Cesar – cantor e compositor
Chico Diaz – ator
Claudia Furiati – historiadora e escritora
Cláudio Baltar – diretor
Cristina Buarque de Hollanda – cantora
Daniel Sroulevich – produtor cultural
Daniel Souza – designer e empresário
Dau Bastos
Débora Duboc – atriz
Dira Paes – atriz
Domingos de Oliveira – diretor teatral, cineasta
Edgar Vasques – cartunista
Ednardo – cantor
Eduardo A. Russo – crítico de cinema
Eduardo Figueiredo – produtor teatral
Eric Nepomuceno – jornalista e escritor
Eryk Rocha – cineasta
Felipe Radicetti – compositor
Geraldo Moraes – cineasta
Geraldo Sarno – cineasta
Helena Sroulevich – produtora cultural
Helvécio Ratton – cineasta
Hermano Figueiredo – cineasta e cineclubista
Hugo Carvana – ator e cineasta
Janaina Diniz – cineasta
Jesus Chediak – cineasta e produtor cultural
João Bosco – cantor e compositor
João Carlos Couto – dramaturgo e produtor teatral
Joel Pizzini – cineasta
Jorge Furtado – cineasta
José Joffily – cineasta
José Roberto Filippelli
Karen Acioly – diretora teatral
Leopoldo Nunes – cineasta e agente cultural
Lucélia Santos – atriz
Lucia Murat – cineasta
Lúcia Rocha – curadora do Tempo Glauber
Lucília Garcez – escritora
Lucy Barreto – produtora
Luiz Antonio de Assis Brasil – escritor
Luiz Carlos Barreto – produtor
Luiz F. Taranto – jornalista e cineasta
Luiz Fernando Lobo – diretor artístico e ator
Luiz Fernando Lobo – diretor teatral
Manfredo Caldas – cineasta
Marcelo Laffitte – cineasta
Marcos Souza – músico e jornalista
Mariana Lima – atriz
Marieta Severo – atriz
Marília Alvim – cineasta
Mario Prata – escritor e dramaturgo
Marquinhos de Oswaldo Cruz
Maurice Capovilla – cineasta
Maurício Machado – ator
Miguel Paiva – escritor e humorista
Miúcha – cantora
Monarco – compositor
Monique Gardenberg – cineasta e diretora de teatro
Murilo Salles – cineasta
Nelson Sargento – compositor
Nei Lopes – compositor e escritor
Noilton Nunes – cineasta
Orã Figueiredo – ator
Otto – cantor e compositor
Paloma Rocha – cineasta
Paula Gaitán – cineasta e artista plástica
Paulo Betti – ator
Paulo Halm – roteirista e cineasta
Pedro Cardoso – ator
Raquel Karro – atriz
Ricardo Cota – Secretário de Comunicação do Governo do RJ
Ricardo Cravo Albin – jornalista, historiador e pesquisador da MPB
Ricardo Gontijo – jornalista
Roberto Berliner – cineasta
Roberto Gervitz – cineasta
Roberval Duarte – cineasta e produtor cultural
Rodrigo Targino – cineasta
Rogério Correa – cineasta
Rosa d`Aguiar Furtado – jornalista, tradutora (viúva de Celso Furtado)
Rosemary – cantora
Rosemberg Cariry – cineasta
Rubens Rewald
Ruth Rocha – escritora
Ruy Guerra – cineasta
Sandra Werneck – cineasta
Sara Rocha – produtora de cinema
Sérgio Sá Leitão – cineasta e administrador público
Silvia Buarque de Hollanda – atriz
Silviano Santiago – escritor
Sylvia Moreira – arquiteta, cenógrafa
Tata Amaral – cineasta
Tia Surica -sambista
Toni Venturi – cineasta
Tuca Moraes – atriz e produtura
Vania Cattani – cineasta
Vicente Amorim – cineasta
Vinícius Reis – cineasta
Vladimir Carvalho – cineasta
Wagner Tiso – músico
Walter Carvalho – cineasta
Walter Lima Júnior – cineasta
Wolney Oliveira – cineasta
Ziraldo – desenhista, escritor, pintor
Frei Betto
Emir Sader
Álvaro Caldas – jornalista
Ricardo Gontijo – jornalista
Regina Zappa – jornalista e escritora
Padre Ricardo Rezende
Paulo Sergio Niemeyer
Vera Niemeyer
Tulio Mariante – designer

Censura eu, Folha!!


Tuesday, October 5, 2010

Na semana passada, uma forte crise nostálgica atingiu a família Frias. Podia ser saudade dos anos 80, época em que a Folha de S. Paulo era chamado de “jornal das Diretas” e tido como um legítimo aliado das lutas democráticas. Mas não. A Folha sentiu saudade foi dos bons e velhos anos 70. E não era vontade de usar costeletas, vestir calças boca-de-sino e dançar Staying Alive. Era a saudade da rigidez viril dos anos de ditadura, quando a Folha era uma maria-caserna tão próxima dos generais que emprestava seus carros para as ações de tortura e morte de “inimigos do regime” praticadas pelos paramilitares da Operação Bandeirantes.

Em 30 de setembro, o jornal conseguiu uma liminar que obrigava os irmãos Lino eMario Bocchini a tirar do ar o conteúdo da Falha de S. Paulo, um site de humor que tirava um barato do indisfarçável viés pró-tucano que aterrissou com mais força do que nunca na Barão de Limeira dos últimos tempos. Os dois foram obrigados a remover do ar todo o conteúdo do site, sob pena de pagar multa diária de R$ 1.000. Segundo Lino, a empresa nem chegou a enviar uma notificação extrajudicial ou um pedido por e-mail: já foi logo apelando para o processo. Assim, a seco, sem KY nem piedade.

— É chocante a hipocrisia da Folha. Se isso não é censura e um atentado inaceitável à liberdade de expressão, juro que não sabemos o que é. Chega a ser cômico: o mesmo jornal que faz dezenas de editoriais acusando o governo de censura e bradando indignado por ‘liberdade de expressão’ comete esse ato violento de censura — afirmava o site, no seu último comunicado. Que também teve de sair do ar, neste final de semana, porque ate o domínio falhadesaopaulo.com.br acabou congelado no Registro.br por conta da decisão judicial.

Folha não teve a menor vergonha de apelar para a censura. A advogada do jornal, Taís Gasparian, alegou que a intenção não era censurar o site, mas impedir o uso indevido da marca Folha de S. Paulo. Para o Portal Imprensa, a advogada deu a entender que ainda foi boazinha, pois podia ter pedido multa diária de R$ 100 mil.

Taís Gasparian é a mesma advogada que defendeu o direito da Folha de S. Paulo de publicar fotos do Raí pelado no vestiário do São Paulo ou o direito do colunistaJosé Simao de afirmar que Juliana Paes tinha a bunda grande e não era casta. Na época em que o Macaco Simão foi vítima de censura judicial por conta destas “afirmações polêmicas”, Dona Taís disse na própria Folha que a decisão do juiz tratava

“o humor como ilícito e, no fim das
contas, é a mesma coisa que censura”.

Entendeu? Olha só, Lino, Dona Taís já deixou pronta a linha de defesa que vocês podem usar. É só copiar as mesmas alegações que a Folha usou em casos semelhantes — quando era vítima, e não autora, de censura. A mesma Folha que transforma qualquer reclamação de Lula sobre a imprensa em ameaça à liberdade de expressão, mas se cala quando reclamações semelhantes, ou até piores, partem de José Serra.

Mas a Folha vai ter muito trabalho se quiser censurar a internet. Sem consultar os responsáveis pela Falha de S. Paulo, o Boteco Sujo recorreu ao cache do Google e encheu esse post de imagens do site censurado. O Mundo Cane, do mano Gio Mendes, vai fazer a mesma coisa. E um outro site já fez um espelho de todos os posts proibidos do Falha.

YouTube Preview Image

Você tem blog, Tumbrl, Orkut, Facebook, o escambau? Vai lá, faça a mesma coisa. Vamos nos apropriar indevidamente da Folha e denunciar o “jornal das Diretas” que virou censor. Dona Taís vai ter muito trabalho para conseguir censurar a todos.

Censura pode vir de onde menos se espera. Por isso, todo cuidado é pouco. A dita é branda? É, mas trisca pra ver se não fica dura.

Post copiado do Boteco Sujo.

Quadrilha


Wednesday, September 22, 2010

Original de Drummond adaptado para a Folha, Veja e o O Globo.

Quadrilha

Ministro envolvido com acusado de roubo

João era Ministro e amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história e foi acusado de roubo.

E o original, de Carlos Drummons de Andrade,

QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Introducing London


Monday, September 13, 2010

null

A prefeitura de Londres iniciou uma campanha pro pessoal tirar as bicicletas da garagem e as utilizar como meio de transporte. O filme abaixo, que está sendo veiculada nos cinemas, dá bem o tom da coisa, e casa com o momento onde a cidade ganhou as bicicletas de aluguel, da foto acima. A mensagem é: De bicicleta, você conhece a cidade.

Blogs sujos


Saturday, September 11, 2010

Segundo José Serra, blogs que dizem o que ele não gosta são blogs sujos. Esse aqui deve ser um deles.

O jogo de Noblat. O jogo da velha mídia.


Tuesday, September 7, 2010

Ricardo Noblat, colunista de política do O Globo, talvez o mais importante do país, recebeu um artigo meu, reproduzido ao final desse posto, ontem, 2a feira dia 06/09 pela manhã. Na semana anterior, na 5a feira dia 02/09 ele havia me proposto assinar um artigo para seu blog, com a condição que eu pudesse provar o que iria dizer.

O assunto do artigo, é o mesmo do meu post Aécio Vs. Serra, publicado aqui no blog na mesma 5a feira, dia 2 de setembro. Da grande possibilidade de que o sigilo de Verônica Serra tenha acontecido fruto da guerra interna no PSDB entre José Serra e Aécio Neves, tendo partido de investigações conduzidas pelo jornal Estado de Minas.

Não seria muito difícil provar o meu ponto, pois todas as informações estão presentes em matérias veiculadas pela própria imprensa. Amaury Ribeiro, repórter do Estado de Minas a época da quebra do sigilo deu diversas entrevistas sobre a investigação que conduzia sobre José Serra. Basta ler o que já publicou O Globo, a Folha de São Paulo e a Carta Capital sobre o assunto.

Noblat no entanto não me respondeu aos emails sobre o artigo. Havia perdido o interesse e o artigo não foi publicado.

É sabido em todo o meio jornalístico qual era a missão do repórter investigativo Amaury Ribeiro no Jornal Estado de Minas. Mas mesmo assim, a velha mídia insistia e continua insistindo na versão de que os dados de Verônica Serra foram violados pelo PT por motivos políticos, e não durante uma guerra interna entre os tucanos.

Noblat, resistia e resiste em CITAR a versão aonde os personagens são Serra, Aécio, o Jornal Estado de Minas e o repórter Amaury Ribeiro. Quando finalmente, a candidata do PT cita essa versão, Noblat, que normalmente reproduz matérias e artigos na íntegra no blog, reproduziu assim a fala de Dilma:

Noblat omitiu em seu blog o trecho da matéria onde Dilma mencionava o Jornal Estado de Minas, Aécio e o repórter Amaury Ribeiro, deixando apenas o link para a matéria completa no site da Folha.

Visto diante da impossibilidade de continuar omitindo essa versão, já que candidata que detém 55% das intenções de voto já a havia trazido a publico, ele então publica o seguinte comentário entitulado: “Dilma, a boateira“, onde classifica as aventuras do Jornal Estado de Minas e a investigação de Amaury Ribeiro como “boatos” e não como fatos, e acusa a candidata de utilizar a versão como “vacina”.

O colunista tem tanta fé no PSDB e em José Serra que não passa pela sua cabeça de a versão deles ser inveridica. O que ele tenta esconder, é que diante dessa perspectiva, a versão de Dilma surge na realidade não como “vacina”, mas sim como “antidoto”.

Segue o artigo enviado para Noblat, e não publicado:

As estradas levam a Minas

“Indignação. É com esse sentimento que os mineiros repelem a arrogância de lideranças políticas que, temerosas do fracasso a que foram levados por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador Aécio Neves.

Pior. Fazem parecer obrigação do líder mineiro, a quem há pouco negaram espaço e voz, cumprir papel secundário, apenas para injetar ânimo e simpatia à chapa que insistem ser liderada pelo governador de São Paulo, José Serra, competente e líder das pesquisas de intenção de votos até então.”

Esses dois parágrafos abrem o editorial do Jornal Estado de Minas do dia três de fevereiro de 2010, quando da oferta da vice-candidatura a Aécio Neves na chapa encabeçada por José Serra. A oferta seria recusada pelo mineiro.

Terça feira, dia 31 de Agosto de 2010. 5 meses depois. Entrevista do então candidato a presidencia pelo PSDB José Serra no Jornal da Globo. O candidato que na pesquisa Ibope está 27 pontos atrás de sua adversária Dilma Roussef lança uma acusação a sua adversária. Ela e o seu partido foram responsáveis pela violação do sigilo fiscal de sua filha, Verônica Serra, divulgada pela Receita Federal no dia anterior.

Dilma que tem 51% das intenções de voto tem grandes chances de se eleger já no primeiro turno.

O que se vê a partir daí é a repercussão em seu programa eleitoral e na mídia da acusação iniciada pelo candidato no telejornal do dia anterior.

A imprensa investiga o caso e descobre uma série de irregularidades, falsificação de documentos, de assinaturas, e um despachante que teria sido filiado ao PT.

E no calor da campanha eleitoral supõe-se de imediato que a violação atenderia ao PT e a candidatura de Dilma Roussef, especialmente tendo o PT em seu currículo outros casos semelhantes.

Mas a motivação da violação não pode ser apenas suposta. Deve ser provada. Quem, quando e porque violaram os dados fiscais de Verônica Serra?

Histórico

A violação do sigilo de Verônica ocorreu em  setembro de 2009. Há um ano atrás, quando Dilma nem Serra eram ainda candidatos.

A época, dentro do PT, Lula se movimentava para lançar Dilma Roussef, e o PSDB ainda debatia sobre quem seria o candidato, Aécio Neves ou José Serra. O editorial do jornal Estado de Minas dá bem o tom da batalha que se travou nessa disputa interna entre os tucanos.

Relatos contam que em São Paulo, aliados de Serra investigavam a vida de Aécio Neves. Em resposta, aliados de Aécio em Minas passaram a investigar José Serra. Ambos os lados se preparavam para uma guerra de contra-informação.

Do lado de Aécio, um dos repórteres escalados para a missão foi Amaury Ribeiro. Premiado repórter investigativo, ele foi contratado pelo Jornal Estado de Minas.

Em entrevista a Revista Carta Capital em 4 de junho, Amaury Ribeiro descreve sua missão:

“À época, explica, havia uma movimentação, atribuída ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), visceralmente ligado a Serra, para usar arapongas e investigar a vida do governador tucano Aécio Neves, de Minas Gerais. Justamente quando Aécio disputava a indicação como candidato à Presidência pelos tucanos. “O interesse suposto seria o de flagrar o adversário de Serra em situações escabrosas ou escândalos para tirá-lo do páreo”, diz o jornalista. “Entrei em campo, pelo outro lado, para averiguar o lado mais sombrio das privatizações, propinas, lavagem de dinheiro e sumiço de dinheiro público.””

Em 2009 quando o embate Aécio vs. Serra era mais intenso aconteceu então a quebra do sigilo da filha de Serra, Verônica.

Uma matéria da Folha de 5 de junho descreve a investigação realizada por Amaury no Estado de Minas:

“Repórter investigativo com passagens por Folha, “O Globo” e “Jornal do Brasil”, ele foi escalado para apurar eventuais irregularidades relacionadas ao outro presidenciável tucano, Serra.

O resultado das apurações do jornalista nunca foi publicado pelo jornal. “Ele trabalhava em várias investigações. Essa investigação específica não estava concluída quando ele pediu demissão no final de 2009″, diz o diretor de Redação do “Estado de Minas”, Josemar Gimenez.”

Na redação do Estado de Minas, Amaury era o principal responsável pelas investigações sobre José Serra. Repórter especial, sua rotina não envolvia bater ponto na redação, tinha o horário mais flexível, entrava e saía quando quizesse e viajava sempre que necessário.

Amaury pediu demissão do Estado de Minas em novembro de 2009. Dois meses antes, em setembro, o sigilo fiscal de Verônica Serra havia sido violado.

A briga interna no PSDB seria solucionada sem a necessidade de armas, pois Aécio Neves desiste da pré-candidatura em dezembro daquele ano. O repórter tinha então em suas mãos uma série de informações coletadas sobre José Serra que editou em um livro entitulado “Os porões da privataria” que prometeu publicar após as eleições.

Na introdução de seu livro o jornalista discorre extensamente sobre movimentações financeiras e o envolvimento de Verônica Serra em empresas no Brasil e no exterior.

Mas e o PT?

Do lado do PT, em setembro de 2009 a candidatura de Dilma Roussef não existia, e o partido ainda não conhecia o seu adversário, já que Aécio só desistiria da pré-candidatura em dezembro.

Deve-se ainda lembrar das boas relações do PT e PSDB em Minas Gerais. Ao contrário do que ocorre no resto do país, em Minas os dois partidos dialogam bem. O atual prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, foi eleito fruto da coalisão entre o ex-prefeito Fernando Pimentel do PT e Aécio Neves.

Amaury, meses depois de se demitir do Estado de Minas, vai trabalhar na campanha de Dilma Roussef, exatamente ao lado de Fernando Pimentel. Após acusações de que Pimentel e a pré-campanha de Dilma estariam produzindo um dossiê sobre Serra, Pimentel abandona a coordenação e Amaury vai para a TV Record, onde trabalha hoje.

O fato, no entanto é que a referida quebra do sigilo de Verônica Serra ocorreu quando Amaury Ribeiro ainda era funcionário do jornal Estado de Minas e preparava um eventual contra-ataque de Aécio a Serra.

Se o responsável pela quebra do sigilo foi Amaury ou qualquer outro reporter resta a Polícia Federal investigar. Mas pelo silêncio do Jornal Estado de Minas na semana passada, estampando manchetes sobre poluição em Belo Horizonte, enquanto os jornais no resto do país noticiavam o escandalo, é de se desconfiar que as estradas da quebra do sigilo de Verônica levam a Minas Gerais.


Capa Estado de Minas, 5a feira, 2 de setembro de 2010.

O PSDB


Saturday, September 4, 2010

As primeiras frases de uma matéria sobre FHC, essa semana, na Isto é:

“Já passava das quatro da tarde, na quarta-feira 1º, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se deu conta de que estava prestes a perder o voo que o levaria para a Alemanha no início daquela noite. Correu até o escritório que mantém em seu amplo apartamento no bairro de Higienópolis, desligou o computador, colocou um moderno iPad numa pasta e deu um conselho brincalhão às duas empregadas que o servem: “Estou indo, cuidem de tudo aí e não vão comer toda a comida”, disse,”

Trecho de entrevista em vídeo dada recentemente por Mano Brown sobre José Serra:

Aécio Vs. Serra


Thursday, September 2, 2010

José Serra foi ao Jornal da Globo de anteontem e acusou Dilma Roussef, candidata a Presidência da República, a quem as pesquisas dão mais de 55% dos votos válidos no 1o turno, de criminosa e de violar o sigilo fiscal de sua filha, Verônica.

A violação do sigilo de Verônica ocorreu em 2009. 1 ano atrás, quando Dilma nem Serra eram ainda candidatos a nada. Em 2009 mesmo, tomou-se conhecimento da violação através de informações em blogs.  Somente agora, há 30 dias das eleições, Serra resolve indignar-se.

Está corretissimo em indignar-se, pois é sim um fato grave. Mas com um ano de atraso, e as vésperas das eleições denota oportunismo eleitoral.

Serra acusa o PT e Dilma de violarem o sigilo fiscal de sua filha. Globo, Folha, Estadão vão atrás investigar o caso, como se fosse algo novo. Recente. E já partem da premissa que foi autoria do PT.

Uma historinha

Em 2008 quando meu documentário “Gagged in Brazil” foi ao ar na Current TV, alguns amigos de Belo Horizonte, metidos no meio político e em campanhas eleitorais me perguntavam preocupados via MSN, “Daniel, você recebeu dinheiro do Serra?”.

Esse absurdo que me incomodou bastante, e que pra mim não fazia o menor sentido começa a se esclarecer agora…

A época, quando ainda se debatia dentro do PSDB quem seria o candidato a presidência em 2010, uma batalha interna se iniciou entre Aécio Neves e José Serra.

Supostamente, Serra preparava um dossiê contra Aécio. Em resposta, Aécio começou a preparar um dossiê contra Serra, através do Jornal Estado de Minas, seu grande aliado nas Gerais.

Um dos repórteres escalados para a missão foi Amaury Ribeiro. Respeitado repórter investigativo que correu atrás de todas as informações possíveis sobre Serra, para a guerra de contra-informação que se esperava entre os dois tucanos.

Em um texto da Carta Capital, Amaury Ribeiro descreve o ocorrido:

À época, explica, havia uma movimentação, atribuída ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), visceralmente ligado a Serra, para usar arapongas e investigar a vida do governador tucano Aécio Neves, de Minas Gerais. Justamente quando Aécio disputava a indicação como candidato à Presidência pelos tucanos. “O interesse suposto seria o de flagrar o adversário de Serra em situações escabrosas ou escândalos para tirá-lo do páreo”, diz o jornalista. “Entrei em campo, pelo outro lado, para averiguar o lado mais sombrio das privatizações, propinas, lavagem de dinheiro e sumiço de dinheiro público.””

A briga interna no PSDB foi solucionada sem a necessidade de armas, mas Amaury Ribeiro tinha então uma coletânea enorme de informações comprometedoras sobre Serra. Como o Estado de Minas não faz jornalismo, mas sim política, nenhuma matéria comprometedora sobre Serra foi publicada. Amaury pegou o material e editou em um livro chamado “Os porões da privataria” que prometeu publicar após as eleições.

Tudo isso aconteceu a partir de 2008. Em 2009 quando o embate Aécio Vs. Serra era mais intenso, foi  que aconteceu a quebra do sigilo da filha de Serra, Verônica.

Uma matéria da Folha sobre o “dossiê” diz sobre Amaury:

“Repórter investigativo com passagens por Folha, “O Globo” e “Jornal do Brasil”, ele foi escalado para apurar eventuais irregularidades relacionadas ao outro presidenciável tucano, Serra.

O resultado das apurações do jornalista nunca foi publicado pelo jornal. “Ele trabalhava em várias investigações. Essa investigação específica não estava concluída quando ele pediu demissão no final de 2009″, diz o diretor de Redação do “Estado de Minas”, Josemar Gimenez.”

Na redação do Estado de Minas, não era dito abertamente que Amaury investigava José Serra. Repórter especial, sua rotina não envolvia bater ponto na redação, tinha o horário mais flexível, entrava e saía quando quizesse e viajava sempre que necessário.

Amaury pediu demissão do Estado de Minas em novembro de 2009.

2 meses antes, em setembro, o sigilo de Verônica Serra havia sido violado.

Na introdução de seu livro “Os porões da privataria”, já divulgado em vários websites, Amaury discorre extensamente sobre movimentações financeiras e o envolvimento de Verônica Serra em empresas no Brasil e no exterior. ( Veja texto ao fim do post )

Por outro lado, não haveria, em setembro de 2009, interesse algum do PT, ou de Dilma Roussef ( que nem candidata a candidata era ) de investigar a informação que fosse sobre José Serra, mesmo porque a guerra interna do PSDB ainda haveria de decidir se o candidato a presidência seria ele ou Aécio Neves.

Oportunismo

Serra, o PSDB e a mídia, oportunisticamente, revivem a história da quebra do sigilo de Verônica e acusam incessantemente o PT e Dilma Roussef.  Sem o menor pudor, afirmam que “o PT é responsável pelo crime”, como se fatos e datas fossem irrelevantes ou não existissem.

José Serra em todas as entrevistas dadas nos últimos dias utiliza sempre  os termos “Dilma”, “Violação” e “Criminosa”, em um esforço visível de fazer colar a ligação entre as 3 palavras.

A realidade mais plausível que Serra e o PSDB conhecem é que essa violação partiu de dentro do jornal Estado de Minas para abastecer uma batalha de contra-informação do próprio PSDB.

Mas, com a candidata petista com grandes chances de vencer no 1o turno com uma maioria esmagadora, vale inescrupulosamente tentar atribuir ao PT, os mal feitos do próprio PSDB.

UPDATE: Dificilmente essa versão, baseada em fatos concretos, de que o sigilo foi quebrado em uma batalha interna do próprio PSDB vai ganhar corpo e merecer uma investigação profunda da grande mídia. O grandes veículos insistem e vão continuar insistindo na versão fantasiosa aonde o PT é responsável pelo crime.

Merval Pereira em O Globo e os colunistas da Grande Mídia já repercutem a quebra do Sigilo de Verônica Serra levando em consideração apenas a versão do PSDB. Merval diz inclusive em seu texto no O Globo de hoje que Amaury Ribeiro trabalhava na campanha de Dilma quando investigava José Serra. O que simplesmente não condiz com a realidade. É mentiroso. A investigação a Serra e a quebra de sigilo de Verônica ocorreu antes de Amaury trabalhar na campanha. Amaury não faz mais parte da campanha e está hoje na TV Record.

UPDATE 2: Enquanto FOLHA DE S. PAULO, ESTADAO e O GLOBO gritam nas suas capas “ESCANDALO”,  vejam a capa do Estado de Minas de hoje. Não existe violação de dados de filha de ninguém em Minas Gerais.

UPDATE 3: Jornal Nacional anuncia hoje que violador do sigilo de filha de Serra era filiado ao PT. Tudo bem. É um dado a mais. Mas ele é apenas o despachante da história. O que importa é o mandante. E não o despachante.

UPDATE 4: Quando essa história começar a se aproximar do PSDB, como demonstrado aqui encima, O Globo, TV Globo, Estadão e Folha de S. Paulo deixarão de investigar a história. A investigação deles só é válida até o ponto em que envolva o PT. Além disso, não os interessa.

A introdução do livro de Amaury Ribeiro

Os porões da privataria

Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do país, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três dos seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, tem o que explicar ao Brasil.

Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marín Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marín. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como (Marin) é conhecido, precisa explicar onde obteve US$ 3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil …

Atrás da máxima “Siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.
A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista – nomeado quando Serra era secretário de planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$ 448 milhões (1) para irrisórios R$ 4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC.
(Ricardo Sergio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se  der m… “, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)

Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico (2).

O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$ 3,2 milhões no exterior através da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova York.  É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.

A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$ 17 mil (3 de outubro de 2001) até US$ 375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$ 1,5 milhão.

O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$ 404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, através de contas no exterior, US$ 20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.

O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, entre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.
Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do país para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br,  em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia  do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.

Financiada pelo banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$ 5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$ 10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas tem o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.
Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$ 7,5 milhões em ações da Superbird. com.br que depois muda de nome para  Iconexa S.A…Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.

De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante o Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no país. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia através de sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no país.

Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações — que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade” conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” — foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e as contas sigilosas da América Central ainda nos anos 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenceria…

Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$ 410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.

(1)A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$ 140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$ 3,2 por um dólar.
(2)As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.

O cinema digital e os manés


Tuesday, July 13, 2010

Outro dia postei isso no Twitter:

New technologies made it easier for any idiot to shoot a bunch of shit, put it together and claim out loud that it’s a film.

O motivo dessa constatação foi o post abaixo sobre Locarno. Eu, neste processo de escolha de para quais festivais enviar o meu suado filme, me deparo com um quinquilhão de festivais de cinema espalhados por aí. Uma comparação eficiente seria a do pai, que quer que o filho vá para a melhor escola e se dê bem. O filho pode não ser o mais inteligente, mas independente disso, cria-lo foi suado e trabalhoso, e como você deu o melhor de sí por ele, quer ver ele em uma boa escola. Não quer que ele vá parar em qualquer uma…

Aí, tem aquela escola excelente e super reconhecida. Seu filho não é aceito. Mas um outro garoto, claramente relapso e menos preparado, que foi criado “pelos cocos”, consegue entrar. Há de se ficar enfurecido. Foi o que aconteceu com Locarno.

E hoje, no Terra Magazine, um texto de André Setaro sobre os “cineastas digitais” e sobre as profusão de “festivais de cinema”. Bom saber que alguém concorda comigo…

O audiovisual e o digital pela culatra

André Setaro
De Salvador (BA)

A avalanche de filmes digitais é impressionante. Qualquer pessoa pode, agora, fazer um filme e se intitular cineasta. O fazer cinema perdeu seu mistério e a sua magia. Claro, há a possibilidade de que qualquer se expresse por meio das imagens em movimento, o que é democrático. Ouso comparar o fazer cinema, hoje, com os poetas de antigamente. Em tempos não tão priscas assim, as pessoas viviam a cometer poesias e ficavam satisfeitas quando uma delas era publicada em jornais e revistas. Mas se existia muitos versos, poucos os poetas verdadeiros. Tinha-se, na verdade, uma enxurrada de versejadas.

Aplico o dito aos filmes feitos em digital por qualquer mané. O lixo da história está cheio desses arroubos expressivos e o tempo será o seu maior juiz. Pelo que tenho visto, a maioria dos filmes realizados em digital é de péssima execução cinematográfica, principalmente os curtas realizados por amadores. Para se fazer um filme é necessário, salvo raras exceções (como o documentário filmadoin loco), uma elaboração a priori, um pensar cinematográfico antes da execução propriamente dita. Os cineastas digitalizados, porém, na sua grande maioria, preferem pegar a câmera e ir logo filmando. Os resultados, como não poderiam deixar de ser de outra forma, são lamentáveis.

Nelson Pereira dos Santos, numa palestra no Memorial da América Latina, há algum tempo, disse que não gostava da expressão audiovisual para a denominação de tudo que fosse imagem em movimento. Qualquer filme é chamado de produto audiovisual, o que, para ele, não expressava bem o significado e a dimensão do cinema. Quando se fala cinema, segundo Nelson, vem logo à mente nomes como Orson Welles, Fellini, Luchino Visconti, Roberto Rossellini, entre outros, ao passo que quando se fala em audiovisual nada vem à lembrança. Concordo em gênero, número e grau com esta opinião.

Está a acontecer uma revolução no audiovisual e ainda não cheguei a um processo mais consciente do que se encontra por vir. As imagens em movimento perderam a sua magia de somente serem vistas nas salas exibidoras e tomaram uma amplitude nunca dantes imaginada. Estão por toda parte: nas gigantescas televisões de plasma, nos DVDs, nos celulares, nos computadores. Baixa-se filmes a torno e a direito pela internet. O filme, algo meio inacessível, como em coluna passada me referi com um caso, hoje se vulgarizou a tal maneira que se pode encontrar no balaio das Lojas Americanas obras-primas a preço de banana. Ou espalhadas pelo chão das ruas e avenidas das cidades em cópias piratas. É verdade que, nesta oferta, predominam os filmes inferiores, para consumo imediato, mas, de repente, vê-se um grande momento do cinema à disposição do cliente transeunte.

Os eventos cinematográficos se proliferam e em qualquer cafundó de judas há atualmente a realização de um festival de cinema (apoiados, diga-se assim de passagem, pelas burras da Viúva). Muitos deles são bons e proveitosos, mas não se pode negar que alguns cheiram a picaretagem. Abre-se uma produtora com fito cultural e basta apenas captar patrocínios. Os organizadores gastam o necessário e o troco fica com eles. Urge que os órgãos governamentais tenham mais rigor ao patrocinar tais eventos, pois muitos não passam de pura picaretagem.

Há também uma profusão de oficinas, mesas redondas e quadradas, seminários disso e daquilo, alguns chatíssimos, recorrentes, repetitivos. Para ficar num só exemplo: a das oficinas de crítica cinematográfica., que, geralmente, são realizadas em dois, três dias. Creio-as um absurdo, um non sense. Como se pode ensinar a ver um filme em tão pouco tempo? E, principalmente, criticá-lo? A crítica é a arte da paciência, como disse uma vez o grande Inácio Araújo. Antes de mais nada, o vestibulando a crítico deve ver e ver filmes e, para alcançar um razoável repertório cinematográfico somente o tempo está a seu favor. É preciso se entender que o cinema é uma estrutura audiovisual, que tem uma linguagem autônoma. A crítica, portanto, é um processo a posteriori. Mas, na geleia geral na qual se afundou o audiovisual, assim como todo brasileiro se considera um técnico de futebol, também se acha apto para criticar um filme. Confesso que ministrei uma oficina de crítica, mas, num processo de autocrítica, nunca mais a farei. Tenho, também, culpa no cartório, mas, creio no meu bom senso, e, se o tenho, não participo mais de tais oficinas, que, no meu bom tempo, conhecia-as para conserto de carros e bicicletas.

A concentração de filmes numa determinada mostra é contraproducente. Segundo Georges Sadoul, famoso historiador de cinema francês, na introdução de seu Dicionário de Filmes, os filmes gravados na memória tendem a se confundir. Conta que passou décadas a analisar uma sequência de determinada obra cinematográfica vista há muito tempo e que a tinha como fundamental. Quando teve a oportunidade de vê-la, constatou, estupefato, que ela não existia no filme que anunciava. Pertencia a outro.

Como no título da antologia de críticas de Antonio Moniz Vianna, um filme por dia é o ideal de contemplação de um cinéfilo – até poderia conceder: no máximo dois. Há pouco tempo, no entanto, os eventos cinematográficos que se faziam no Brasil não empurravam, cinéfilo abaixo, uma avalanche de filmes. É bem verdade que da profusão pode aquele que se interessa escolher os mais interessantes e deixar os outros para uma próxima ocasião – se a houver.

Cada vez mais fica imperativo que se refine o que se vai ver. O ideal também é que se refinasse mais o que está a ser produzido. Uma das metas do cinema brasileiro deveria ser esta: não aporrinhar o pobre do cinéfilo já tão aporrinhado com as coisas da vida.

Festival del Film de Locarno


Saturday, July 10, 2010

Ontem recebi uma carta, super educada do festival de Locarno me informando que meu curta não havia sido selecionado para o festival esse ano. Faz parte. Mas claro que sempre fica uma pontinha de decepção…

Locarno é um dos festivais mais tradicionais da Europa, e responsável por descobrir inúmeros diretores. Spike Lee, Quentin Tarantino, Stanley Kubric, etc. A principal “sala de exibição” acontece na Piazza Grande, a noite, sob as estrelas. Uma pena meu filme não ter entrado…

Mas como o mundo continua girando, me ocupei com a inscrição para outros festivais e marcando no meu calendário os deadlines para envio de DVD e etc, e resolvo também pesquisar um pouco sobre o que está se passando em Locarno e descubro o seguinte:

- O diretor artistico do festival mudou, e quem está encarregado da função agora é o ex-responsável pelo “Director’s Fortnight” em Cannes, Olivier Père. Segundo o site do festival ele quer trazer um novo olhar para o festival de Locarno, “revelando novos diretores e novos territórios”.

Legal, pensei! Mas aí descobri também que os novos territórios que que ele quer descobrir é o pornô gay.

Antes do anúncio oficial dos selecionados do festival, que vai acontecer daqui há uma semana, o festival anunciou que o filme americano “L.A. Zombie” fará parte da mostra competitiva internacional. Todos os filmes em competição são exibidos na Piazza Grande.

A revista Variety escreve o seguinte sobre o filme e sua escolha para o festival:

“L.A. Zombie” stars French porn star Francois Sagat as a schizophrenic who thinks he’s a zombie, trying to bring the dead back to life by engaging in homosexual sex. Pic will bow internationally at the Swiss fest dedicated to indie pics.

Esse é o trailer do tal filme:

YouTube Preview Image

E entrando no site do filme, o que se constata é que realmente se trata de um filme pornô gay de zumbis. Vou me limitar a postar o link do filme para quem quiser se aventurar por lá. Mas a conclusão é a seguinte, o festival de cinema que descobriu Kubric, e inúmeros outros diretores, vai exibir na Piazza Grande, para um público estimado de 8 mil pessoas, um filme de de zumbi pornô gay.

Não me interpretem mal. Nada contra pornôs, zumbis, gays ou contra a provocação. Sou a favor disso tudo aí. Mas sou também a favor do talento. Do trabalho duro. Da técnica. A provocação barata e sem profundidade fica por ali. Passa. Não vinga. E acredito que seja o caso da escolha desse filme para o festival.

Claro que fiquei chateado pelo fato de meu filme não ter entrado no festival, mas ao me deparar com essa piada de mal gosto estou indeciso entre dois sentimentos. O primeiro, de alívio, por meu filme não estar compartilhando a tela com um filme de sexo explícito de zumbis gays. O segundo reafirma a minha decepção, se um filme C desse tipo entra em um festival desse calibre e o meu não, eu devo ser mesmo, muito, mas muito ruim de serviço.

UPDATE

Acabo de ver o trailer de um curta selecionado para Locarno. E, ao contrário do tal filme acima, é de extrema qualidade. Chama-se Morning Star. Assistam:

Mythodea


Sunday, June 6, 2010

Me deparei com isso hoje. Espetacular. Espetacular.

A descrição da Wikipedia diz:

Mythodea: Music for the NASA Mission: 2001 Mars Odyssey is a choral symphony[1] by Greek electronic composer and artist Vangelis. Originally premiered in concert in 1993,[2] it was published in 2001 by Vangelis’ new record label Sony Classical, which also set up the NASA connection and promoted a new concert.[3]

YouTube Preview Image

Trailer de “Awfully Deep”


Saturday, June 5, 2010

Estamos quase lá. Já nos inscrevemos em alguns festivais e galtam apenas alguns detalhes para terminar o filme.

Enquanto isso, o site do filme já está no ar e temos um trailer da produção também no ar. Olha ele aqui:

Agora é terminar. Falta pouquissimo.

Machete – Nasce um clássico


Friday, May 21, 2010

Fui apresentado hoje ao trailer de Machete, de Robert Rodriguez. Robert de Niro, Steven Segal, Jessica Alba, todos juntos no mesmo filme como coadjuvantes. Sensacional!!!

YouTube Preview Image

Machete será o “Warriors” do século 21.

YouTube Preview Image

Las Venus Resort Palace Hotel


Wednesday, April 21, 2010

Sonja é a sua host durante sua estada no Las Venus Resort Palace Hotel.

No seu novo album, Cibelle criou essa personagem que te recepciona no início do album, e se despede ao final… O album é genial… Faz uma mistura de brega, Sidney Magal, modernidades eletrônicas, saltimbancos, etc, etc… Acho que nem mesmo Cibelle sabe definir o som dela… Mas as músicas são excelentes, e as brincadeiras dela com Sonja e toda essa estética Nu-Jungle-Brega-Rave também é sensacional… Saquem só!

Esse é o clipe de Lightworks:

YouTube Preview Image

When is Las Venus Resort Palace Hotel beware of nose lightings.

YouTube Preview Image

Cibelle’s Mango Tree helium style

YouTube Preview Image

O Spam e o Aécio


Tuesday, April 20, 2010

Eu, como já postei aqui embaixo, não acho que o Aécio seja um crápula. Considerando seus companheiros da direita, ele é um cara com valores republicanos muito mais apurados que seus colegas de partido e aliados. Tanto é que enquanto enquanto as bocas do PSDB, do PFL e da mídia espumavam, prontos a desgastar/derrubar o presidente Lula, ele foi um dos que intercederam pra acabar com a palhaçada ( vide essa  entrevista de Ciro Gomes aqui ).

E quando a esquerda não me oferecer um candidato bom o suficiente pra merecer o meu voto, até votaria em Aécio. Se não fosse o seguinte…

Uma excessiva e obsessiva necessidade de controlar a sua imagem e o que é dito/falado/pensado/insinuado sobre a sua pessoa e seu governo. Uma figura pública deve ter  a compreensão de que faz parte do jogo receber críticas. Faz parte do jogo questionarem procedimentos. Faz parte do jogo as pessoas dizerem-se contra ou a favor.

Se esse cuidado obsessivo com a imagem de Aécio parte dele ou dos seus marketeiros/assessores, só estando lá dentro pra poder dizer. Mas o resultado são situações, no mínimo ridículas como essa que descrevo nesse vídeo que gravei e postei no Youtube.

YouTube Preview Image

Reel 2010


Tuesday, April 20, 2010

Já há algum tempo editei esse showreel com meus (nem tão mais) recentes trabalhos.

Reel 11/09 from Daniel Florêncio on Vimeo.

Design de Interatividade em BH


Monday, April 12, 2010

Na minha ultima visita a BH encontrei com um velho amigo, Claudio Cunha, que está trabalhando para um escritorio de design e interatividade chamado Coddart. Fiquei feliz ao ver os trabalhos de ver coisas tão legais sendo desenvolvidas em BH. Aqui um dos exemplos do trabalho deles, chamado “Rotatória”.

Roundabout from Coddart | Digital By Design on Vimeo.

Novo acordo nucelar


Thursday, April 8, 2010

Obama e Medvedev se reunem para assinar um novo tratado nuclear aonde EUA e Rússia reduzirão seu arsenal de armas nucleares.

Qualquer passo para evitar a destruição da humanidade é um grande passo. Enquanto isso, lá no Irã, Amahdinejad diz que Obama é um “político novato e amador”. O análogo de Amahdinejad no Brasil, políticos retrógrados que só conseguem olhar pra trás, são uns caras que temos no Senado, tipo o Arthur Virgílio e o Jereissat.

O que pensa a oposição no Brasil


Wednesday, April 7, 2010

A oposição no Brasil não encontra representatividade alguma entre o povo. Não há quem em sã consciência concorde com qualquer coisa que seja dita por esses senhores. Representantes de um pensamento antigo, em que o Brasil funcionava a revelia de interesses estrangeiros, são cegos para a nova representatividade do Brasil no mundo. O povo e o grande capital no Brasil discordam desses senhores, pois vêem no que vem acontecendo agora com o país como uma imensa oportunidade.

Reflexo do pensamento arcaico e medonho desses indivíduos que infelizmente ainda tem representação política no nosso Senado, ontem, terça feira o Ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores compareceu a uma sabatina no Senado.

Aqui alguns dos comentários infelizes, baixos e mesquinhos que ouviu dos Senadores da oposição, segundo a Folha de São Paulo:

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), discordou de Amorim ao afirmar que o novo presidente não deve manter a busca por uma vaga permanente do Brasil. “Eu recomendaria que nós recompuséssemos a ONU, que está ficando com cara de liga das nações, de universidade europeia que a gente discute muito, mas decide pouco”, disse Virgílio.

O único comentário que posso fazer é. Arthur Virgílio é um idiota. Deseja manter uma estrutura criada há 60 anos atrás, ao fim da 2a Guerra Mundial. A configuração política do mundo mudou. Só ele que não viu… E como pode ele discordar da presença do Brasil no Conselho de Segurança? Ele discorda da posição do Brasil no mundo hoje? Colonizado do cacete!!

Segundo Tasso, se Serra for eleito presidente em outubro, o ex-governador de São Paulo não terá entre as suas prioridades o diálogo com líderes esquerdistas latino-americanos.

“Não temos do ponto de vista econômica nenhuma dessas ações de apoio a essas fanfarras, a roubos desses líderes latino-americanos ou africanos. Sair abrindo embaixada em toda esquina,em todo paiszinho que não tem o menor sentido por US$ 400 mil porque uma empreiteira quer construir um aeroporto, acho que Vossa Excelência se enganou”, disse o tucano.

Tasso é outro idiota. Prega o isolacionismo do Brasil com seus vizinhos, a troco de que? Para agradar a quem? Ao Governo Norte Americano? Até Barack Obama prega o diálogo. Tasso não viu a roda da História girar, e, se perdeu em seu discurso, acreditando que estamos em 1969, quando fazia sentido polarizar o discurso e a diplomacia. Estacionou em quando a Africa ainda era visto como atrasada. Esqueceu de acompanhar os fatos e notar o crescimento econômico do continente.

É por essas e outras que o discurso da oposição não ecoa. Não reverbera. Ele não se sustenta com a realidade atual. Um eventual governo com esses senhores como aliados significaria um imenso passo atrás para o Brasil.

Ao ler coisas como essa, a única coisa que posso esperar é que a idade tire logo esses senhores das cadeiras que ocupam. Que a aposentadoria chegue logo para eles.

N.E. Ainda não consigo entender como  a mídia no país compactua com esses indivíduos e suas idéias. Só pode ser um ódio de classe muito enraizado para dar espaço para esses absurdos.

Recordar é viver


Tuesday, April 6, 2010

Em 2004, pouco antes de fugir pro Reino Unido rodei um videoclipe pra uma banda de BH, o Ímpar. Eles estavam lançando um single, o “A + B”, e me convidaram pra fazer o clipe. Havia me esquecido dele. Foi bem simples, rodado em DV em um dia no estúdio da banda. Ele ganhou um prêmio no Rio, rodou na MTV e tals… Revendo, acho que ele ficou bem bacana e bonito. Tem idéias bacanas. Angulos interessantes, cortes e movimentos legais…

YouTube Preview Image

Dois pesos, duas medidas.


Saturday, April 3, 2010

Enquanto Lula apanha da mídia, Aécinho recebe afagos da revista Veja. A “entrevista” é quase um informe publicitário. Leiam aqui.

“Se coloca no seu lugar, baixinho”


Thursday, April 1, 2010

Lula de novo, falando sobre o tratamento que a imprensa dá ao seu governo.

YouTube Preview Image

Mídia. Esse vai ser uma grande questão a ser resolvida no Brasil nos próximos anos. É insustentável ainda termos no Brasil uma mídia tão enraizada e apegada a uma elite atrasada representada por PSDB e PFL. Lula, quando sair da presidência, vai colocar a boca no trombone. Ele já disse publicamente que vai contar todo o episódio de 2005, quando a imprensa o tentou o derrubar…

E se acontecer mesmo de ele ir pra presidencia do Banco Mundial, como Obama já expressou desejo, podemos ter CERTEZA de que o Banco Mundial financiará a criação de um grande grupo de mídia brasileiro, pra fazer frente aos Marinho e Civita da vida…

Briga boa!

Suporte pra Iphone


Saturday, March 27, 2010

O blog agora tem suporte pra Iphone. Se você, leitor querio, tem Iphone e quiser ler o blog quando tiver no busão ou no banheiro, agora pode. Fica assim ó:

Mais Ciro Gomes


Thursday, March 25, 2010

Ciro Gomes é um cara de extremo bom senso. Trechos de uma entrevista dele na TV Brasil que achei no Blog do Nassif… Ele fala sobre o que a mídia vai fazer pra não eleger a Dilma, e, principalmente, da obviedade de como funciona o sistema democrático brasileiro e ninguem parece ter compreendido.

YouTube Preview Image

Bom senso talvez não deveria ser o suficiente pra tornar o Ciro um cara excepcional… Mas o quadrinho abaixo demonstra o porque ele é sim, excepcional.

TV Pública


Monday, March 22, 2010

Legal ver que o pessoal da TV Brasil tá fazendo um bom trabalho!

YouTube Preview Image

Nada mal para uma TV tão nova…

O poder e a mídia


Monday, March 22, 2010

Hoje, na Folha online,

Na semana retrasada, Lula disse que, “neste país, eles [empresários da mídia] não estavam acostumados a ter um presidente da República que não precisa almoçar com eles, jantar com eles e tomar café com eles para governar este país”.

E aqui embaixo, uma fotinha, de um tal “Premio faz Diferença”, no Rio de Janeiro.

Na foto, tirada em 26/03/2009, Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, Jose Serra, governador de São Paulo, João Roberto Marinho, diretor das Organizações Globo, Aécio Neves, governador de Minas Gerais, Luis Fernando Pezão, governador do Rio em exercício e Marcelo Breda, governador de Sergipe.

Dois lados…


Saturday, March 20, 2010

Tudo e todo mundo tem dois lados.

No blog do Nassif hoje, tem uma entrevista do Ciro Gomes ao Valor Econômico. Duas coisas me chamaram a atenção, primeiro, o papel de Aécio Neves em desarticular o golpe que a mídia e o restante do PSDB tentavam dar em Lula em 2005. Segundo, o comentário de Ciro que diz que “o PSDB é o seguinte: eles [os tucanos] vivem embaixo de uma redoma, quando saem da rede de proteção da mídia, encontram um Brasil que não conhecem.”

Trecho do vídeo da entrevista de Ciro ao UOL, onde descreve o golpe.

YouTube Preview Image

Trecho da entrevista onde ele cita o papel de Aécio em desarticular o golpe.

Valor: O senhor pode se candidatar ao governo de São Paulo na hipótese de Aécio Neves ser candidato do PSDB a presidente?

Ciro: Não. Eu disse ao presidente é que eu faço política por amor. Se, amanhã, alguém me diz: ‘o projeto está aqui mas nós vamos perder essa eleição porque Serra, em São Paulo, vai levar 6 milhões de votos e isso definirá a sua vitória a presidente’, aí é outra coisa. Mas eu não vejo esse cenário.

Valor: E por que a situação com Aécio poderia ser diferente?

Ciro: Vou fazer uma justiça a Aécio. Quando a CPI dos Correios começou a arquitetar o golpe contra o presidente Lula, o Aécio teve um envolvimento estratégico. No meio da crise, eu, Dilma, Márcio Thomaz Bastos [então ministro da Justiça] e Jaques Wagner [então ministro das Relações Institucionais] nos reuníamos diariamente às 7h para definir uma estratégia que era “Infantaria e Diplomacia” – eu dei o nome. Nós iríamos fazer o diálogo, a diplomacia. Fizemos uma lista daqueles nomes importantes da República e escalamos quem falaria com cada um. Bastos e [Antonio] Palocci ficaram escalados para conversar com o Fernando Henrique e com o Serra, e eu, com Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Fernando Gabeira [PV-RJ], José Carlos Aleluia [DEM-BA] – esta era a estratégia de diplomacia. E como infantaria, nós estimulamos um movimento para ocupar as ruas. O trabalho da diplomacia era dizer: ‘Daqui para trás: nós estamos vendo um componente golpista nisto, o presidente da República não será alcançado e nós não vamos tolerar isso’. Acabamos fazendo a manifestação na rua, só para mostrar que não estávamos blefando. O Aécio entendeu. Passou não só a concordar, mas a agir para desarmar a bomba. Muitas vezes ele mandou um avião para me buscar em Brasília às 9h da manhã, mandava o avião para pegar fulano, ciclano e beltrano da CPI e íamos para o hangar lá em Belo Horizonte. Lá brigávamos muito, mas chegávamos a acordos avalizados pelo Aécio. Ele nos ajudou a salvar o mandato do Lula. Invoco o testemunho de Gustavo Fruet [PSDB-PR] e Eduardo Paes [na época, PSDB-RJ]. O Aécio nos ajudou a desmontar a indústria da infâmia movida a partir do PSDB de São Paulo.

Valor: Existe a hipótese de Aécio ser candidato a presidente?

Ciro: Acho que sim. Com grandes chances. Se ele for o candidato, é porque Serra terá recuado voluntariamente, e daí Serra garante a ele o eleitorado em São Paulo. O segundo colégio é Minas, e Aécio tira 70% ou mais; o terceiro é o Rio, e ele entra melhor que o Serra; depois é o Nordeste. O Sul está hostil para nós. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o eleitorado é contra o PT, eu ainda entro, mas o Aécio entra com mais leveza. O problema é o Serra e o carreirismo dele, só pensa em si. O problema do PSDB é o seguinte: eles [os tucanos] vivem embaixo de uma redoma, quando saem da rede de proteção da mídia, encontram um Brasil que não conhecem.

Fiquei surpreso com a declaração de Ciro a respeito de Aécio. Serviu para me provar que, sim, todo mundo tem dois lados. Nada é cem por cento ruim. E nada é cem por cento bom. No episódio, Aécio parece ter demonstrado uma grandeza que seus companheiros de partido não tem. Uma compreensão do que a queda do presidente Lula significaria para o país, e especialmente, para o futuro do país. Principalmente, uma maturidade política que não se percebe em muitos políticos no Brasil.

Mas o segundo comentário de Ciro, sobre o “PSDB viver protegido pela redoma da mídia” me incitou a pensar o seguinte…  Se Aécio demonstra essa grandeza política, e se opõe ( e opos ) ao o que o PSDB paulista vem fazendo e articulando, porque diabos ele se utiliza das mesmas táticas e artimanhas que seus colegas paulistas articulam com a mídia para construir a sua imagem?

Recentemente, Aécio caiu nos louros da grande imprensa no Brasil. Com a inauguração da cidade administrativa (ou, o grande microondas na estrada para Confins), ele conseguiu se colocar nos holofotes novamente, e incitar muitos a questionarem se ele não seria a melhor opção para a candidatura a presidente pelo PSDB.

Devo dizer o seguinte… Quando a grande mídia começa a enxergar em Aécio uma alternativa para Serra, é só, e somente só, porque, para ela, qualquer PSDBista, é melhor na presidência do que Dilma Roussef. E se Aécio aparenta ter mais chances de ser eleito do que Serra…

Aécio também mostra muito mais paciência e tranquilidade que seus companheiros da grande mídia e dos partidos aliados. Aécio não se importa em esperar mais alguns anos, enquanto seus companheiros de partidos aliados e da mídia querem a todo o custo se verem livres de mais um governo do PT.

A democracia no Brasil precisa que Aécio Neves se fortaleca.

Mas, ao mesmo tempo, a democracia no Brasil precisa também de uma mídia melhor do que a que temos. Não vale nada Aécio Neves se fortalecer politicamente utilizando-se das mesmas artimanhas que vem sendo usadas a exaustão pelos seus colegas de partido. A mídia não é e não deve ser utilizada apenas como instrumento de construção de reputações e não deve ser utilizada para imacular a imagem de governantes.

A mídia deve ser utilizada para promover o crescimento individual. Deve servir como ferramenta para reflexão da sociedade em que está inserida. Utilizada como mera ferramenta de condução da opinião púlblica, limita não só a aqueles que nela trabalham, mas também quem a consome.

Insistir em utilizar  a mídia com essa função é insistir numa democracia manca e míope.